UNIVERSIDADE & SINGULARIDADE


Algumas iniciativas recentes apontam para a multiplicação dos conhecimentos numa progressão geométrica, favorecendo a emersão de talentos capazes de utilizar as tecnologias desenvolvidas para beneficiar os grandes desafios da humanidade.

No Vale do Silício, por exemplo, recentemente foi criada a Universidade da Singularidade, instituição fundada para formar líderes com uma visão capaz de “criar um mundo pós-escassez”, diferenciando-se das tecnologias que matam, destroem o meio ambiente e desagregam povos e nações. O Vale do Silício (Silicon Valley), na Califórnia, USA, é uma região que vem abrigando, desde 1950, um conjunto de empresas com o objetivo primacial de gerar inovações científicas e tecnológicas, destacando-se na produção de chips, na eletrônica e na informática.

Em São Paulo, a cidade de Campinas é conhecida como “Vale do Silício Brasileiro” , graças às empresas hightech. Lá, já estão presentes unidades de 32 das 500 maiores empresas do mundo. Também no estado de Santa Catarina há outros polos da informação situados em Blumenau, Florianópolis e Joinville. Nessas cidades existem mil e quinhentas empresas de software, sediando 20% das empresas do Brasil.

Se o leitor acessar o site www.veduca.com.br, encontrará à sua disposição, sem quaisquer ônus, 4703 vídeos-aulas, 212 cursos promovidos por instituições universitárias de renome internacional, entre as quais Harvard, Yale, MIT, Princeton e Stanford. Tudo em português!! Os temas oferecidos são os mais variados: Matemática, Estatística, Economia, Religião, Filosofia, Educação, Política, Literatura, Física, Meio Ambiente, Jornalismo, Mercados Financeiros e Liderança Empreendedora, entre outros. Os vídeos já foram acessados mais de 80 milhões de vezes.

A novidade que muito orgulho nos causa é saber que um brasileiro foi o idealizador dos cursos legendados em português e gratuitos: o engenheiro Carlos Souza. Segundo ele, amplia-se no Brasil a demanda por educação online. E dos 80 milhões de internautas brasileiros, mais de 60% já utilizam a web com fins educacionais. E seu sonho maior é o de colocar, num futuro bem próximo, aulas com renomados professores brasileiros.

Lamentavelmente, o Brasil ainda engatinha nessa área da informática por dois motivos: as infovias de baixa velocidade e a dificuldade das universidades brasileiras na ampliação de um planejamento criativo capaz de libertar-se de um mesmismo burocraticamente dinossáurico, estimulado por uma mediocridade enervante e predatória, que vitima talentos e potencialidades, onde todos são tratados como se iguais na criatividade todos fossem.

Num dos relatórios da Unesco, o da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI, a ênfase dada para se levar as estratégias educacionais a bom termo estrutura-se sob três atores principais: a comunidade local, principalmente os pais, a diretoria e os professores; em segundo lugar, as autoridades constituídas; em terceiro lugar, a comunidade internacional. Quando um desses pilares se irresponsabiliza, as reformas não seguem adiante com a velocidade que o século XXI exige, desperdiçando talentos, fragilizando a coesão social, limitando o desenvolvimento, favorecendo autoritarismos.

A educação pernambucana, na gestão do governador Eduardo Campos, encaminha-se para uma positiva conjugação do trinômio eficiência-eficácia-efetividade na concretização dos objetivos e metas estabelecidos. Num esforço colegiado que permanentemente se encontra atento às observações de um pensador norte-americano: “O cair da noite não acontece de uma só vez, nem a opressão. Nos dois casos, há um crespúculo em que tudo parece continuar igual. E é durante esse crespúculo que todos nós precisamos ficar muito atentos às mudanças no ar – por mais sutis que sejam -, antes que nos tornemos vítimas involuntárias da escuridão”.

A importância da educação a distância tende a aumentar. A ânsia por um melhor saber faz parte da ampliação de uma enxergância naqueles universitários que já reconhecem a necessária expansão das suas fronteiras da inteligência (expressão feliz do rabino Nilton Bonder), no enfrentamento dos desafios profissionais e mercadológicos dos amanhãs que já fazem parte de uma pós-modernidade, ainda que muito pouco nítida em seus pontos mais relevantes.

(Publicada em 14/05/2012, no Portal da Revista ALGOMAIS, Recife – PE)
Fernando Antônio Gonçalves