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SUPER BONDER
 Estou convencido que o Homem de Nazaré, mesmo sendo Filho de Deus, não tinha intenção de fundar uma religião, apenas revigorar o Judaísmo, onde tenho irmãos de mesmo tronco, dentre os quais destaco Arão Parnes, amigão em todas as marés.
E não tenho nenhum motivo para pensar diferente. Os documentos mais consistentes mostram que os primeiros seguidores de Jesus viviam da mesma maneira que os judeus, partilhando a prece no Templo, as proibições alimentares, a Torá e a prática da circuncisão. Tem-se como certo que foi o apóstolo Paulo quem aprofundou as razões da separação, aqui não sendo necessário qualquer esmiuçamento.
Quem desejar saber mais sobre as diferenças, favor consultar Judaísmo e Cristianismo: as Diferenças, vinte reimpressões desde 1943, de Trude Weiss-Rosmarin (1908-1989), fundadora e editora da consagrada revista Jewis Spectator, cuja intenção sempre foi, ressaltando as diferenças, promover o aprofundamento da fraternidade entre as duas crenças, a partir da compreensão básica de cada uma. 
 A minha amizade com o povo judeu fincou raízes em 1963, quando conheci Sérgio Wolkoff, um brlhante aluno de Matemática da Universidade Católica de Pernambuco, de quem fui companheiro de viagem aos EEUU. De  inteligência radiante, ele é, hoje, um renomado executivo de área financeira, no Rio de Janeiro. A ele devo esclarecimentos em inúmeros pontos aparentemente divergentes, motivando-me para leituras posteriores mais consistentes.
 Em outra ocasião, 1994, recebi de Felipe Carlos Albuquerque, advogado gota serena de arretado, o livro Quando Tudo Não é o Bastante, do rabino Harold Kushner, prefaciado, no Brasil, pelo padre Humberto Porto, da Comissão Nacional do Diálogo Católico-Judaico do Brasil. Um texto destinado aos que se encontram no meio do corre-corre dos tempos de agora, onde alguns, profissionais de muitos quilômetros rodados, ainda não se questionaram sobre os porquês de tamanha pressa. A leitura daquele livro me fez ainda mais próximo dos irmãos de fé em Yaveh, com todo respeito pelas demais religiões.
 Mas todo o acima escrito foi inspirado numa alegria recentemente auferida, a da leitura do livro Sobre Deus e o Sempre, de Nilton Bonder, rabino de liderança aplaudida internacionalmente, cujo último livro publicado nos EEUU – Our Immoral Soul: A Manifesto of Spiritual Disobedience, Shambhala, 2001 – encontra-se na lista dos 20 melhores livros na área da sabedoria judaica. Sobre Deus e o Sempre é um ensaio cativante, para se ler e reler, novamente lendo para anotações. Um livro onde o autor, de modo didaticamente ímpar, identifica um outro tempo, além dos clássicos presente, passado e futuro. O sempre, o quarto tempo, um tempo despido de conteúdo lógico, uma classificação advinda da mística judaica, que divide a realidade em quatro mundos. Segundo Bonder, o sempre seria mais bem representado, em nossa limitação conceitual, como um ambiente do que como um tempo. ... Enquanto nossa única residência é o agora, Deus reside no sempre, daí não poder Ele existir da maneira como nós existimos.
 Numa época de múltiplas chulices, o livro do Nilton Bonder é uma profunda reflexão humanista. Uma leitura propícia para um início de ano que deveria ser mais meditativo que simplesmente “descansativo”, o fingimento atrofiando a sinceridade da Mensagem dezembrina que apenas encarece Paz na Terra entre os homens de boa vontade, embora se creia que de boa vontade apenas esteja o Inóspito repleto.
 Lição inesquecível o livro do Bonder proporciona: o humanismo real não é produto da retórica de intelectuais iluminados, mas tem como base a capacidade  de estender o sentimento de solidariedade que temos para nosso grupo mais imediato a toda humanidade.
 

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