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TEMPLÁRIOS, HISTÓRIAS E MITOS
 Dentre os inúmeros enigmas que envolvem a trajetória do Cristianismo ao longo dos últimos dois mil anos, desde que Paulo de Tarso consolidou suas vertentes, as atribuições dos Cavaleiros Templários ainda estão submersas nos subterrâneos da História, favorecendo mitos, estórias e mil outras fantasias. De guerreiros monásticos das Cruzadas a diplomatas talentosos e negociadores  habilidosos que estruturaram a maior empresa multinacional da Europa Ocidental, a Igreja Romana, incluindo a história de guardadores de tesouros perdidos, lendas inúmeras foram erigidas sobre a mais próspera ordem de toda a cristandade, de 1119 a 1312, quando foi extinta no Concílio de Vienne, pelo papa Clemente V, a pá de cal sendo a execução, na fogueira, do último grão-mestre, Jacques de Molay, em março de 1312. 

Na primeira metade da última década, 2002, Oddvar Olsen, um estudioso das antigas tradições, lançou um periódico intitulado The Temple, através do qual propiciou o aprofundamente de discussões sobre a ordem religiosa e guerreira dos Templários, hoje considerados a chave mestra para a solução de temas polêmicos: o que fizeram os Cavaleiros Templários na Terra Santa?; qual o grau de intimidade entre Madalena e o Nazareno?; o que foi encontrado nas escavações feitas no lendário Templo de Salomão?; onde foi parar o Santa Graal, o cálice que continha sangue de Jesus?; quantos filhos Maria gerou, após o nascimento do Homão da Galileia?; foi realmente o Nazareno quem foi crucificado, após os incidentes ocorridos no Horto das Oliveiras?

A ordem dos Cavaleiros Templários tinha um propósito inicialmente exclusivo, o de dar proteção aos peregrinos cristãos na Terra Santa. A cidade tinha sido conquistada pelos cruzados em 1099, mas visitá-la exigia esforços gigantescos, posto que ela era praticamente uma ilha cercada de muçulmanos por todos os lados. A solução de criar uma força militar subordinada à Igreja, oferecida pelo cavaleiro francês Hugo de Payns, muito agradou o rei de Jerusalém, Balduíno II, irmão mais jovem de Godofredo de Bouillon. Com a implementação da ideia, passaram a existir monges de um lado e cavaleiros de outro. Segundo a história, o exército seria formado por frades bons de espada, que fariam, além dos votos de pobreza, castidade e obediência, um quarto juramento: o de defender os lugares sagrados da cristandade e, se necessário, liquidar os infiéis. 

Em 1129, a ordem recebeu aprovação no Concílio de Troyes, uma nova bula papal, datada de 1139, isentava os templários da obediência às leis locais, todos ficando submetidos ao sumo pontífice. Com o crescimento da ordem, eles pararam de receber doações, e em pouco tempo estavam administrando uma gigantesca fortuna espalhada por toda a Europa, composta de peças de ouro, prata, castelos, fortalezas, moinhos, videiras, pastos e terras aráveis. O grupo também emitia cartas de crédito: o peregrino à Terra Santa depositava uma determinada soma na Europa, que podia ser resgatada quando chegasse a Jerusalém. E tais atribuições fizeram crescer os olhos de muitos novos adeptos.

Os Cavaleiros do Templo também eram proibidos de se confessar a outros que não fossem  capelães templários. E o teólogo inglês João de Salisbury, em 1179, perguntava se os cavaleiros não tinham cedido às ambições terrenas. Um exemplo: em 1291, a viúva de um nobre templário foi expulsa de sua propriedade na Escócia pelo chefe da ordem no país, Brian de Jay. Segundo o contrato firmado pelo marido, a posse das terras voltaria à família depois de seu falecimento. Maliciosamente, Brian recusou-se a devolvê-las. E o pior: ordenou que seus homens arrombassem a casa da viúva. Como ela se agarrou à porta, em completo desespero, teve os dedos decepados pela espada de um deles.

Enquanto os templários protegiam Jerusalém, todos fizeram vista grossa aos seus desmandos. Porém, quando os muçulmanos gradualmente reconquistaram a região, a animosidade contra a ordem explodiu. “A expulsão foi particularmente séria para os templários, cujo prestígio e função se identificavam com a defesa dos lugares da vida, morte e ressurreição de Cristo”, diz Malcolm Barber. Na Alemanha, “beber como um templário” virou sinônimo de bebedeiras, e “Tempelhaus” (a Casa do Templo), lugar de farra e até prostituição.

Em 1305, o papa Clemente V se tornou aliado do rei da França, Filipe, o Belo. E os dois conspiraram para a destruição da Ordem. Em outubro 13, 1307, uma sexta-feira, uma operação sigilosa da guarda de Filipe encarcerou boa parte dos templários da França. As acusações eram pesadas e seguiam os moldes dos processos inquisitoriais daquela época: rejeição da cruz e de Jesus Cristo, beijos obscenos, sodomia e idolatria do Diabo. Os interrogatórios eram brutais: o cavaleiro Bernardo Vado, por exemplo, teve os pés tão queimados que seus ossos acabaram expostos.

Algumas histórias envolvem os templários: 1. A ordem teria sido fundada pelo Priorado do Sião e guardado segredo sobre uma filha bastarda de Jesus; 2. Os templários teriam encontrado a Arca da Aliança, também descobrindo os segredos dos primeiros maçons; 3. O Manuscrito Copper, localizado na região do Mar Morto teria sido descoberto e decodificado pelos templários; 4. A menção á sexta-feira 13 como dia de azar.  

Quem desejar se envolver nas preliminares de um tesouro de histórias, mitos e lendas, uma leitura inicial é Templários – as sociedades secretas e o mistério do Santo Graal, livro organizado por Oddvar Olsen, editor de The Temple, acima citado. Uma leitura cativante que deixa todos com uma vontade gigante de reler os livros de  Dan Brown, com seus enigmas, mitos e cavilações.

(Publicada em 20/08/2012, no Portal da Revista ALGOMAIS, Recife – PE) 
Fernando Antônio Gonçalves
 
 

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