DESOPILAÇÃO DA MODA
Os tempos internéticos têm proporcionado uma notável ampliação dos conhecimentos técnico-científicos, a multiplicação de “talentos cibernáuticos”, a mundialização de algumas idiotices e a aparição de umas tantas vaidades dinossáuricas que se imaginam os maiores do mundo, como Trump. Mais ou menos idênticas à daquele recém pós-graduado sulista que está inserindo na Internet capítulos e mais capítulos de sua tese de doutorado, patrocinada por uma fábrica de bolachas. Trabalhinho apenas lido pelos componentes da banca examinadora por estrita obrigação acadêmica. A intenção do vaidético é ser reconhecido e, se possível, aclamado como de nível p[os superior, posto que, até agora, dada a instituição cursada, ninguém ainda percebeu seus “méritos”.
Mas a maior alegria na Internet está acontecendo com a emersão de centenas de taglines, pequenas frases que revelam trocadilhos, recomendações, gozações e desmoralizações com ideários tidos e havidos como tradicionais ou de eterna efetividade.
Coletei um grupo de taglines, para retratar aqui uma avaliação nota dez da criatividade brasileira, apesar de todos os pesares e desatenções educacionais públicas possíveis. Ei-las:
a. Não há nada no escuro que você possa ver.
b. Mulher é um conjunto de curvas capaz de levantar um segmento de reta.
c. Parte do automóvel que é vendida no Egito: os faraóis.
d. A ejaculação precoce era conhecida na Antiguidade como mal que mela.
e. Nunca ligou para dinheiro, quando ligou estava ocupado.
f. Rouba dos ricos e dá aos pobres, além de ladrão é gay.
g. Barganhar: receber um botequim de herança.
h. Se barba impusesse respeito, bode não teria chifres.
i. Deus criou o homem antes da mulher para não ouvir palpites.
j. Já que a primeira impressão é a que fica, use uma impressora laser.
k. Abelha sempre morre eletrocutada numa rosa-choque.
l. Estouro: bovino que sofreu operação de mudança de sexo.
m. Menstruação é ruim? Pior é quando ela não aparece.
n. A zebra disse pra mosca: você está na minha lista negra.
o. Se bebida curasse alguma coisa, cachaça tinha bula.
p. Tudo na vida é passageiro, menos motorista e cobrador.
q. Loura Gelada é só uma mulher esticada numa mesa do IML.
r. No dia que chover mulher, quero uma goteira em cima da minha cama.
s. Meu gato morreu em miados do ano passado.
t. Virgindade é que nem picolé: acaba no pau.
Homenageio, transcrevendo as taglines acima, um notável pesquisador pernambucano, pioneiro na coleta do que havia de mais pitoresco em para-choques de caminhão: Marcos Vinícios Vilaça, hoje personalidade desencarnada saudosa, que foi da Academia Brasileira de Letras. Em publicação editada pela Fundação Joaquim Nabuco, onde com muito orgulho trabalhei, antigo Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, Marcos Vilaça revelou ao país inteiro, em 1961, a criatividade e o humor, as ironias e as farpas dos caminhoneiros brasileiros, uma das alavancas da integração nacional norte-sul, leste-oeste. Exemplos notáveis por ele coletados:
a. Não sou pipoca, mas pulo um pouco.
b. Cerveja só gelada, mulher só quente.
c. Mulher e parafuso, comigo é no arrocho.
d. Sem amar não se vive.
e. Mulher feia e urubu, comigo é na pedrada.
As tiradas de ontem e as de agora são sinais evidentes da vivacidade intelectiva de um povo, o brasileiro. Um povo criativo por excelência, pronto para desenvolver o seu território pátrio, se lhe derem vez, voto, chão, enxada e participação.
