NPD 041. UMA TENTATIVA DE REINVENÇÃO FASCISTA


Há quase dois anos, um livro-despertador foi editado em São Paulo, alertando para um futuro governo fascista no Brasil, fruto de vários fatores, inclusive pelas múltiplas malandragens de administrações petistas, somada a uma deseducação crescente da Gente Brasileira, favorecendo promessas mil de mussolínicos dirigentes fantasiados de salvadores da pátria.
Apenas recentemente li o livro, enviado por amigo carioca de uma instituição de pesquisa, colega de formatura em Economia pela Universidade Católica de Pernambuco, nos brabosos anos 60 do século passado.
O livro:
O ÓDIO COMO POLÍTICA: A REINVENÇÃO DA DIREITANO BRASIL
Esther Solano Gallego (org.)
São Paulo, Boitempo, 2018, 117 p.
Segundo Gregório Duvivier, autor do prólogo do livro, “se tem uma coisa que o Brasil não precisa é de moral cristã e ordem militar. … Toda vez que mataram, escravizaram e torturaram no Brasil foi em nome de Deus, da Pátria e da Família. … Tudo que a direita brasileira propõe é o que foi praticado nos nossos quinhentos anos de história.”
No livro, vários especialistas analisam temas que ensejam uma enxergância cidadã maior das comunidades nacionais vitimadas por uma educação amplamente abilolada, decoreba, sem qualquer senso de criticidade, sempre vitimadas por assistencialismos populistas que camuflam a exploração econômica, o conservadorismo egolátrico e preconceituoso das elites, a discriminação de gêneros, o neoliberalismo troglodita, os interesses descabidos público-privado, a educação sem partido, os fundamentalismos religiosos e os gabinetes do ódio orquestrados por inteligências pouco criativas integralmente identificáveis. Onde até um tal Movimento Brasil Livre se encontra enredado com fake news altamente delinquenciais.
Desde 2015, a Nação Brasileira descobriu direitas militantes buscando hegemonizar imprensa, redes sociais, agenda política e temas morais do país. Uma direita extremista que aproveitou-se bem das derrapagens corruptivas praticadas por lideranças tidas como legítimas defensoras da dignidade nacional.
A leitura não-petista do livro aponta os problemas mais que centenários ainda não superados pelo Brasil, desde as capitanias hereditárias até aos incontáveis assaltos aos cofres públicos federal estaduais e municipais, favorecendo o surgimento de contas gigantes em ilhas fiscais.
Uma leitura que também sedimenta críticas a uma esquerda brasileira pouco criativa, nada convincente, sempre messiânica, eleitoralmente tão oportunistas quanto às demais denominações, sempre voltada para problemas digladiadores internos, messiânicos por derradeiro.