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TAPAS E BEIJOS
1. Parabenizo, com euforia cidadã, o projeto de lei enviado sexta-feira passada pelo governador Eduardo Campos à Assembleia Legislativa de Pernambuco, criando a Comissão  Estadual da Memória e Verdade. Competirá à Comissão esclarecer violações dos Direitos Humanos praticadas no Estado entre 1964 e 1988, catalogando fatos e feitos que macularam a dignidade das pessoas. Uma prova cabal de um executivo que respeita o passado libertário da gente desta terra de altos coqueiros.

2. Os brasileiros adultos podem ser classificados em cinco grandes categorias: o inocente,  que desconhece seus direitos e seus deveres; o acomodado, que espera passivamente que tudo se resolva; a vítima, que só faz se queixar; o chato, que vive cobrando de forma errada; e o consciente, que se encontra permanentemente comprometido com os direitos e deveres, sabendo agir com responsabilidade, sempre atuando para melhorar o estado geral do derredor por onde anda, sendo companheiro constante, dotado de antenada consciência social. O escritor George Orwell já dizia que “enxergar o que está diante do nosso nariz exige um esforço constante”.

3. Recado para quem vive permanente de mau humor: ele em nada melhorará seu viver, muito pelo contrário. Só fará você ver tudo bem menos claramente, embotadamente. Saiba sorrir sem economizar suas energias, embora nunca se comportando como um atoleimado baba-ovo. E nunca abandone os principais balizamentos de toda caminhada: a. Respeite-se sempre. A sua melhor amiga é a sua criticidade; b. Imagine-se sobrepairando sobre as mediocridades do mundo cotidiano; c. Desenvolva sua espiritualidade, nunca se imaginando superior ao Criador, tampouco sócio ou sósia d’ELE; d. Experimente tudo e fique com o que é melhor; e. Ame com intensidade todas as coisas, desprezando o julgamento dos medíocres puritanos e moralistas; f. Veja-se sempre uma pessoa bonita; g. Reserve momentos para seu lazer pessoal; h. Nunca enfrente seus momentos “down” sozinho; i. Nunca pense desonestamente; j. Preste atenção até ao que não tem importância; h. Não faça nada que de nada sirva.

4. A seleção brasileira de futebol está irreconhecível e não é por culpa dos jogadores. O nosso futebol somente renascerá se adotados forem procedimentos desprostituídores.  Camiseta azul ou amarela é discussão bunda de quem não tem mais como demonstrar ter seriedade. Estão estrangulando por corrupção descarada a diversão maior do nosso povo. Segundo Romário, hoje deputado federal, trocaram um ruim por outro pior na CBF. Quem planta, colhe...

5. Recentemente, li o romance 36 Argumentos para a Existência de Deus, de Rebecca Newberger Goldstein, com extraordinários detalhes detalhes entre religião, ciência, fé e razão. E reavaliei passos e caminhadas, posturas e compromissos, atos e fatos de pretéritos que jamais voltarão, mas que nunca deverão ser olvidados, para que não mais se reproduzam. E tentarei me presentear com uma dose dupla de serenidade, sem perder a capacidade de indignar-me, tampouco deixando de lado meu lado molecal, parte indissociável da minha vivência cotidiana , posto que sinto-me cada vez mais livre, “um menino-passarinho com vontade de voar”, relembrando Luiz Vieira, excelente menestrel  jamais esquecido.

6. Considero férias o melhor combustível para se seguir adiante, continuando a travar o bom combate, acreditando sempre que o mundo se revolucionará pacificamente através da ação radicalmente solidária dos seres humanos pensantes. Ratifico lema adotado há muitos anos, lido em texto bem humorado: “Escrevo, logo hesito”. E continuarei com meus rabiscos sempre de olho num desabafo de Euclides da Cunha, em carta de 14 de julho de 1890: “Desconfio muito que entramos no desmoralizado regime de especulação mais desensofrida e que por aí pensa-se em tudo, menos na Pátria”. Que digam os pilantras do Congresso Nacional, uma corporação de maioria bandida, eleita pelos votos de um sem-número de eleitores abilolados.

7. Há três tipos de seres humanos, diante das duas faces de um espelho: os autoconscientes, autônomos e seguros de seus próprios horizontes e limites; os mergulhados, inundados por suas emoções e incapazes de safar-se delas; e os resignados, os que aceitam passivamente viver como são, num laisser-faire suicida, num “como Deus quis”, como se ELE fosse o responsável pela incapacidade de alguém “levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima”.

8. Lembrei-me de um ditado que diz “nem oito, nem oitenta”. Da minha parte, eu me contento em buscar existir acima da média. Mais de quarenta e quatro está na medida, com isso e aquilo dentro dos conformes emocionais e das disposições transitórias. Sem blá-blá-blás nem chorumelas. Embora sempre subsidiado com as utopias que muito auxiliam.

(Publicada em 02.04.2012, no Jornal da Besta Fubana (www.luizberto.hotmail.com) 
Fernando Antônio Gonçalves

 

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