REFLEXÃO SEMANAL:

LEITURA SEMENTEIRA

Atualmente, diante do possível atentado contra Donald Trump, nos EEUU, o que o mundo mais está necessitando é de serenidade. Em todos os sentidos, inclusive climáticos, cujos destrambelhos estão sendo causados pela estupidez humana. Creio que um PRC – Pensamento Racional Construtivista deveria constituir uma disciplina obrigatória já na parte final do Ensino Fundamental, nas duas últimas séries, ministrada por professores não mediocrizantes. Objetivo: travar um bom combate contra as incertezas que perambulam pelos quatro cantos do mundo, causadas por medos, individualismos, fundamentalismos, obsessões de mando, autoritarismos cretinos, racismos, desestruturação familiar e antissemitismos, além de uma idiotização crescentemente generalizada provocada por uma tecnologia assimilada apenas para entretenimentos alienantes, fomentadora de um pensamento único reacionário, que apenas objetiva demandas compulsórias e lucros astronômicos, individualistas e autofágicos, favorecendo o efeito manada.

Um amigo meu, nunca da-onça, companheiro de vida de uma profissional sediada no Rio de Janeiro, encantou-se com um texto por ela recentemente exposto, quando da apresentação de uma moderna terapia amplificadora de autoestima.

O escrito reflete um meta-sonho, exposto por um ser humano sintonizado com os arcabouços situacionais que viabilizam caminhares mais consequentes, menos materialistas, mais consentâneos com as múltiplas confianças depositadas nos ômegas chardinianos., preconizados pelo notável jesuíta Teilhard du Chardin.

Seguramente escrito por alguém que bem conhece o estilo literário de Jorge Luís Borges, um dos intérpretes maiores da alma latino-americana, o texto revela grandezas, agigantando uma parceria assumidamente sincera. Ei-lo:

Eu gostaria muito que, no nosso diuturno ambiente de convívio, os meus projetos fossem a concretização dos teus sonhos. Neles, tentaria criar um ambiente harmônico, tranquilo e com um tempero de muita paz. Combinaria o tecido das cortinas com a luz do céu. A cor das paredes seria a mesma do teu estado de espírito. A colcha de nossa cama, sem dúvida alguma, a refletir a imensidão do teu prazer.

Nos diversos cômodos da casa colocaria objetos que mais nitidamente te revelassem. Na toalha da mesa, eu espelharia teus sentimentos mais profundos, juntamente com os teus momentos mais calmos, sem jamais procurar desmerecer, pelos quatro cantos das peças, os teus instantes mais tormentosos. No nosso banheiro, eu combinaria as toalhas de corpo e de mão com a tua sensualidade, como que mesclando tua indomada ousadia com teus períodos de restauradora castidade. Os nossos porta-retratos refletiriam teus momentos mais significativos, sempre acompanhados dos teus demônios e dos teus anjos da guarda. E em cada canto de nossa casa depositada estaria um punhado de muito bom humor, para que a alegria nunca te abandonasse, sem esquecer uma pitada de nostalgia, vacina eficaz contra sonhos exagerados.

Eu queria muito te ver entrando em nossa casa intensamente vivo, com integral capacidade de chorar e rir, a sensibilidade jamais amesquinhada pelos punhais do cotidiano insalubre. E com uma vontade danada de mudar sempre para melhor, a esperança sendo o estandarte maior de nossa estrada conjugal. Eu muito apreciaria também poder olhar o mundo através dos teus olhos, jamais me relegando a segundo plano, agradecendo a Deus pela tua existência. Na certeza da plena e imorredoura fusão do côncavo e do convexo. Os meus dias sendo os teus dias, o meu viver sendo pedaço do teu caminhar. As minhas entranhas jamais desmerecendo o que foi por ti depositado. No meu cotidiano, sou toda tua, sempre te ampliando através do meu existir.

Uma vacina contra as enfiâncias insensíveis dos tempos contemporâneo, com muitas exibições xeréquicas, bundálicas e peitorais.


Fernando Antônio Gonçalves é pesquisador social