NPD 063. CIRCUNST NCIA E CAMINHADA


O maior poeta da Língua Portuguesa Fernando Pessoa, disse certa:
“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, a margem de nós mesmos.”
E um companheiro de caminhada, engenheiro calculista dos bons, antes da COVID-19 chegar me perguntou se eu recomendaria algum texto reflexivo para que ele pudesse rabiscar além dos cálculos, posto que, chegado aos sessenta e poucos anos, estava sentindo um enorme vazio em sua existência de aposentado sem problemas financeiros.
Enviei para o Dado, seu apelido desde menino, três indicações, uma sobre a realidade do mundo sobre o Cristo Cósmico, a outra sobre a atual conjuntura global, indispensável para se avaliar a situação de mando internacional. E uma terceira, psicografia do notável médium baiano Divaldo Franco, sugerindo medidas efetivas para ultrapassar inferioridades as mais diversas. Ei-las:
1. A ARTE DE QUESTIONAR – A FILOSOFIA DO DIA A DIA, A. C. Grayling, São Paulo, Editora Fundamento Educacional, 2014, 320 p.
O autor parte de um balizamento que deveria ser seguido por todos aqueles que buscam pensar sem perder a ternura jamais: “A Filosofia é, dentre outras coisas, o ato, por excelência, de avaliar minuciosamente as coisas e fazer parte da conversa da humanidade a respeito de grandes perguntas e de uma miríade de outras menos importantes que também compõem a estrutura da vida”.
O autor é o melhor pensador britânico da atualidade, sempre apresentando seus textos de modo simples, sem rebuscamentos neuróticos, tampouco eruditismos que afastam inúmeros de uma criticidade cidadã. No livro, ele nos faz um convite para repensar nosso cotidiano, sem aceitar as passividades dos espiritualmente ingênuos, aqueles que se subordinam sempre a um “deus quis” e a um “é a vontade de deus”, como se Deus fosse responsável pelas suas omissões e covardias.
Páginas que despertam, desabestalham e agigantam mentes mais analíticas dos amanhãs planetários.
2. QUEM MANDA NO MUNDO?, Noam Chomsky, São Paulo, Planeta, 2017, 400 p.
Evitando a resposta simplista “Os Estados Unidos”, o autor, um dos intelectuais mais respeitados do planeta, faz um balanço das atuais forças mundiais após o atentado de 11 de setembro, tecendo considerações sobre o futuro do globo, oferecendo respostas efetivas para se evitar uma terceira guerra mundial. E tece considerações lógicas indestrutíveis sobre o que ele denominou de “fascismo amigável”.
Uma leitura que agiganta as consciências militantes que semeiam uma paz mundial amplamente fraterna e menos vexatória financeiramente, onde todos sejam radicalmente bem menos desiguais.
3. VIDAS VAZIAS, Divaldo Franco (pelo Espírito Joanna de ngelis), Salvador BA, LEAL, 2020, 216 p.
Uma leitura amplamente oportuna, em plena efervescência da COVID-29, quando “a ambição pelas coisas de imediato significado tem substituído os valores realmente legítimos da emoção, quais sejam: a prece, a meditação, a solidariedade e o afeto.”
Sobre a realidade pós pandemia, o Divaldo Franco psicografa previsões magistrais da Joanna de ngelis:
a. “A velha geração, acostumada a esmagar, subtrair, mentir e impor falsas filosofias de justiça e de prazer, luta com tenacidade contra uma nova que anela pela libertação das injunções penosas, e lentamente são substituídas, por mais se utilizem da força e da crueldade.”
b. “No exercício da paciência, faz-se imprescindível o autocontrole que demonstra a eficácia da ciência e da paz”;
c. “Considera que os habitantes do planeta querido encontram-se em diferentes níveis de consciência, alguns ainda adormecidos no primitivismo, na expectativa de ajuda para crescer espiritualmente”;
d. “Grande número de amigos afetuosos permanecem amargos e depressivos, a tudo censurando em intérmina exaltação do ego acostumado à crítica doentia e destrutiva”;
e. “Não se preocupe com as ocorrências menos felizes que repletam os periódicos e os veículos de massa, assim como as virtuais, quase sempre fúteis e tóxicas, que são transitórias e logo serão substituídas pelas abençoadas conquistas da verdade e do amor”.
Conclamo você, amigo Dado, a defenestrar o “vamos rir, vamos rir” idiótico de um programa de TV, adotando um “vamos ler, vamos ler” bem mais sementeiro para mentes e corações e caminhadas.