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TALENTO PAULISTA
Tenho admiração por pesquisas efetivadas na área de História, geral e brasileira. Em minha época de professor da FCAP, conversava horas com meu amigo-irmão Rinaldo Cardoso, que entendia processos históricos para nos deixar de queixo arriado.
 
Através do Rinaldo tomei conhecimento da historiadora Maria Luiza Tucci Carneiro, da USP, História/FFLCH, que se especializou em análises sobre racismo e antissemitismo. Sua tese de doutorado O Anti-Semitismo na Era Vargas –Fantasmas de uma Geração (1930-1945), SP, Perspectiva, 2ª. ed., é considerada “o primeiro e até hoje o mais abrangente estudo sobre a postura de governo e sua política discriminatória em relação aos refugiados judeus em busca de auxílio para escapar das perseguições nazistas e reconstruir, no Brasil, suas vidas.”  Uma leitura obrigatória para quem busca apreender melhor o panorama da primeira era Vargas, para estabelecer uma avaliação mais consistente sobre a prática e o discurso oficial daquele período.
 
Recentemente, voltei a ler a pesquisadora, na Revista História, da Biblioteca Nacional.  Na edição de jan. 2013, um texto seu, O Brasil Diante dos Nazistas, faz uma constatação contundente: “Persiste certo silêncio sobre a presença e atuação dos nazistas no Brasil. Não se sabe nem o número de partidários de Hitler que vieram ao país depois da Segunda Guerra Mundial, acusados de crimes contra a humanidade. Governado por Getúlio Vargas entre 1930 e 1945, o Brasil havia se tornado uma espécie de seara livre para a circulação de nazistas, fascistas e integralistas”.  
 
No texto, a professora Tucci faz algumas revelações importantes: 1. Antes mesmo do golpe militar liderado por Vargas, que desde 1930 estava no poder, o governo brasileiro já tinha preparado algumas propostas absorvidas do fascismo italiano e do nazismo alemão, sob o lema “novidades de modernização”, contando para isso com a simpatia de grande parte da imprensa e da Igreja Católica à época; 2. A propaganda oficial emergiu como instrumento do poder mascarada de “política trabalhista”, sendo controlada por leis rígidas e um tribunal de exceção; 3. As ideias nazistas principiaram a aportar no Brasil a partir de 1929, quando  imigrantes fundaram os primeiros núcleos, vários deles sendo criados em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Curitiba; 4. As escolas alemãs utilizavam hinos e poemas nazistas para ensinar a língua e propagar a ideologia do Reich; 5. O Banco Alemão Transatlântico tornou-se local de encontro de adeptos do ideário nazista; 5. Existiu até um teórico e formador de uma “escola de antissemitas” chamado Gustavo Barroso, autor de vários livros e tradutor para a língua portuguesa do apócrifo Protocolos dos Sábios de Sião, em 1936.
 
No acocoramento de alguns travestidos de “arianos puros”, um homem se destacou: chanceler Oswaldo Aranha, que se agigantou na resistências às investidas nazistas no cenário brasileiro.
 
(Publicada em 17.10.2015, no Jornal do Commercio, Recife, Pernambuco
Fernando Antônio Gonçalves
 

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