NPD001. ORAÇÃO ENCONTRADA NUMA GAVETA DE NORDESTINO


“Pai, passei um monte de tempo Te procurando e não sabia sequer onde Tu estavas. Manhã bem cedinho, ainda mal acordado, olhava para o infinito e não Te vislumbrava, sequer por um milésimo de segundo. De uns tempos para cá, cheguei mesmo a pensar se não era pura imaginação minha a Tua existência e pura fantasia o que diziam de Ti. Agigantando-me a angústia interior, não me contentei apenas com as simples e periódicas buscas. Então, resolvi Te procurar nas religiões e nos templos, frustrando-me uma vez mais, por não Te localizar em lugar algum.
Fiz Universidade para melhor investigar, através do uso de metodologias múltiplas, a Tua presença entre sacerdotes e pastores. Em pouco tempo, fortemente me desencantei, pois Tua presença não era visível para os meus olhos. Sentindo-me só, depois de muitas desesperanças, vivenciei um enorme vazio. Assim, descri. Na descrença Te ofendi. Na ofensa tropecei e no tropeço caí, lambuzando-me todo no charco dos fúteis e dos consumistas, daqueles que se imaginam poderosos, superiores e indestrutíveis, muitos furos acima do Bem e do Mal.
Na queda, isolando-me na mediocridade dos apoucados, senti-me combalido. Já bastante frágil, procurei socorro e no socorro recebido encontrei verdadeiros amigos. Neles vivenciei reconforto e carinho fraternal. Na receptividade irmã que eles me proporcionaram desinteressadamente, vi nascer o amor. Com amor, eu vi surgir um mundo diferente, de muita luz, recheado de maravilhas, antes jamais vistas por cegueira emocional e racionalidades ingenuamente tidas como científicas. Resolvendo solidarizar-me com este mundo, doando-me sempre que possível, compartilhei com muitos o pouco que já tinha recebido. Logo, senti-me feliz, encontrando a paz. E foi com muita paz que enxerguei a Tua presença dentro do meu interior de ser humano. Hoje, definitivamente e sob a Tua Graça, tenho a certeza absoluta de que Tu nunca me abandonaste.”