NPD012. ULTRAPASSAGENS


Uma modernidade sadia deve voltar a enaltecer as vantagens das relações fraternais, os gostos esquecidos e os níveis culturais despedaçados por um consumismo imediato e asneirado pelos endinheirados de final-de-semana, presas fáceis de magos espertalhões, alguns até religiosos.
As economias como a brasileira enfrentarão estagnações se não desenvolverem a área do conhecimento, sobretudo do setor humanístico, na Educação Fundamental sobretudo. Elas não sobreviverão aos elementares obstáculos epistemológicos se não promoverem uma política cultural, erudita e popular, a primeira nunca debilóide, a segunda jamais com objetivos chiqueirais.
Repetidas vezes, ficamos muito seguros num aprendizado efetivado no passado. E sentimo-nos bem fincados sobre coisas que aprendemos quando moços, perdendo, por isso, o bonde da história. Porque o bonde sempre está em movimento e com uma velocidade cada vez maior, a exigir efetivas reoxigenações. Inclusive no campo da espiritualidade, um dos mais relegados na atual pós-modernidade.
Alguém me fez, outro dia, uma triste confissão: “Ter uma ideia nova, nesta empresa, significa ganhar 10 inimigos. Estou convencido de que, aqui, tudo se relaciona com acomodação e bajulismo”. Uma radiografia desalentadora, parecendo até o retrato acabado de algumas denominações religiosas. A comprovar a veracidade do axioma acatado nos meios desenvolvidos: “A fraqueza é a força do adversário”.
Preguiça, ignorância, incompetência e concordâncias acríticas não são armas para quem busca transformações consequentes e duradouras. Que os postulantes, em qualquer instituição, veteranos e novatos, bem assimilem o ensinamento famoso: “Todo grande homem político não pode deixar de ser também um grande administrador, todo grande estrategista, um grande tático, todo grande doutrinador, um grande organizador”.
Verifiquemos as forças que nos restam, especialmente as que fundeiam nossa efetividade caminheira, para que possamos continuar nos amanhãs sem o tartamudear dos que não sabem ser locomotiva, sendo apenas vagão. E dos últimos, repletos de trecos nostálgicos.