1634 – SOBRE DESCRENÇAS E FÉ


Percebe-se, atualmente, nos quatro cantos do mundo, uma descrença gigante nos amanhãs individuais, comunitários e planetários. Uma grande maioria da humanidade está vitimada por uma estupidificante baixa autoestima, como se a atual nossa era de transição cósmica fosse brevemente se findar, sem qualquer outra em processo de emersão. Por irracionalidade ou analfabetismo cultural, muitos ruminantes estão interpretando o Apocalipse do Novo Testamento como o relato do fim de tudo, ultimando a existência na superfície terrestre.

No turbulento contexto XXI, a que cada um deveria possuir, no transcendental e na sua caminhada pessoal, profissional, familiar e comunitária, se está nulificando, potencializando ansiedades, depressões, angústias e autodestruições, além de feminicídios crescentes.

Além disso, muitos ainda são descrentes por desconhecerem o que significa ter fé.

Segundo Allan Kardec, no seu livro O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo 19, “a fé é a confiança na realização de algo, a certeza de alcançar um objetivo. Ela nos dá um tipo de lucidez que nos faz, em nosso pensamento, o resultado pelo qual estamos lutando e os meios para chegar lá, de modo que aquele que tem fé, caminha com segurança. … A fé sincera e verdadeira é sempre calma, ela dá a paciência que sabe esperar, porque, apoiando-se na inteligência e na compreensão das coisas, traz a certeza de chegar.”

Para a definição acima ser plenamente efetivada, alguns requisitos se tornam indispensáveis: inteligência, compreensão e racionalidade. E este trio só se torna participante quando devidamente ajustado a meios e objetivos, tudo sendo estabelecido com calma e equilíbrio emocional.

O cotidiano mundial, na atual pós-modernidade, está muito desatento a uma constatação feita por Thomas Huxley (1825-1895), um biólogo e filósofo britânico que ficou conhecido como “O Buldogue de Darwin“, por ser o principal defensor público da Teoria da Evolução de Charles Darwin e um dos principais cientistas ingleses do século XIX. Ei-la: “O fundamento da moralidade é renunciar a fingir que se acredita naquilo que não comporta evidências, e a repetir proposições ininteligíveis sobre coisas que estão além das possibilidades do conhecimento.”

Infelizmente, no Brasil atual, por ausência de um necessário conteúdo cognitivo pensante nos dois primeiros graus de ensino, agiganta-se quantitativamente uma categoria humana situada entre a faixa simiesca e o nível homo racionalis, classificada pelas pesquisas antropológicas modernas de chinfrinzé, definido como “animal quase racional, extremamente similar fisicamente ao homo sapiens, que se comporta em áreas civilizadas com uma mente mixada, coexistindo nela ideários nostálgicos, hábitos comportamentais aparentemente sadios e nulificada visão de futuro.”

Facilmente identificados, os chinfrinzés são arroteiros, comportando-se como civilizados, inúmeros sendo caloteiros do erário público, de Master somente portando o nome do lugar onde executam suas patifarias, cuidadosamente preservadas por medidas toffolizadas.

Somente através de uma Educação Básica, com forte conteúdo pedagógico pensante, se poderá retirar de inúmeros a condição de chinfrinzé.


Fernando Antônio Gonçalves é pesquisador social