UM NOTÁVEL PRESBITERIANO

Para quem não o conhece: o presbiteriano Júlio Andrade Ferreira (1912-2002) nasceu em Andradas, Minas Gerais, no dia 3 de setembro de 1912. Foi o 10° filho de Joaquim José Ferreira e Gabriela Ernestina Andrade Ferreira, sendo batizado na Fazenda do Óleo, em 24 de fevereiro de 1913. O oficiante foi o Rev. Basílio Braga, pastor da Igreja de São João da Boa VistaSão Paulo, que estava no primeiro ano do seu ministério.

Em 1926, Júlio foi para Ribeirão Preto, onde cursou o Ginásio do Estado por cinco anos, tendo obtido prêmios como o primeiro aluno da turma. No dia 26 de julho do mesmo ano, foi recebido por profissão de fé pelo Rev. Robert Daffin, na pequenina congregação presbiteriana da cidade, fundada em março daquele ano na casa do irmão de Júlio. O adolescente fez parte da segunda turma de professandos da futura Igreja Presbiteriana de Ribeirão Preto. Em 1927, o jornal “O Evangelista”, editado pelo Rev. Alva Hardie, publicou o primeiro artigo de Júlio, uma crônica sobre “Moisés, o Libertador“, enviada ao jornal por sua professora de Escola Dominical, Emília Magalhães.

Em 1932, fez exames suplementares de psicologiapedagogia e didática na conceituada Escola Normal da Praça da República (depois Instituto Caetano de Campos), em São Paulo, onde obteve o diploma de normalista. A seguir, ingressou na Faculdade de Teologia da Igreja Presbiteriana do Brasil, Campinas, onde obteve em 1935 o grau de Bacharel em Teologia. Júlio foi licenciado pelo antigo Presbitério de Minas em 1936 e ordenado em janeiro de 1937.

Em 1946, o Rev. Júlio foi escolhido pelo Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil para ocupar a cadeira de Teologia Sistemática no Seminário Teológico Presbiteriano de Campinas (ex-Faculdade de Teologia), e nesse cargo permaneceu até 1966, tendo também exercido as funções de bibliotecário, administrador, deão e reitor.

Na cátedra de Sociologia, depois de servir nos Institutos de Educação de Franca, Rio Claro, Limeira, Americana, Santa Bárbara D’Oeste e Campinas, foi posto à disposição do gabinete do Secretário de Educação, para prestar serviços na assessoria técnica do Conselho Estadual de Educação.

Em 1959, foi um dos representantes da Igreja Presbiteriana do Brasil na Aliança Presbiteriana Mundial, reunida em São Paulo. Desde 1961, data de sua fundação, até o final de 1966, foi presidente da Associação de Seminários Teológicos Evangélicos (ASTE). Essa associação promoveu, com o auxílio do Fundo para Educação Teológica, dos Estados Unidos, um amplo programa de publicações, com cerca de 25 obras lançadas em sua gestão, bem como um programa de intercâmbio cultural, com mais de vinte bolsas de estudo para o exterior.

Em 1967, de janeiro a agosto, o Rev. Júlio fez, em companhia da esposa, uma viagem aos Estados Unidos. Sua principal permanência foi no Seminário Teológico de Pittsburgh, Pensilvânia, onde, entre outras disciplinas, cursou Fundamentos Sociológicos, e sua esposa Educação Cristã. Também fizeram um curso intensivo no Centro para Treinamento Urbano de Chicago, voltado para o ministério em contexto urbano. Tomaram parte, em Nova York, na Conferência de Educação Teológica promovida pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs e assistiram à Assembleia Geral da Igreja Presbiteriana Unida dos Estados Unidos da América, em Portland, Oregon. Visitaram experimentos sobre novas formas de ministério em São Francisco e outros locais.

Vasta foi a a atividade literária do Rev. Júlio A. Ferreira. Em 1972 tornou-se integrante da Academia de Letras de São João da Boa Vista, terra de seus pais e da sua infância, e em 1977 foi recebido como membro da Academia Campinense de Letras.

O Rev. Júlio era ainda membro do Presbitério de Campinas (o antigo e histórico Presbitério de Minas). E serviu desde 1968 no pastorado da Igreja Presbiteriana de Campinas, posteriormente na Igreja Presbiteriana do Jardim Guanabara. Jubilado em 1982, após 47 anos de serviço ativo, declarado Pastor Emérito da Igreja Presbiteriana do Jardim Guanabara, posteriormente recebeu a mesma homenagem da Igreja Presbiteriana do Jardim Flamboyant.

Seu feito mais notável, para muitos, foi ter sido organizador de uma TEOLOGIA SISTEMÁTICA CONTEMPORÂNEA, reeditada, em 2024, pelas editoras Edifique e Academia Cristã, com 797 páginas, buscando suprir a carência, no Brasil, de uma Teologia Acadêmica. Um trabalho muito consultado e de excepcional valor cultural até hoje.

Júlio Andrade eternizou-se em 11 de outubro de 2001, aos 89 anos de idade.