SOBRE EVANGELHOS APÓCRIFOS

Os Evangelhos Apócrifos são muito mais do que simples textos antigos não canônicos. Eles são, na verdade, janelas significativas para uma compreensão mais rica e completa do Cristianismo Primitivo.

Embora os Evangelhos Apócrifos apresentem narrativas e interpretações sobre Jesus que divergem do cânon bíblico oficialmente estabelecido, é precisamente essa diversidade que os torna indispensáveis para quem busca um conhecimento mais aprofundado sobre o Homão da Galileia.

Assim sendo, estudar os Evangelhos Apócrifos não é apenas fascinante, mas também essencial, para que estejamos sempre cientes de que Jesus não era católico, não era evangélico, não era cristão, nunca participou de uma sessão de descarrego, era judeu de tradição israelita, nascido numa família de prováveis admiradores essênios. Ele era dotado de uma gigantesca espiritualidade e radicalmente isento de qualquer preconceito.

Para ampliar o conhecimento sobre os Apócrifos, alguns esclarecimentos:

a. O que são exatamente os Evangelhos Apócrifos? Os Evangelhos Apócrifos constituem um conjunto de escritos antigos. Eles narram a vida, a obra, os ensinamentos e aspectos relacionados a Jesus Cristo, seus apóstolos, além de outras figuras do cristianismo primitivo. Eles frequentemente trazem em sua essência um conhecimento mais transcendental. No entanto, é importante notar que as principais tradições cristãs, como a Católica, Ortodoxa e a Protestante, não incluíram tais manuscritos no cânon do Novo Testamento.

A palavra “apócrifo vem do grego apókryphos, que originalmente significava “oculto” ou “secreto”. No contexto dos textos bíblicos, o termo passou a identificar livros cuja autenticidade, autoria ou inspiração foram questionadas ou rejeitadas pelas comunidades cristãs que formaram o cânon.

b. Por que os Evangelhos Apócrifos não foram incluídos no Cânon? Primordialmente, a exclusão dos evangelhos apócrifos do Cânon bíblico ocorreu, em grande parte, porque muitos de seus ensinamentos colidiam com a estrutura de poder e a doutrina que a Igreja começava a consolidar naquele período. Por exemplo, textos gnósticos propunham que a divindade não seria uma entidade exclusivamente externa, mas residiria também no interior de cada ser humano.
Além disso, os textos dos Evangelhos Apócrifos transmitiam a ideia de que o ser humano não necessitaria temer a Deus ou ao Estado, uma perspectiva considerada altamente perigosa à época, pois desafiava as bases de controle social e religioso vigentes. Consequentemente, esses escritos foram marginalizados, proibidos e, inclusive, ativamente combatidos.

c. Por que os Evangelhos Apócrifos não foram incluídos no Cânon, segundo a Igreja? As razões para a exclusão dos Evangelhos Apócrifos do cânon do Novo Testamento são complexas e variadas, mas geralmente incluem Datação Tardia, Origem Duvidosa, Doutrinas Divergentes, Uso Limitado, além de Critérios de Canonicidade pouco convincentes.

Ao longo dos séculos, os Pais da Igreja e os Concílios estabeleceram critérios como apostolicidade (ligação com os apóstolos), ortodoxia (conformidade com as “regras de fé”), catolicidade (aceitação universal) e inspiração divina.

Para quem não se vê classificado em lugar algum, uma leitura significativa: OS SEM RELIGIÃO: UM GUIA PARA LIBERDADE ESPIRITUAL DE QUEM JÁ NÃO CABE EM LUGAR NENHUM, Juliano Pozati, Porto Alegre RS, Editora Citadel, 2023, 160 p. Dez etapas do caminho que nos move do pensamento religioso ao livre pensamento espiritualizado, com excelentes ferramentas e dicas práticas. O autor é representante, no Brasil, da The Spiritual Science Foundation, da Espanha.

É chegada a hora de se entender efetivamente os pós e os contras impostos pelos poderes vários através dos séculos, dimensionando nossa transcendentalidade.