NPD 101. LEITURAS PARA DIFERENCIADAS POSTURAS EXISTENCIAIS


Selecionei quatro leituras para os que estão buscando ampliar o humor, a consciência filosófica, a militância contra uma pandemia que já se encontra com seus dias finais pressentidos e as zangas e hidrofobias de todos os quilates, a exigir uma ampla renovação das posturas pessoais e civilizatórias atuais.
1. VERÍSSIMO ANTOLÓGICO: MEIO SÉCULO DE CRÔNICAS OU COISAS PARECIDAS, Luís Fernando Veríssimo, 1ª. ed., Rio de Janeiro, Objetiva, 2020709 p.
Com uma magistral apresentação do também escritor Moacyr Scliar, publicada originalmente na revista Ícaro, em 1970 e uma esclarecedora nota da editora Daniela Duarte, a antologia de crônicas curtas cobre os anos 1979, 1980, 2000 e 2010. A grande vantagem da antologia dos textos do Veríssimo é a dos seus curtos tamanhos, que muito facilitam uma paradinha para ir, vir ou fazer 1 ou 2.
2. SAUDADES DE DEUS E OUTROS TEXTOS: AS MELHORES COLUNAS DE LUIZ FELIPE PONDÉ NA FOLHA DE SÃO PAULO, Oscar Pilagallo (org), Três Estrelas, 2019, 271 p.
Com um prefácio do próprio Pondé, ele explica como desistiu da carreira médica e se incorporou aos estudos filosóficos, adotando sempre uma postura iconoclástica, definida por ele mesmo “a arte de não ter medo da opinião alheia”, coisa rara num mundo que se avilta cada vez mais pelos ressentimentos vários que muitos adquirem, alimentadores de preconceitos, fuxicos, fake news e outras patacoadas amorais, todos reflexos de gigantesca incompetência sobrevivencial.
3. NECRÓPOLE, Boris Pahor, Rio de Janeiro, Bertrand Brasl, 2013, 294 p.
Um livro perturbador. A visita a um campo de extermínio e a recordação de imagens intoleráveis, reproduzidas com muita precisão, em muito favorecerá os que imaginam que os sectários nazistas, fascistas e comunistas são coisas do passado, sem mais quaisquer retornos.
Um texto histórico que analisa ontens tenebrosos que muito poderão se repetir, caso se ampliem as desperanças de hoje pandêmico, materialista e desantenado.
4. RESSENTIMENTO, Maria Rita Kehl, 3ª. ed., São Paulo, Boitempo, 2020, 207 p.
Um texto pra lá de oportuno em épocas que antecedem campanhas eleitorais. Com alguns esclarecimentos:
a. O ressentimento NÃO é um conceito da psicanálise.
b. Ressentimento é a palavra-chave para ousar compreender o mundo hoje.
c. O ressentimento NÃO se confunde com a revolta ou com à luta por justiça e reconhecimento.
d. Ressentimento NÃO é ação que busca transformar.
e. Ressentimento é o canto queixoso do sujeito da modernidade e de todo aquele que projeta para fora de si, em determinado momento histórico, a fonte de seus males, como um mecanismo de defesa e escudo de proteção para preservar seu narcisismo.
tristeza. A alegria é a manifestação do homem livre, de posse da sua potência de agir.”
Leitura bastante oportuna para os não-abilolados brasileiros que buscam consolidar um caminhar democrática cada vez mais duradouro para todas as nossas classe sociais.