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UM CAVALO DE PRESENTE
Semana passada, Deus aprontou uma pegadinha comigo. De repente, num quase final de noite, ganho um livro de presente de Páscoa. Com uma dedicatória que muito me sensibilizou. Iniciativa de uma pessoa que principia a ter lugar proeminente como orientanda de portentoso iluminamento intelectual, liderança discente de destaque no campo da Administração.
 
E qual o porquê da pegadinha?  Por uma simples razão: nunca o livro recebido tinha me provocado a menor intenção de leitura. Por mera implicância pessoal, posto que os elogios por mim lidos excediam em muito as críticas formuladas, estas advindas das partes mais reacionárias da Igreja Romana, a auditora-mor de tudo que se relaciona historicamente com o Homão da Galileia. Como se ela fosse a única interpretadora do maior fenômeno da história da humanidade, de nome Yeshúa ben Yosef, nascido numa aldeia chamada Nazaré, filho de um artesão trabalhador e de uma mulher muito digna, de fala aramaica que o denunciava com facilidade.
 
Por mera curiosidade, para assenhorear-me do assunto iniciei a leitura de Cavalo de Tróia 1 – Jerusalém, de J.J. Benítez, editora Planeta. O autor, um nascido em Pamplona, norte de Espanha, há mais de 35 anos viaja mundo afora, investigando enigmas os mais diferenciados, já tendo contabilizado mais de cinco milhões de quilômetros, o que daria 122 voltas ao redor do planeta.
 
Confesso que, vencidas as primeiras páginas de leitura, estou sentindo dificuldade de largar o livro para atender meus compromissos profissionais de consultoria e magistério. O interesse de Benítez pelo seu “grande amigo” Jesus encantou-me sobremaneira. Tudo fazendo crer que o volume 1, o que me foi presenteado, seja o mais significativo de todos os demais oito, pois retrata, ficcionalmente, uma operação ultra-secreta chamada Cavalo de Tróia, acontecida em 1973, quando  dois astronautas regridem no tempo e se tornam testemunhas da vida, paixão, morte e ressurreição de Jesus de Nazaré. Constatando ser ele um profeta não castigador, tampouco controlador, que seguramente, se por aqui retornasse, abominaria a Santa Inquisição e as práticas de pedofilia, as hipocrisias e os farisaísmos das religiões que nunca pelejam pela libertação integral do ser humano.
 
Revelando grande capacidade de pesquisar os fatos históricos daquela época, a partir do diário do Major, Benítez oferece uma impressionante riqueza de detalhes, sensibilizando crentes e não-crentes. A ninguém permitindo ficar indiferente diante dos acontecimentos que marcaram a Galileia daquela época, sob a dominação romana.
 
Agradecendo à agora amiga prá valer pelo presente, encareço-lhe a ampliação das suas leituras sobre a história daquele que desejava um mundo mais humano e fraterno, sem peias religiosas nem hierarquias bajulatórias de nazismos, fascismos, liberalismos, estatísmos e demais estrovengas, todas elas  emasculadoras dos princípios ativos que favorecem o homem todo e todos os homens. Que ela sempre saiba bem diferenciar essência de circunstância, salvação de igreja, mito de realidade, dogma de fé. Para melhor compreender os combates religiosos, sociais e políticos que marcaram seis décadas do século IV, culminando com a transformação de uma religião perseguida numa religião oficial do Império Romano, estratégia de Constantino para continuar dominando, jamais favorecendo os “menores do Reino”, razão maior da caminhada do profeta de Nazaré.
 
Se me fosse dada a possibilidade de indicar uma leitura para as futuras férias da minha  amiga, recomendaria um texto bastante elucidativo de Richard E. Rubenstein, especialista em Resolução de Conflitos e Negócios Públicos, que se dedica especificamente sobre conflitos sociais violentos. Sendo um talento formado em Harvard e Oxford, Rubenstein em seu livro Quando Jesus se Tornou Deus, editora Fissus, detalha as causas resultantes das divisões entre igrejas do Ocidente e do Oriente, geradoras dos esfacelamentos posteriores que persistem e se multiplicam até os dias atuais.
 
No mais, aguardar o lançamento, por editora brasileira, de Jesus –Uma Abordagem Histórica, do teólogo espanhol José Antonio Pagola, que tantos aplausos tem merecido no mundo inteiro.
 
Agradecendo sempre, permanecerei à sua inteira disposição d’ora por diante, caminhante e seguidor da canção, vez em quando também falando de paixão pela Vida e pelos seres humanos. 
 
 
(Portal da Globo Nordeste, 15.04.2010, Blog BATE & REBATE)
Fernando Antônio Gonçalves
 

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