NPD 027. UM JEITÃO ARRETADO DE APRENDER E SE APAIXONAR


Quando se trata de lecionar Matemática, duas vertentes me deixam amplamente horrorizados. A primeira, do lado docente, uma grande maioria apavora no lugar de cativar, ganhando para si o título de fodão do cálculo, se gloriando pelo quantitativo das reprovações causadas nas salas de aula por onde passa. Por outro lado, creio que o espelho legítimo da primeira, a brutal estupidez de cálculo dos alunos, das contas mais elementares possíveis inclusive, forçando a fabricação de caixas registradoras em estabelecimentos comerciais onde já está devidamente registrado o troco a ser dado!!
No atual estágio evolucional da humanidade, imperioso de torna uma gigantesca popularização da matemática, favorecendo um destemor dos cálculos numéricos, favorecendo o desenvolvimento dos obstáculos epistemológicas que impossibilitam estratégias mais efetivas.
Um amigo meu de longa data, docente comigo numa das universidades pernambucanas, ambos na área dos números e aposentados, me mostrou um livro que tinha “curado” seus dois filhos de uma brutal aversão aos números, causada por um não-qualificado que atemorizava sem dó nem piedade, sentindo-se o “ó do borogodó”, expressão usada pela mina avó Zefinha, quando desejava se referir a um farofeiro metido a tampa-de-foguete. Ei-lo para ler e também curar os “contaminados pelo pavor dos números:
O INSTINTO ANIMAL
Keith Devlin
Rio de Janeiro, Record, 5ª. ed., 2014, 269 p.
O autor integra o Centro de Estudos de Linguagem e Informação do Departamento de Matemática da Universidade de Stanford, também associado da América Association for the Advanced of Science, também colaborador de vários documentários para a televisão, sempre na busca da popularização da matemática, tornando-a menos assustadora e ressaltando que ela está situada em setores sociais.
E sua trajetória pela popularização da matemática se iniciou mais intensamente quando tomou conhecimento, em 1992, que uma jovem pesquisadora americana, Karen Wyn, tinha demonstrado que bebês de apenas quatro meses podiam resolver simples problemas de adição e subtração.
Na orelha primeira, uma explicação de Devlin: “há dois tipos de matemática: a natural e a simbólica. A matemática natural evolui há milhões de anos, proporcionando – tanto a humanos quanto a animais – inacreditáveis habilidades matemática relacionadas a necessidade de sobrevivência, senso de direção e captura de presas. A matemática simbólica é exclusiva dos homens e tem pelo menos 3.000 anos.”
O livro ressalta os dois tipos de matemática, favorecendo uma aproximação intimista com os cálculos numéricos.
Vale a pena presentear os filhos adolescentes com tão sedutora leitura!