NPD 093. FATO DE QUANDO ERA ADOLESCENTE


Sempre acompanhado dos meus pais, na minha adolescência frequentava um ambiente religioso católico situado no Hospital Infantil Manoel Almeida, bem pertinho da minha residência, no Recife. Sempre na parte vespertina de todo domingo.
Outra família, a do Zequinha, amizade antiga, também frequentava, ele aluno de uma Escola de Geologia.
Um dia, numa celebração, despois de uma enchente que muito prejudicou a capital pernambucana, o celebrante disse na sua homilia que a tragédia tinha acontecido porque o Recife “estava pecando demais”.
Na mesma hora, o Zequinha levantou-se, deu um até logo pra gente, e foi embora, desacreditando de vez numa igreja que interpretava despudoradamente uma fenômeno radicalmente causado pela estrutura geológica da região, nunca sendo castigo divino.
Até hoje, o Zequinha tem um pé nas costas quando o assunto é espiritualidade, embora jamais tenha adotado princípios e comportamento ateísticos.
Confesso que, hoje, se eu reencontrasse o Zequinha, reconhecido geólogo brasileiro, residente no sul do país e amplamente inteirado nos assuntos mineralógicos, teria uma satisfação gigante de presenteá-lo com um livro inteligente, de um muito culto juiz de Direito mineiro, militante espírita que conheci certa ocasião no Recife, que recentemente lançou um texto espetacularmente oportuno:
DESPERTAR: NOSSOS DESAFIOS NA TRANSIÇÃO PLANETÁRIA, Haroldo Dutra Dias, São Paulo, Intelítera Editora, 2020, 315 p.
Um texto que nos ensina, através de esclarecimentos cativantes, como revigorar a força, a riqueza e a grandiosidade do espírito imortal que somos. Temas analisados sob os mais diferenciados ângulos: as causas das aflições, as fraquezas da alma, o sentido da vida, educação dos sentimentos e os tempos de renovação.
Dele, uma mínima amostra do seu erudito pensar:
a. “Ao estarmos encarnados, não estamos de posse de toda a nossa memória, e isso faz muita diferença, no sentido positivo e no sentido negativo.”
b. ”Bastam quinze minutos assistindo a um noticiário televisivo, que se você não for vigilante, perde sua crença no ser humano.”
c. “Toda renovação, toda transformação da natureza, tudo está conduzido por um propósito divino. Nada muda simplesmente por mudar.”
d. “Você sempre foi amado. E não há tolice, estupidez, maldade ou crueldade que você faça que seja capaz de diminuir um centímetro do amor que Deus tem por você.”
e. “O ser humano de bem é alguém que quer viver o bem. Ser um religioso é um instrumento.”
Muito gostaria de dizer ao Zequinha que, desde 1857, um talento chamado Allan Kardec, proporcionou explicações racionais, claras, diretas, objetivas, explicando aos seres que sofrem que nunca estiveram sós, através de um livro que se tornou universal: O Evangelho Segundo o Espiritismo, onde o tema do sofrimento está desenvolvido no capítulo 5 – Bem-aventurados os aflitos. Principalmente o item 4 – Causas anteriores das aflições.
Se eu soubesse onde o Zequinha reside, bem que eu enviaria um exemplar do livro do Dutra para ele. Para ele continuar sendo, cada vez mais, um homem de bem, muito respeitado, profissional exemplar, excelente pai de família e avô dedicado.