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UNIVERSIDADES ESTELARES
Um levantamento técnico elaborado pela Times Higher Education, em colaboração com a Thomson Reuters, recentemente apontou as 200 melhores universidades do mundo. E a primeiríssima foi a Universidade de Harvard, em Cambridge, USA, fundada em 1636, sendo a mais antiga universidade norte-americana.

Para um país com as dimensões continentais como o nosso, a classificação da USP em 232º lugar e da Unicamp em 248º deveriam merecer análises causais dos nossos especialistas em políticas públicas educacionais. Quais as razões estruturais que apontam os Estados Unidos como possuidores das 15 melhores universidades do mundo entre as 20 primeiras? E a Inglaterra com três melhores universidads entre as 10 primeiras?. Por que a China, um país em desenvolvimento, é o único já possuidor de 6 universidades na lista das 200 melhores? Por que a América Latina não possui nenhuma universidada entre as 200 melhores do mundo? Será que a causa maior do nosso fracasso é uma degradante educação básica, onde os economicamente desfavorecidos são educados pelo método do faz-de-conta, enquanto os mais taludos financeiramente são postos a estudar para perpetuar poderes políticos e posturas comportamentais que há muitas décadas já deveriam estar sepultadas ou apenas citadas nos compêndios de História Antiga?

Na sua versão de agora, o raking faz ressaltar a grandiosa presença das universidades asiáticas. Entre as 50 melhores, o continente asiático possui sete: China 2, Hong Kong 2, Japão, Coreia do Sul e Cingapura. Como o desenvolvimento não dá saltos, quais as políticas educacionais utilizadas por esses países para implementar essa caminhada vitoriosa?

Diz com ampla razão, o jornalista Phil Baty, editor-adjunto da Times Higher Education World University Rankings: “No momento em que países como o Brasil se voltam para o desenvolvimento de pesquisas para o crescimento econômico, os rankings ganham relevância para o planejamento do país”. Será que ganham ou são menosprezados pelos responsáveis pelo ensino superior brasileiro, ratificando tese famosa de que medíocres detestam o ascendimento de talentos, a criatividade dos mais dotados e a interdisciplinaridade? Porque sempre se escondem  nos seus gabinetes olimpicosos, nunca se sentindo ameaçados por quem quer que seja, como se isso fosse possível numa globalização cada vez mais intensa, onde a Internet exerce uma fantástica gutemberguização do conhecimento?  

No Congresso Ibero-Ameicano de Educação, recentemente concluído em Buenos Aires, uma pergunta pairava em todas as mesas de debates: “Como é possível convencer os 20% mais ricos da população da América Latina, que concentram entre 40% e 50% dos bens da região, de que acabar com as desigualdades é bom para o conjunto da sociedade e, enfim, também para eles?”. Uma excelente resposta foi dada por um dos participantes: “Não é casualidade que os países com altos níveis de produtividade e altos níveis de desigualdade (a América Latina continua sendo a região mais desigual do planeta, apesar dos avanços dos últimos anos e suas esperançosas taxas de crescimento econômico que estão previstas para 2010 em 5%) tenham se sustentado tradicionalmente nas matérias-primas. Nelas, continuou ele, a riqueza dos mais ricos se baseia no acesso privilegiado aos recursos naturais e às fontes de financiamento e em uma enorme disponibilidade de mão-de-obra barata”.

Atualmente, entretanto, os mais empoderados financeiramente principiam a entender que o aumento da produtividade, da inovação tecnológica e da criatividade empreendedora requer uma população mais educada nas áreas do saber pensar, do fazer responsável e do eleger consciente, antes que a tiririquização arraste o país para caminhos desagráveis, de consequências deveras lamentáveis. Eles, os da eleite, também percebem que a insegurança agigantou-se enormemente na América Latina nos últimos 20 anos, fruto direto da ampliação das desigualdades e das marginalizações. 

Às vésperas de um no Plano Nacional da Educação, o Brasil necessita olhar com mais objetividade implementadora para sua Educação Básica, não perdendo de vista as metas de um Ensino Médio Profissionalizante. Tais níveis, se amplamente respaldados por uma política educacional binoculizadora por excelência, favorecerão uma maior eficientização do ensino superior brasileiro, hoje envolvido num imobilismo descriativo constatável num primeiro olhar, a provocar lamentáveis desânimos discentes, docentes e técnico-administrativos.   

Que o futuro Ministro da Educação, a partir de janeiro próximo, amplie os projetos vitoriosos, erradique os meramente eleitoreiros e sufoque os assembleísmos cavilosos, reorganizando o MEC com o apoio de dirigentes técnicos CCC – Competentes, Criativos e Compromissados –, que bem compreendam cinco diretrizes: 1. Saber trabalhar com dedicação numa máquina que necessita ser matricialmente azeitada, erradicando-se as tocas de ineptos; 2. Saber conviver com pessoas inteligentes e mais inteligentes que as do seu derredor, com todas elas sabendo debater para apreender as mais exequíveis alternativas; 3. Saber criar amizades com os pensares diferentes, ampliando o arejamento das ideias e a busca de soluções mais nacionais, menos setorializadas, deixando para estas as indispensáveis “complementações ambientais”; 4. Saber ampliar as conexões com o mundo desenvolvido, sem os mimetismos dos PhDeuses e asneirentos; 5. Saber manifestar continuada alegria por estar servindo à Educação Brasileira, sem as pedanterias cerimonialistas dos que se imaginam assessores diretos do Criador, percebendo que a sisudez, muitas vezes, é a armadura preferida dos mediocrizados.

(Publicada em 21.10.2010, no Portal da Globo Nordeste, blog BATE & REBATE)
Fernando Antônio Gonçalves

 

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