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STALINGRADO
 Sempre tive muita curiosidade de ler uma interpretação serena sobre a mais sagrenta de todas as batalhas da História, a de Stalingrado, onde a Segunda Guerra Mundial foi decidida. Até que me deparei com um lançamento da Record, reeditando pela 13ª. vez o trabalho notável de Antony Beevor, Stalingrado, merecedor dos prêmios Samuel Johnson, Hawthornden e Wolfson de História. Uma batalha que, segundo o autor do livro “continua sendo um tema  ideologicamente carregado e simbolicamente importante, cuja última palavra não será ouvida por muitos anos”.  

E tudo aconteceu mais ou menos assim, segundo fontes históricas responsáveis: em 1939, Hitler e Stalin assinam um pacto de não-agressão, e o líder soviético sente-se protegido do ataque germânico. Mas, Hitler quer tinha a ambição de conquistar toda a Europa e comete o erro estratégico de invadir a União Soviética, em 1941, ampliando sua fobia quando, a princípio, os seus exércitos ganharam as primeiras batalhas. A partir de um determinado instante, o exército alemão enfrenta a incansável resistência dos soviéticos. E o exército soviético emprega a tática de "terra arrasada", tudo sendo retirado por trem e levado para as regiões orientais do país: fábricas, máquinas agrícolas, gado e também a população. O que não pode ser levado é destruído. Uma tática que dificultará o avanço das tropas alemãs, que tinham recebido uma ordem suicida de Hitler, a de continuar o avanço até o último homem. O objetivo hitlerista era de conquistar os campos petrolíferos do Cáucaso e as indústrias bélicas de Stanlingrado. Em 3 de setembro de 1942, o general Von Paulus rompe as defesas soviéticas em torno de Stalingrado e entra na cidade. Mas, o povo russo e o Exército Vermelho resistem bravamente aos invasores. Três meses depois, trezentos mil soldados alemães são forçados a render-se, ficando presos durante oito semanas de inverno numa cidade em ruínas.

Quando Von Paulus reconhece que a batalha está perdida, desobedece as ordens do Führer - de lutar até o último homem - e acaba se rendendo, não se tornando o único oficial alemão de alta patente a rebelar-se contra o fanatismo de Hitler. Famintos e castigados pelo frio, os sobreviventes do quarto exército alemão de Von Paulus capitulam em 31 de janeiro de 1943. Uma capitulação que altera o curso da história, pois quando acontece o desembarque na Normandia, junho de 1944, o Exército Vermelho já expulsara os alemães das suas fonteiras. 

A batalha de Stalingrado dura cinco meses. Dos trezentos mil soldados alemães, noventa mil morrem de frio e fome e mais de cem mil são mortos nas três semanas anteriores à rendição. O povo soviético também paga caro por seu triunfo contra a barbárie de Hitler. Vinte milhões de vidas são perdidas, quase metade do número global de mortes de toda a guerra. Mas Stalin alcançou inesperadas conquistas: todos os países libertados pelo Exército Vermelho são englobados na zona de influência soviética, favorecendo a chegada de uma nova ordem mundial.

O excelente livro de Antony Beevor, uma soberba leitura, mostra o que aconteceu naquele front e que teve impacto decisivo no mundo pós-guerra. E o texto de Beevor “combina a visão de um soldado sobre a realidade da guerra com a técnica de um romancista”.   

(Publicado no Jornal do Commercio, Recife, Pernambuco, 03.05.2013)  
Fernando Antônio Gonçalves
 
 

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