NPD 097. DE TALENTOS PERNAMBUCANOS


Muito oportuna foi, há alguns anos, uma análise feita pelo ex-governador Barbosa Lima Sobrinho, um pernambucano de bravura cívica nunca rebaixada, sobre globalização, publicada n’O Farol, periódico gentilmente remetido pelo coronel Francimá de Luna Máximo, que um dia conheci através do dileto Ary Avellar Diniz, então diretor do Colégio Boa Viagem.
Na sua exposição, Barbosa Lima Sobrinho ressaltava pontos que necessitam não ser olvidados, quando o tema estiver sendo evidenciado por alguém:
1. O conceito “globalização” vem de longe, das primeiras civilizações, talvez da China ou da Índia;
2. Foi utilizado, posteriormente, pela Inglaterra, nas suas primeiras estratégias de estabelecer um governo universal, com o domínio dos mares, das quais tivemos contato quando do primeiro tratado firmado com a própria, em 1810;
3. Sob a égide da bipolizarização USA x URSS, ficamos influenciados pelo primeiro, até o colapso do segundo;
4. Essa influência, hoje, diante das emergências de China e Japão, não deixa nada a desejar à exercida pelo antigo Império Romano.
O ex-governador de Pernambuco mostrou como as práticas liberalistas encontraram profundas resistências dos USA, ainda no governo de George Washington. E comprovando que “pimenta nos xibius dos outros, é refresco”, ele cita relatório do secretário da Fazenda de George Washington, Alexander Hamilton, no qual consta que os USA deveriam criar “tarifas alfandegárias protecionistas, quer dizer, tarifas sobre os artigos estrangeiros rivais dos produtos nacionais que se pretendam fomentar”, indo até mesmo à “proibição de artigos rivais ou tarifas equivalentes à sua proibição”.
Mas o à época respeitado presidente da ABI apontava para um efeito ainda mais perverso, provocado por uma globalização adotada sem uma mínima criticidade recomendável: a eliminação do sentimento e das condições de independência de nação soberana, ocasionando a emersão, nessa e nas futuras gerações brasileiras, de uma população de apátridas, títeres que explicitam, despudoradamente, suas passividades e subserviências. E Barbosa Lima Sobrinho não titubeou: “Está mais do que provado que o liberalismo, nos dois séculos que acompanham a sua presença, está longe de valer como solução”.
O professor Celso Brant, também economista, justifica com rara felicidade o pensar de Barbosa Lima Sobrinho: “A economia globalizada não deve ser construída sobre as ruínas das economias nacionais, mas tendo por base a sua plena realização. O mundo só será rico se ricas forem todas as nações”.
A hora pandêmica atual exige muito civismo, jamais cinismo. Reformatar o Estado Brasileiro para salvaguardar nossa soberania é estratégia de estadista sempre atento às palavras de Joaquim Nabuco, outro pernambucana pra lá de arretadamente ótimo: “Muitas vezes um país percorre um longo caminho para voltar, cansado e ferido, ao ponto donde partiu”.
Apenas recolonizar o Brasil é crime de lesa-pátria, próprio dos que não possuem olhar altaneiro, sempre ficando xixiladamente com o rabo entre as pernas ao primeiro psiu de algum TRUMPolineiro oportunista e egolaricamente globalizante.
Bem que a minha avó madrinha Zefinha, semianalfabeta, de QI elevado e antenações deslumbrantes, dizia para seus netos meninotes: “Quem muito se abaixa, o ‘bernardinho’ aparece….”