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SUAPE 2030 E OUTROS DESAFIOS
Em dias passados, um oportuno evento foi realizado no auditório do SENAI, em Santo Amaro, presidido pelo Secretário Fernando Bezerra Coelho, de Desenvolvimento Econômico e presidente de SUAPE. O Workshop Estratégico Suape – 2030 e seus impactos em Pernambuco contou com palestras de nove profissionais de qualificação notória, numa manhã-tarde assistida inclusive por empresários nacionais e estrangeiros, a programação sendo interrompida por um almoço de trabalho de qualidade ímpar.

Considerado, hoje, o melhor porto do Brasil, SUAPE se prepara para apresentar, até o final do ano presente, seu novo Plano Diretor, SUAPE-2030, visando implementar o conceito de integração porto-indústria, consolidando Pernambuco como um polo provedor de múltiplos bens e serviços, à semelhança do porto de Marseille, na França, e de Kashima, no Japão.

Das palestras, enfocando cada uma delas um setor específico, duas delas me sensibilizaram bastante: a do diretor da TGI Francisco Cunha e a da economista consultora da CEPLAN Tânia Bacelar, admiração de décadas. Duas exposições intercomplementares por excelência, enfatizando o binômio Desenvolvimento Industrial x Desenvolvimento de Recursos Humanos e Social.      

Na sua muito didática exposição, o Francisco Cunha mostrou porque Pernambuco está vivenciando a melhor oportunidade de desenvolvimento dos últimos 50 anos, “apesar da crise que acometeu a economia mundial depois que o mercado financeiro norte-americano quase foi a nocaute”. E afirmou que “pelas projeções que podem ser feitas, a economia pernambucana triplicará até 2030 em consequência dos investimentos estruturadores que estão sendo realizados na economia e que devem montar a mais de R$ 40 bilhões no período 2007/2013”. O resultado se encontra respaldado nos indicadores: Pernambuco cresce mais que o Nordeste e o Brasil.   

Complementando sua fala, o Francisco Cunha advertiu com muita propriedade: “Vemos excelentes possibilidades, mas não podemos fechar os olhos às dificuldades potenciais para que não venhamos a ser surpreendido por elas”. E enumerou os cinco maiores desafios a serem enfrentados nas próximas duas décadas: 1. escassez de mão-de-obra qualificada; 2. concentração espacial da economia (2/3 na Zona da Mata); 3. dependência da economia do petróleo (que deverá ser impactada pelo desastre ambiental ocorrido no Golfo do México); 4. o aquecimento global (quase 90% do território pernambucano se encontra na região semi-árida); 5. a sobrecarga estrutural (investimentos infraestruturais menores que os dos projetos estruturadores).

Saí do evento mais pernambucanizado que nunca. Reconhecendo os extraordinários feitos da atual gestão estadual, graças também à pernambucanidade nunca oculta do presidente Lula, seguramente um dos maiores presidentes da nossa era republicana. Na opinião de um motorista de táxi de um centro de compras recifense, “o mais arretado dos ótimos pernambucanos que fazem ou fizeram a nossa história”.

Fiquei a imaginar com os meus dois neurônios: como seria saudável que os empreendedores de SUAPE pudessem refletir seus projetos estruturadores depois de uma atenta leitura do último livro da Rose Marie Muraro. Intitulado Os Avanços Tecnológicos e o Futuro da Humanidade, Editora Vozes, 2009, conta a história da tecnologia, indo da pré-história até o século XXI, onde se prevê uma crescente luta gigantesca entre os Senhores do Dinheiro e a Mãe Terra, onde já estamos demandando dela mais que 30% a mais da sua capacidade de dar.

Ampliar o domínio ético é dever de pensadores, educadores, políticos, religiosos e comunicadores de todos os matizes. Com ética, poderemos melhor delinear o futuro de todos nós, onde mundialmente, entre 2007 e 2008, mais de cem milhões de pessoas se juntaram aos 284 milhões que já se encontravam passando fome.

Saibamos entender bem a expressão tempo axial de Karl Jaspers, que reflete uma era onde as ideias se alteraram, qualitativa e quantitativamente, em todos os campos, no educacional inclusive.

Para todos, um recado a la Jessier Quirino: “Nunca se apaixone pela sua própria história e fique sempre atento diante dos simbolismos dos gestos, procedimentos e fatos. Não se esqueça jamais: as escolhas que fazemos ditam a vida que levamos.Não perca a oportunidade de aprimorar seus talentos: abra o curral da verdade, pois cerca ruim é que ensina o boi ser ladrão.Todo cuidado é pouco com os de converseiro comprido, desses que pedem para você latir pra poupar cachorro, pra ficar desbrasileiro.Não se esqueça jamais: as escolhas que fazemos ditam a vida que levamos.Que um Jesus bem cristoso e chei de glória lhes proteja sempre”.

Rubem Alves sempre explicita: “Em terra de urubus diplomados não se ouve canto de sabiá”. Sabedoria da gota serena de ótima, que politicamente nos ensina que “um jardim não começa com dez mil atos. Começa com um único sonho. Começa com o pensamento. Se o povo não sonhar com jardins, os jardins não serão criados. E os que porventura existem logo se transformarão em lixo”.

(Portal da Revista ALGOMAIS, 20/09/2010, Recife – PE)
Fernando Antônio Gonçalves

 

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