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TESE CIDADÃ

 Confesso que me assustei com o volume recebido da tese de doutorado (870 p.) de Christine Paulette Yves Rufino Dabat, professora adjunta do Departamento de História da UFPE e do Mestrado em Gestão e Políticas Ambientais da mesma universidade. Intitulada Moradores de Engenho; relações de trabalho e condições de vida dos trabalhadores rurais da zona canavieira de Pernambuco, segundo a literatura, a academia e os próprios autores sociais, 2ª. ed. rev., Recife, Ed. Universitária da UFPE, 2012, suas primeiras páginas logo desanuviaram minhas resistências. A tese de doutorado acima citada, escrita por uma historiadora de talento, que realizou sua formação em história geral na Universidade de Genebra, merece entusiásticos parabéns. Estou a ela me dedicando com entusiasmado de cidadão sempre incompleto.

 

Segundo a professora Maria do Socorro Ferraz Barbosa, também da UFPE e da tese orientadora, “no estudo da autora, o fenômeno da ‘morada’ aparece com a abolição da escravatura e a instalação das usinas de açúcar; não como uma evolução progressista nas relações sociais de trabalho, de tipo capitalista, como poderia sugerir desde que o trabalhador rural, supostamente, recebesse um pequeno lote de terra, no qual pudesse plantar e subsistir com sua família; mas, a ‘morada’ substituiu a senzala apenas no seu significado de moradia coletiva, pois as famílias que ocuparam moradas/casebres continuaram sujeitas às vontades promíscuas dos senhores de engenho e seus esbirros, como os capatazes e/ou seus capangas.” E mais disse: “a autora chama atenção ao papel-chave que teve a ‘morada’ na concepção do modo de produção, na história do açúcar e nas diferentes discussões teóricas que proporcionou”.

 

Christine Dabat, segundo dados coletados em sua documentação de vida profissional no CNPq, ainda é possuidora de experiência de pesquisa na área de História da Agricultura, com ênfase em História do Açúcar principalmente nos seguintes temas: história da cultura açucareira; história das relações de trabalho na zona canavieira de Pernambuco; história fundiária e história das relações homem/natureza. Também sendo docente em História Medieval e Introdução à História da China contemporânea. Com pós-doutorado na Ecole des Hautes Études em Sciences Sociales, EHESS, na França.

 

Na Introdução da sua tese, a autora cita Marc Bloch, como incentivo maior ao seu trabalho memorável: “O passado é, por definição, um dado que não mais poderá ser modificado. Mas o conhecimento do passado é uma coisa que está em progresso, que constantemente se transforma e aperfeiçoa”. A autora ressaltando que “a abordagem do tema segue as correntes historiográficas que questionam os parâmetros eurocêntricos do conhecimento nas Ciências Humanas”.

 

Vale a pena ler, destacando sempre atentamente, a tese da Dabat, para entender mais conscientemente  o significado de uma modernização sem mudança, apesar do “brilho modernoso da técnica industrial”, com seus indicadores sociais ainda humilhantes para inúmeros filhos nordestinos da Criação.

 

(Publicado em 12.09.2015, no Jornal do Commercio, Recife, Pernambuco)

Fernando Antônio Gonçalves

 

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