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SUPLICY E A CUECA
 Depois da irrestrita irreversibilidade, ultra-rapidamente revertida no dia seguinte, do senador Mercadante, desdizendo-se integralmente de rabichola entre as pernas, depois de ouvir a voz do seu dono, imaginava eu que nada mais vindo dos politicos brasileiros me impressionaria, hoje uma categoria que causa desprezo, quando não uma vontade imensa de neles aplicar uma baita bofetada nas urnas do próximo ano, da parte do eleitorado brasileiro consciente das suas funções cidadanizadoras.
 Enganei-me redondamente, ao contemplar a fotografia do senador Eduardo Suplicy, aquele do cartão vermelho, de cueca também vermelha em pleno Congresso Nacional. Mais apatetado do que de costume, imaginando-se “super-homem”, demonstrando à mídia nacional uma acentuada senilidade, dessas encontradas nos asilos de idosos desassistidos, estes sem as remunerações taludas recebidas às custas de milhões de brasileiros.
 A minha impressão, lendo depois as declarações “vitoriosas” da Sabrina Sato, aquela apresentadora metida a tampa-de-foguete que ofereceu a cueca porque desejava ver bem de perto a tão apregoada “bolsa” do Suplicy, um milhão e trocentas mil vezes anunciada por ele como “programa de renda mínima”.
 O argumento utilizado pela “coxuda” Sato para o senador usar o artefato por cima das calças e em dependência do Congresso Nacional foi de uma precariedade mental acima de qualquer suspeita: “Trouxe uma coisa aqui que é só para você, que nenhum outro senador vai poder usar: a sunga do Super-Homem”. E disse mais: “Ele colocou e saiu voando comigo”. Sem perceber que a cueca não faria mesmo efeito algum, posto que ele já está “voando” há muito tempo, imaginando-se personalidade mais “ibopeada” que Tom Cavalcanti e Chico Anísio, dois talentos do humor nacional. Não percebendo, porque já situado fora dos limites mínimos da compostura, que o Congresso Nacional não é local apropriado para manifestações circenses, muito embora às vezes explicite uma imagem exatamente oposta, a de um grande picadeiro, onde pululam fatos e falas incompatíveis com o decoro parlamentar. Como ficar de cueca vermelha por cima das calças pelos corredores, tal qual o Pateta.    
 Para quem fica perplexo em ver um senador portando externamente uma sunga vermelha, deve ficar sabendo que o Congresso Nacional se localiza em Brasília, vulgo BSB. Capital apelidada pelos mais ácidos de Disney Brasileira. Muitos, contemplando o exibicionismo do senador em pleno Senado Federal, andam definindo aquela Casa como o maior presídio de segurança mínima do país. Verdadeira "Ilha da Fantasia", entrecortada pelo mais utilizado meio de transporte local, o Trem-da-Alegria.
Quando o senador Suplicy perceber o ridículo do seu comportamento, poderá ler reflexão de Bertrand Russel, um dos que honraram a condição de ser humano, inteligência privilegiada do século passado: “Existe um certo ascetismo do intelecto que é  saudável  como  parte da  vida,  mas  não poderá  predominar enquanto continuarmos a ser animais empenhados na  luta pela existência.  O ascetismo do intelecto exige que, enquanto engajados na busca do conhecimento,  saibamos conter todos os demais  'desejos' em benefício do desejo  de conhecer. Creio podermos afirmar com certeza que 'todo' conhecimento é edificante, desde que  tenhamos  uma  concepção  'correta'  da edificação. Se este não for o caso, é porque temos padrões morais baseados na 'ignorância'. Dar-se-á, por feliz acaso, que um padrão moral baseado na 'ignorância'  é correto, mas, em sendo assim, o conhecimento não o destruirá; se o conhecimento vier  a destruí-lo,  é que ele  está  errado.  Por conseguinte,  o  propósito mais  consciente deve ser unicamente o de compreender o mundo o  mais possível, não para estabelecer  esta ou  aquela  proposição 'julgada' moralmente adequada. Nisto, se o mundo é bom,  que  nos permitam  então sabê-lo por todos os meios; se não é bom,  deixem-nos saber  também."
Encareceria apenas ao senador Suplicy a concretização de um gesto simples: a devolução da cueca vermelha para a apresentadora de televisão que o fez postar-se como manequim de lupanar. Para que os maldosos de plantão não fiquem imaginando que ele continua com a sunga se requebrando diante dos espelhos do banheiro do Congresso Nacional, imaginando-se pronto para mais uma decolagem para os interiores das urnas no próximo ano.
 

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