NPD008. COMO COMBATER A DEVASTADORA IGNOR NCIA PLANETÁRIA


A COVID-19 fez ressaltar, nos mais diferenciados meios de comunicação, uma devastadora ignorância analítica. Os telejornais e os sistemas governamentais estão repletos de relatos dramáticos, favorecendo um sintoma que vitimou o todo planetário: “quando nos preocupamos com tudo o tempo todo em vez de compreendermos as coisas como realmente são, perdemos a capacidade de nos concentrar nas verdadeiras ameaças.”
Quando personalidades, públicas, empresariais, religiosas, civis e militares, se tornam dotadas de uma hipermetropia aguda, tendem a dividir tudo em duas bandas (direita/esquerda, ricos/pobres, desenvolvidos/subdesenvolvidos, salvos/condenados, e bons/maus, acreditando que as coisas sempre estão ficando piores. E revelam sinais da contaminação tóxica por dados estatísticos amplamente não factíveis, dramaticidades cavilosas, ameaças fantasmagóricas, análises apocalípticas e fake news cretinamente oportunistas. Tudo caracterizado através de dez instintos mórbidos: o da separação, o da negação, o da linha reta, o do tamanho, o da generalização, o do destino, a da perspectiva única, o de culpar e o da urgência.
Em 2005 foi fundada a Fundação Gapminder, com a finalidade de combater as ignorâncias que se disseminavam mundo a fora, contaminando as áreas técnico-científicas do planeta.
E daí surgiu um livro com informações consistentes, favorecendo modos de somente opinar com efetiva facticidade:
FACTFULNESS: O HÁBITO LIBERTADOR DE SÓ TER OPINIÕES BASEADAS EM FATOS
Hans Roling (1948-2017)
Rio de Janeiro, Record, 2020, 359 p.
Um livro muito bem escrito, destinado a leigos e especialistas em economia e estatística. De estilo bem humorado e repleto de histórias emocionantes, é leitura urgente e essencial para os tempos de agora e pós pandemia, quando a maneira de ver o mundo e analisar as crises que advirão serão inteiramente outras.
O autor foi listado como um dos cem principais pensadores globais, em 2009, eleito ainda, em 2011, como uma das cem pessoas mais criativas nos negócios, no ano seguinte aclamado como uma das cem personalidades do mundo pela revista Times.
O autor esclarece: “O que você está prestes a ler não foi inventado de acordo com o estereótipo do “gênio solitário”. Em vez disso, é o resultado de constantes discussões, argumentações e colaboração entre três pessoas com diferentes talentos, conhecimentos e perspectivas. Esse modo incomum, frequentemente exasperante, mas profundamente produtivo de trabalhar, resultou em uma maneira de apresentar o mundo e pensar a seu respeito que eu jamais poderia ter criado sozinho.”
Algumas pessoas eu gostaria muito que lessem o livro acima: meu irmão José Carlos, os amigos Gustavo Camelo, Fernando Sardinha, Zé Paulinho Cavalcanti, minha filha Ana Carolina e seu marido, e minha amiga querida Sueli Azevedo, hoje cidadã australiana. E meu sobrinho Fabinho, meu cunhado Mário Ennes e meu enteado-filho André Martins.
Leitura que deixa todos com uma vontade arretada de “quero-mais”!