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VERBETES CIDADANIZADORES
 Gosto que me enrosco de ler cutucações que catapultam a criticidade para níveis mais elevados, bem acima das me(r)diocridades de uma classe política que está retardando o desenvolvimento brasileiro, fazendo o país estagnar-se diante de um contexto mundial velozmente evolucionário, na direção de patamares nunca dantes vivenciados.
 
Na Semana Santa ultima, em Gravatá, acredito que muito cresci lendo um dicionário de citações construído por dois economistas consagrados, Gustavo Franco e Fábio Giambiagi. O primeiro foi diretor do Banco Central do Brasil, tendo sido um dos idealizadores do Plano Real. O outro, do BNDES desde 1984, integrou o staff do Banco Interamericano de Desenvolvimento em Washington, sendo autor/organizador de 25 livros publicados sobre economia brasileira.
 
A coleção de verbetes dos dois economistas foi intitulada de Antologia da Maldade: um dicionário de citações, associações ilícitas e ligações perigosas, editado pela Zahar, RJ, 304 p. e tornada pública em novembro do ano passado. Com muitos aplausos e recomendações, posto que se trata de uma pesquisa exaustiva, dotada de uma excelente dose de humor, muito embora sem abandonar a verdade histórica, com suas “mentiras sinceras” e “mentiras estratégicas”.
 
Solicitei à minha mulher Rejane, docente concursada de Inglês e Espanhol do Sistema Estadual de Educação de Pernambuco, que escolhesse alguns verbetes que pudessem, aqui expostos, ampliar o desejo nos leitores de ter acesso aos demais. Eis os verbetes por ela escolhidos, cabendo ao leitor fubânico explicar criticamente o que por ventura se encontra por debaixo dos panos, a favorecer o caminhar seguro de todo brasileiro situado acima de tudo, sem chiliques nem choramingas, percebendo-se sempre um incompleto aprendiz de tudo:
            Vaidade – “Não ter vaidades é a maior de todas as vaidades” (Millôr Fernandes)
            Santidade – “Quando dou comida aos pobres, me chamam de santo. Quando pergunto por que os pobres não têm comida, me chamam de comunista” (Dom Hélder Câmara)
            Estatura – “Há uma nítida diferença entre o estadista e o político. O primeiro é alguém que pertence à nação; o segundo, alguém que pensa que a nação lhe pertence” (Antônio Ermírio de Morais)
            Dinheiro de campanha – “É necessário que uma pessoa do métier, relacionada no comércio, nos meios bancários, vá pessoalmente às firmas simpáticas obter o concurso monetário, com garantia de absoluto sigilo, porque tais elementos, fundamentalmente conservadores, não querem complicações com o governo” (Getúlio Vargas, em carta a um amigo).
            Almoço – “Não existe almoço grátis. Não existe doação que depois a empresa não queira recuperar” (Paulo Roberto Costa, ex-Petrobras, delator na Lava-Jato)
            Alienação – “O homem que se sente totalmente feliz é um imbecil” (Umberto Eco)
            Déficit Público – “O Brasil ainda é um país onde são muito fortes as forças em favor da gastança de recursos públicos sem lastro. Creio que deva ser um dos últimos países do mundo nessa situação” (Paul Krugman, economista Prêmio Nobel)
            Corrupção – “A gente sabe perfeitamente o que é o enigma brasileiro, não precisa ficar procurando. O Brasil é metade falta de caráter – corrupção -, metade incompetência. Você pode explicar quase tudo o que acontece no Brasil por uma dessas duas metades do mesmo fenômeno” (Evaldo Cabral de Mello, historiador pernambucano)
            Crente – “Não é possível convencer um crente de coisa alguma, pois suas crenças não se baseiam em evidências; baseiam-se numa profunda necessidade de acreditar”. (Carl Sagan, astrônomo americano)
            Inveja – “A inveja é a homenagem que o medíocre presta ao mérito” (José Ingenieros, escritor argentino)
            Desilusão – “É muito melhor cair das nuvens que de um terceiro andar” (Machado de Assis)
            Ego – “Tem hora em que estou no avião e, quando alguém começa a falar bem de mim, meu ego vai crescendo, crescendo, crescendo... Tem hora que ocupo, sozinho, três bancos com o mesmo ego” (Luiz Inácio Lula da Silva,  o maior ilusionista político da História do Brasil)
            Militância – “Não há nada mais perigoso que um entusiasmo pago” (Lima Barreto)
            Fidelidade partidária – “Um traidor é um indivíduo que deixou nosso partido para ingressar em outro. Um convertido é um traidor que deixou seu partido para ingressar no nosso” (Georges Clemenceu, ministro francês)
            Liderança – “Se há um idiota no poder, é porque os que o elegeram estão bem representados” (Barão de Itararé). Um retrato fidelíssimo do atual Ministro da Saúde.
            Politicamente correto – “Lord Acton disse uma vez que o patriotismo é o último refúgio do canalha. Na universidade, o proselitismo democratizante pode se converter no último refúgio da mediocridade” (Rogério C. Cerqueira Leite, físico brasileiro de nomeada)
            Popularidade – “Escrever mal e ser idiota é uma combinação irresistível para ser popularíssimo nos Estados Unidos” (Gore Vital, escritor)
 
Eis um dicionário de verbetes que alavancarão seu humor, sua compreensão sobre o cotidiano mundial e brasileiro, tornando-o eleitoralmente mais antenado e comprometido com o futuro do país, do seu e dos seus derredores, nunca olvidando o que disse, numa entrevista, o Bill Clinton, ex-presidente dos Estados Unidos, aquele que experimentava charutos na tabacaria da Mônica Lewinsky: “Você pode colocar asas em um porco, mas não poderá fazer dele uma águia”.   
 
(Publicado em 11.04.2016, no site do Jornal da Besta Fubana – www.luizberto.com/sempreamatutar)
Fernando Antônio Gonçalves 
 

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