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UM DICIONÁRIO FACILITADOR
No campo da espiritualidade, inúmeros ainda se encontram distanciados das últimas análises e interpretações, não percebendo as mudanças que se estão processando muito velozmente nos quatro cantos do mundo, achando sempre que tudo está  bom, que a amizade com os “homens de cima” vai suprir suas deficiências ou relevar suas práticas de antigamente, suas principais muletas. Inúmeros militantes religiosos, alguns até com relevante folha de serviços prestados, lamentavelmente estão com um comportamento muito similar ao do Sapo Fervido, terminando por fazer um estrago dos diabos em suas próprias atuações, teimando em esconder o lixo debaixo do tapete ou não percebendo que “um pequeno buraco pode afundar um grande navio”. Ou buscando tapar ingenuamente o sol com a peneira, quando o mais oportuno seria “levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima”, assimilando pra valer o pensar da Cora Coralina, uma mulher arretada de ótima e também poeta, que um dia escreveu que “a verdade não envelhece, o caminho não tem fim, a vida sempre se renova”.
 
Como se repete a experiência do Sapo Fervido? Muito simples: um sapo é colocado num recipiente, com água da sua própria lagoa, ficando estático durante todo o tempo em que a água é aquecida até ferver. O sapo não reage ao aquecimento gradual da temperatura da água, morrendo quando a água principia a ferver. O sapo morre inchadinho e feliz. Inúmeros portadores de uma mentalidade cristã infantilizada não percebem que a civilização mundial desenvolve-se aceleradamente, com novas e emergentes reflexões sobre os relacionamentos dos seres humanos com o mundo espiritual, o outro lado da rua, sob aspectos filosóficos, científicos, morais e religiosos.
 
Um dos setores mais desenvolvidos nos últimos tempos, no Brasil, é o da divulgação da Doutrina Espírita, onde exposições orais e escritas estão a exigir um glossário amplamente elucidativo sobre os vocábulos utilizados nos livros desenvolvidos por Allan Kardec, pseudônimo adotado pelo professor Hippolyte Léon Denizard Rivail, nascido em Lyon, França, em 3 de outubro de 1804, que teve como tarefa missionária  codificar, metódica, didática e logicamente, os postulados e ensinamentos contidos em suas obras O Livro dos Espíritas (1851), O Que é Espiritismo (1859), O Livro dos Médiuns (1861), O Espiritismo na sua expressão mais simples (1862), O Evangelho segundo o Espiritismo (1864), O Céu e o Inferno (1865), A Gênese (1868) e Obras Póstumas (1890).
 
No Brasil, a FEB – Federação Espírita Brasileira (www.feblivraria.com.br) , sediada em Brasília, em muito boa hora resolveu, em 1985, executar o Projeto Série Bibliográfica, favorecendo informações práticas dos livros publicados.
 
Sobre conceitos e definições compiladas de obras sobre a Doutrina Espírita, a FEB editou O Espiritismo de A a Z, já em quarta edição, 2013, 964 p., favorecendo os estudos e pesquisas aprofundados, também ensejando inspiração para novas iniciativas. Dentre os 2.100 vocábulos e cerca de 10.000 conceitos e definições, escolhemos uma amostra que bem poderá traduzir o esforço gigantesco do Professor Geraldo Campetti Sobrinho, coordenador geral dos trabalhos:
Anticristo – O conjunto das forças que operam contra o Evangelho, na Terra e nas esferas vizinhas do homem.
Atividade espiritual – Aquela que enriquece e eleva a mente, conduzindo-a a um conhecimento superior, à mais ampla compreensão da verdade divina.
Conhecer – Patrocinar a libertação de nós mesmos, colocando-nos a caminho de novos horizontes.
Corajoso – Aquele que nada teme de si mesmo.
Doutrina Espírita – Com a DE tudo está definido, tudo está claro, tudo fala à razão; numa palavra, tudo se explica, e os que se aprofundaram em sua essência encontram nela uma satisfação interior, à qual não mais desejam renunciar.
Educação – A vida tem uma finalidade clara e positiva, que é a evolução. Esta se processa nos seres conscientes e responsáveis mediante renovações íntimas, constantes e progressivas. Semelhante fenômeno denomina-se Educação.
Espiritismo – Ciência de observação, nunca uma arte de adivinhar e especular. Apoia-se sobre fatos, que embasados em raciocínio e rigorosa lógica dão à Doutrina Espírita o caráter de positivismo que convém à nossa época. Ele revive as lições de Jesus, tornando-se a melhor herança a ser deixada aos filhos.
Fanatismo – Na área religiosa é sectarismo que encarcera a liberdade de consciência, pretendendo uma liberdade dirigida na esfera do pensamento, que torna o homem escravo de postulados que lhe proíbem a expansão da alma pela ideia e pela razão.
Inimigos – Os maiores são o orgulho, a vaidade, o egoísmo, a inveja e a ignorância.
Magnetismo – É a utilização, sob nome de fluido, da força psíquica por aqueles que abundantemente a possuem.
Médiuns – Somos todos nós que registramos, conscientes ou inconscientemente, ideias e sugestões dos Espíritos, externando-as, muitas vezes, como se nossas fossem.
Oração – É o elixir de longa vida que nos proporciona os recursos para preservar os valores de edificação, perseverando no trabalho iluminativo.
Reencarnação – Lei que determina venha um Espírito habitar sucessivamente vários corpos, somente ela explicando as diferenças materiais, intelectuais e morais entre os homens, engrandecendo Deus e tornando perfeita a sua justiça.
Religião – É a ligação com Deus que cada Espírito procura manter, na medida do próprio estágio evolutivo.
Vocação – Soma dos reflexos das experiências que trazemos de outras vidas.
 
Inúmeros outros vocábulos estão disponíveis, favorecendo as mais diversas tonalidades de esclarecimentos, sempre a favorecer a evolução do ser humano na direção do Ômega, reverenciado pelo memorável Pierre Teilhard de Chardin, um jesuíta que soube fazer história evolutiva.  
 
(Publicado em 03.04.2017 no site do Jornal da Besta Fubana e no site www.fernandogoncalves.pro.br)
Fernando Antônio Gonçalves
 
 

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