NPD 054. ANALFABETANUMÉRICOS


Está se tornando epidemia de funestas consequências o mal intitulado pelos peritos educacionais de analfabetismo funcional. A pessoa sabe, mal ou bem, ler o que se encontra escrito, mas não compreende o que está escrito. Jornais televisivos que apregoam uma redução da mortalidade infantil de 250% num dos interiores brasileiros, tudo fazendo crer que lá, além de não mais se ir para o beleléu, ainda facilmente se encontra infantes recém-saídos dos seus ataúdes azuis, atordoados com a claridade ambiental e preocupados com o desamassamento das roupinhas, para mais adequadamente reverem pais, mães e irmãozinhos; e noticiários que demonstram uma redução de 120% do preço da cesta básica, a dita tornando-se gratuita e ainda levando o beneficiário alguns trocados para outras necessidades. Afora os estupros na concordância gramatical e na coitada da ortografia. Recentemente, um PhD de mesmo, matemático John Allen Paulos, colaborador do The New York Times e da Newsweek, e autor do aclamado Mathematics and Humor, publicou um trabalho, intitulado Innumeracy, divulgado pela Nova Fronteira como Analfabetismo em Matemática e suas Consequências, onde ressalta o custo social provocado pela inabilidade de muitos diante de dados quantitativos, gerando decisões confusas, políticas governamentais equivocadas e aceitação piegas de raciocínios tortuosos e malabarismos pseudocientíficos. Estilando humor refinado, salientando algumas “cavilações” advindas dos analfabetanuméricos, alguns deles executivos de primeira linha, dirigentes públicos e pessoas até bem dotadas de taludas poupanças e consideráveis patrimônios.
Do instigante trabalho do professor Allen Paulos, dois pequenos trechos devem ser difundidos, favorecendo uma maior eficácia dos procedimentos desbabaquizadores promovidos nas empresas, nas instituições públicas, nos lares e nos sistemas educacionais dos mais diferenciados graus. O primeiro: “O analfabetismo em matemática e a pseudociência estão frequentemente associados, em parte devido à facilidade com que a certeza matemática pode ser invocada para obrigar os ignorantes a uma aquiescência muda”. O segundo: “Equívocos românticos quanto à natureza da matemática levam a um ambiente intelectual que favorece a instrução matemática falha e até a estimulam, quando não incitam à aversão psicológica pelo assunto”.
No mais é refletir dois-mil-réis sobre um pensar famoso de William Cowper, cientista pra lá de prêmio Nobel: ”Seguir precedentes tolos e piscar com os dois olhos é mais fácil do que pensar”.
Pensemos mais e merdalhemos menos!!