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PARA OS DIAS PRIMEIROS DE 2017

Neste início de 2017, num momento em que a expansão da mente humana se torna cada vez mais estudada nos centros científicos mais adiantados, um recente debate sobre o “Futuro de Deus” na TV norte-americana envolveu dois talentos mundiais. De um lado, Deepak Chopra, médico indiano radicado nos Estados Unidos, cujos livros dedicam-se à difusão da filosofia oriental. Do lado oposto, Leonardo Mlodinow, professor de física no Instituto de Tecnologia da Califórnia, autor de O Andar do Bêbado, best-seller mundialmente aplaudido.
 
Visões de mundo distintas. “Para o primeiro, a realidade existe numa consciência que antecede a vida no Universo; o segundo acredita que só a física pode explicar a criação do cosmo. Um defende a espiritualidade, o outro, a ciência”. Quatro questões fundamentais – o Universo físico, a vida, o cérebro humano e Deus -, foram explicitadas num diálogo cordial e respeitoso, onde suas interpretações promoveram divergentes pontos de vista numa perspectiva dos amanhãs da humanidade.
 
 
Nas livrarias brasileiras, os diálogos acima foram editados pela Sextante – Ciência x Espiritualidade, Deepak Chopra & Leonard Mlodinow -, reproduzindo o que aconteceu no auditório do Instituto de Tecnologia da Califórnia perante uma plateia de admiradores, cientistas e leigos, cada qual com suas convicções e dúvidas.
 
No prefácio, um esclarecimento dos autores: “este livro abrange dezoito tópicos, com ensaios dos dois autores. Cada pensador contou seu lado da história, um tema de cada vez. Porém, em cada tópico, quem escreveu depois fez isso com o texto do outro à mão, sentindo-se à vontade para apresentar uma réplica. Como as réplicas tendem a convencer as plateias, buscou-se ser justo sobre quem teria essa vantagem”.
 
Quatro tendências culturais são observadas atualmente. A mais visível é a confiança cada vez menor nos líderes religiosos. Em pesquisa de 1988, os líderes religiosos eram os mais confiáveis na sociedade americana, decaindo para o quarto lugar, em 1993, depois de farmacêuticos, professores universitários e engenheiros. A segunda tendência se relaciona com o desencanto com a religião organizada, face os escândalos acontecidos, principalmente com a prática da pedofilia. Uma terceira tendência se relaciona com uma disposição mental pluralista, onde muitos tendem a encarar a religião como ficção útil. E a quarta prende-se à autonomia intelectual, onde cada um pode ter sua convicção religiosa sem a intermediação de organização religiosa.
 
Num dos tópicos – Qual o futuro da fé? -, Mlodinow afirmou: “acreditar é humano, e acreditar no Deus tradicional parece uma tendência viva que continua muito bem, com a perspectiva de um futuro longo e estável”. E Chopra declarou: “a crença se torna um conhecimento em que se pode confiar, e, sobre essa base, Deus pode ser reverenciado outra vez. Textos conscientes que engrandecem a convivialidade entre os de pensares diferentes.
 
Para todos os brasileiros, particularmente os pernambucanos e pernambucanizados que nem eu, que seja melhorado o bom em 2017, descobrindo-se a essência das coisas. Que nossas mentes nos impulsionem para um caminhar de cabeça serenamente mais erguida, mais solidário e menos solitário. E que tenhamos suficiente coragem de correr o risco de efetivar até as boas ideias passadas, muitas delas ridicularizadas porque não devidamente entendidas pelos que se estacionaram nos pretéritos.
 
No raiar de 2017, saibamos abordar com serenidade as razões mais recônditas dos méritos fingidos. Reconhecendo as urgências e as ressurgências, para erradicar as previsões megalômanas, redimensionando  acabrunhadas esperanças, as hipocrisias estrepitosamente vencidas pelas consistentes intercomplementariedades entre o ter e o sonhar.
 
Empenhemos múltiplos esforços na busca de uma “viabilização do impossível”, ousando muito além da mera “implementação do viável”. Jamais olvidando que a miséria é muito má conselheira, além de conservadora, saudosista e autoritária. Lastimando menos, cidadanizando-se mais, para adquirir novas posturas, pessoais e comunitárias, percebendo,  sempre sem medos, que pão-trabalho-liberdade-civilidade é a melhor das receitas para se obter uma paz social nunca cemiterial.
 
Encontremos novas lideranças políticas, multipliquemos os Héldercâmara e os Chico Xavier, sem jamais menosprezar os severinosdemaria do poeta João Cabral de Mello Neto, para quem “o dinheiro é muito parecido com estrume; se não ficar espalhado, fede muito”. Posto que ainda vale a pena pugnar por um Brasil para todos os brasileiros, com os Direitos Humanos jamais sendo confundidos com favorecimentos a banditismos de qualquer idade ou classe social.   
 
Que os mais lúcidos se envolvam, evitando a proliferação dos pústulas. Que as atenções para o Ensino Fundamental se multipliquem, desbobocadamente. Que as Universidades não se transformem em estrebarias, os mais talentosos sendo amplamente aplaudidos. Que a estabilidade no emprego não favoreça a malandragem, nem a vitaliciedade acoberte cavilosas divinizações.  
 
Orgulhemo-nos das nossas tradições culturais, jamais humilhando as das demais regiões da Terra. Porque o frevo, que é pernambucano, necessita ser também admirado pelo mundo afora. E aprofundemos nossos conhecimentos culturais, evitando as firulas dos que apenas desejam levar vantagens, fingindo-se de popular.
 
 
 
(Publicada em 02.01.2017, no site do Jornal A Besta Fubana e no www.fernandogoncalves.pro.br) 
Fernando Antônio Gonçalves
 

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