NPD 070. PELA SANTIDADE DO FEMININO


Sinto muita tristeza quando observo descomunais desconsiderações existenciais explicitadas por mulheres unicamente rabolátricas, sem a menor criatividade artística, tampouco uma mínima influência nos amanhãs culturais mundiais, salvo as exceções que nobilitam o cenário feminino com mente, corpo, coração e missão.
Infelizmente, o atual nível de incultura planetária amplia as desconsiderações pelas mulheres, já agravadas de longa pelos machismos dos imbecilizados socialmente, inclusive influenciados por crenças religiosas que atrofiaram a participação feminina através dos séculos, muitas mulheres sendo desprezadas até pelos Evangelhos e seus seguidores, inúmeras tendo sido queimadas por uma Inquisição cretina chamada até hoje, talvez ironicamente, de santa. Os feminicídios acontecidos nos últimos anos em nossa pátria refletem repugnantemente atitudes complexadas, invejas descabidas, ciúmes psicóticos, além de ódios incontidos diante de uma ampla intuição demonstrada pelas mulheres do mundo todo nas últimas décadas.
Muitos que se fingem de cristãos ainda ignoram propositadamente as lições imorredouras deixadas pelo Homão da Galileia, nosso Irmão Libertador, sobre as mulheres, não prestigiando a Mãe d’Ele, uma figura extraordinária que muito amo e venero. Teve até papa, Inocêncio II, em 1139, que exigiu o celibato dos padres, por razões até hoje atribuídas às despesas com hereditariedade patrimonial.
Para quem pretende continuar pelejando contra os anti-feminismos do atual contexto terrestre, uma leitura efetuada há dez anos erradicou grande parte dos minhas ingenuidades machistas, favorecendo uma enxergância que muito me fez feliz com as companheiras que tive, todas luzes efetivas do meu caminhar terrestre. Ei-la:
MARIA MADALENA, A NOIVA NO EXÍLIO, Margaret Starbird, São Paulo, Cultrix, 2006, 200 p.
Diante das inúmeras mulheres que acompanharam o Nazareno, a autora fez uma análise significativa sobre aquela que foi a primeira testemunha da ressurreição do Homão, ressaltando o verdadeiro papel exercido por ela, nas andanças de Jesus pelos vilarejos da Judéia. Uma liderança depois amplamente difamada pelos machistas psicóticos do Cristianismo que jamais aceitaram Madalena como a noiva esquecida de Jesus.
Segundo John Shelby Spong, bispo anglicano que muito admiro, autor do memorável Um Novo Cristianismo Para Um Novo Mundo, “no livro, Margaret Starbird continua a sua cruzada para restabelecer a santidade do feminino, tão cruelmente roubada pelos líderes ‘ortodoxos’ do Cristianismo ao longo dos séculos. Ao fazer isso, ela também restabelece a humanidade de Jesus.”
Uma livro que amplia a execração dos que distorceram o caminhar do Cristianismo, iniciado a partir da parição de uma mulher extraordinária, também nossa Mãe muito amada, Maria de Nazaré.