NPD 044. MANDAMENTOS DO JOÃO


Com atraso causado pela COVID-19, recebo cartinha do João Silvino da Conceição, atualmente andando para baixo e para cima com um livro que fala de Sun Tzu, que escreveu, 500 a.C., A Arte da Guerra. Um texto que trata de ensinamentos estratégicos. De imensa utilidade para os que, em posição hierárquica de relevo, necessitam se fortalecer, gerenciando conflitos e favorecendo iniciativas empreendedoras. E também provocando um salseiro dos diabos nos interiores daqueles tipos tartarugais, lentos pela própria natureza, sempre no aguardo dos enjoativos “se Deus quiser”, bajuladores por vocação, incultos por descuidos educacionais mentais e físicos emasculatórios.
Abaixo, o relato de acontecências vivenciadas pelo João Silvino mundão afora, aprendendo umas coisinhas aqui, outras coisinhas acolá, o Sun Tzu sendo sua cachaça do momento. Eis o escrito do Conceição, quase na íntegra:
“Irmão querido: Com o livro, estou me capacitando em gerenciar empreendimentos que possuem mais caciques que índios, onde o fuxiquismo, o cavilosismo, as falas-sem-ação e o parece-mas-não-é borboleteiam as iniciativas dos mais responsáveis.
O facilitador daqui é muito bem humorado. E a primeira coisa que ele disse na fala inaugural foi a de que, em todos os casos, um bom executivo deve sempre ter muito cuidado com os imbecis de alto escalão, os chefetes superiores que atabalhoam iniciativas, assumindo tarefas de outros, causando perplexidades dos seiscentos diabos, misturando instruções e ordens, metendo os pés pelas mãos, tornando-se um metido a pensante de quatro patas.
Ele também disse que, no mundo das atuais mutações ultra velozes, ,mesmo com COVID-19 e tudo mais, é sobrevivencial uma estratégia pautada nos seguintes balizamentos:
a. Organização de um sistema de inteligência, as decisão sendo influenciadas pelos dados coletados;
b. Manutenção dos objetivos, jamais atirando pérolas aos porcos, nunca discutindo nhenhenhéns, posto que quem gosta de bunda é penico;
c. Fortalecimento das aptidões essenciais, ocupando posições de difícil acesso;
d. Manter-se na ofensiva, preservando a liberdade de ação;
e. Planejamento das surpresas, a velocidade sendo vantagem essencial;
f. Reflexão permanente sobre benefícios a serem obtidos para o maior número de pessoas;
g. Concentração de recursos, percebendo que os mais fortes sempre derrotarão os mais débeis;
h. Prática de economia de forças, não se centrando em apenas uma área, deixando as demais em postura desvantajosa;
i. Manutenção da simplicidade do planejado, jamais descambando para as simploriedades dos abestados.
Ainda aprendi sobre as principais falhas cometidas pelos imbecis de alto escalão, resumidas em cinco erros perigosos, todos fatídicos:
Erro 1 – Ser negligente, podendo rapidamente sucumbir;
Erro 2 – Ser covarde, facilmente caindo nas inverdades das redes sociais;
Erro 3 – Ser de pavio curto, fazendo papel de tolo;
Erro 4 – Ser débil de honra, propenso a cair em alçapões;
Erro 5 – Ser muito solícito, desejando agradar todos de uma só vez, se esbandalhando de fio a pavio, sem saber administrar a necessária conflitividade que sobressai-se em todas as relações interpessoais.
Mas o mais importante de tudo foi a relação de alguns mandamentos que consegui anotar durante a capacitação feita, todos eles de bom calibre:
1. Ir além das regras usuais;
2. Pensar em fazer dos seus oponentes, aliados;
3. Nunca ser extremamente cauteloso, pois isso leva à covardia e à derrota;
4. Instilar um senso de disciplina, inclusive em si próprio;
5. Não agir baseado em seu próprio interesse pessoal, e sim de acordo com os interesses do seu pessoal e da sua instituição;
6. Entender que há coisas que não devem ser ditas publicamente, pois podem ajudar os oponentes;
7. Nunca atacar para satisfazer sua própria raiva;
8. Tomar cuidado com aqueles que só sabem dar pitacos;
9. Ter suspeição daqueles que dão informações do seu oponente, posto que ele pode estar fazendo a mesma coisas no outro lado;
10. Ter preocupação com excessos de solicitudes, pois podem redundar em grossas asneiras.
Até outro dia, irmão querido. Se precisar de mim, disponha.”
Decididamente, uma cabra muito arretado de ótimo o João Silvino da Conceição, agora todo suntzutizado !