NPD 103. PROPOSTAS PARA O ENSINO SUPERIOR


Quatro parágrafos de um Posfácio à Edição Brasileira de livro recém lançado – O Naufrágio das Civilizações, Amin Maalouf, São Paulo, Vestígio, 2020, 253 p. -, relacionados com a COVID-19, me impressionaram deveras. Ei-los:
“Teremos que esperar para avaliar todas as consequências do que estamos sofrendo. Mas já se pode dizer sem medo de errar, que os eventos deste ano não serão esquecidos tão cedo.”
“A pandemia atual representa, de alguma forma, um stress test para todos os países do planeta. Como nos precaver se, no futuro, tivermos que enfrentar outras ameaças mortais, causadas por conflitos armados, atentados em massa, acidentes nucleares ou catástrofes climáticas? Que mudanças teremos que operar em nosso comportamento, em nossos hábitos ou nas relações com nossos congêneres, próximos ou distantes?”
“É razoável supor que o papel do Estado como protetor dos governos reencontrou, de uma hora para outra, uma legitimidade que parecia ter perdido. … Passado o crash atual – como aconteceu no pós-1929 -, será inevitável conceber um New Deal de grande amplitude que somente as autoridades governamentais terão os meios de financiar e controlar”.
“Mas não foram os emissários do liberalismo econômico que viram sua credibilidade manchada pelo “grande medo de 2020”. É o Ocidente, em sua totalidade, que emerge dessa batalha ferido, maltratado e desconsiderado. Porque não mostrou nem liderança global nem eficácia técnica. Quando a humanidade inteira se sentiu ameaçada – e buscou, desesperadamente, ser tranquilizada, reconfortada, sustentada, guiada -, nem mesmo os Estados Unidos nem a Europa estiveram à altura de corresponder. Ao contrário, mostraram-se atolados, desamparados.”
E uma advertência mais profética quem faz é um historiador israelense, Yuval Noah Harari, num livro também recentemente lançado no Brasil pela Companhia Da Letras, Notas sobre a pandemia e breves lições para o mundo pós-coronavirus:
“Hoje, de modo ainda mais agudo que em março de 2020, estamos cientes da necessidade da cooperação internacional, da falta abissal de lideranças globais, do risco representado por demagogos e ditadores e do perigo das tecnologias de vigilância.”
Respeitemos a nossa juventude sem populismos, nem burocratizações, mas oferecendo-lhe alicerces acadêmicos concretos capazes de servir de farol para amanhãs bem mais humanísticos que os atuais.