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SOLUÇÃO FINAL
Em 1942, janeiro 20, dirigentes da Administração Alemã e a SS se reuniram em Wannsee, próximo a Berlim, para organizar a famigerada Solução Final do problema judeu. Na reunião, sob o comando de Reinhard Heydrich, da Central de Segurança do Reich e secretariada por Adolf Eichmann, decidiu-se pela eliminação física de 11 milhões de judeus. Conhecida como conferência de Staatssekretäire (subsecretários do governo), decidiu-se ainda acelerar a construção de novos campos de extermínio, cujo primeiro deles, o de Dachau, foi inaugurado em 1933, semanas após Adolf Hitler ao poder, vitimando judeus, presos políticos, prostitutas, homossexuais, testemunhas de Jeová, alcoólatras, ciganos e psicopatas.

Naquele ano, o criminoso regime nazista já contava com uma extensa rede de campos de concentração, comandada por Heinrich Himmler, contando com milhares de encarcerados, muitos dos quais teriam a liberdade após a doação voluntária ao Reich de seus pertences. Na Conferência de Wannsee, o método utilizado para o assasinato em massa seria o do envenenamento por gás. Segundo Rudolf Höss (não confundir com Rudolf Hess, o suplente de Hitler) ressaltou no processo de Nuremberg: “Em busca da eficiência, decidiu-se pela aplicação do Zyklon B, ácido prússico cristalizado ou cianídrico, que deixávamos cair na câmara mortuária através de uma pequena abertura. A depender das condições atmosféricas, bastavam entre seis e quinze minutos para que o gás fizesse efeito. Sabíamos que estavam mortos quando paravam de gritar. Esperávamos uma meia hora antes de abrir as portas para retirar os corpos. Depois disso, nossos comandos especiais lhes tiravam os anéis e as alianças, bem como os dentes de ouro”.

Além das joias e dinheiro confiscados, o tratamento industrial dos cadáveres consistia na venda como fertilizante dos ossos e cinzas triturados, os cabelos sendo utilizados como isolante nos submarinos. Quando o Exército Vermelho, a 27 de janeiro de 1945, liberou Auschwitz, ainda foram encontrados 7 mil quilos de cabelo humano, que seriam adquiridos por uma fábrica de feltro, a 500 marcos a tonelada.

As estatísticas são terrificantes: levando-se em conta que o processo podia ser repetido de dez a doze vezes por dia, o total de executados ascendia a 22 mil por dia. Embora o planejamento em Wannsee estabelecesse o extermínio de 11 milhões de judeus, os número dos exterminados oscila entre 5 e 6 milhões de pessoas: Auschwitz-Birkenau, dois milhões; Treblinka, setecentos mil; Belzec, seiscentos mil; Majdanek, quatrocentos mil; Chelmo, trezentos e cinquenta mil; e Sodibor, duzentos e cinquente mil, todos na Polônia. Os demais assassinatos aconteceram em campos alemães ou austríacos, também como consequência do trabalho extenuante, da fadiga, do frio, das torturas, dos experimentos médicos e das doenças.

Há 70 anos, a Solução Final foi decidida por alguns carrascos nazistas. Que se imaginavam donos do mundo, fomentadores de uma nova raça, a ariana. Que gerou os inúmeros desafios pacifistas dos tempos de agora. Vez por outra ameaçados pelos que não entendem o que seja plenitude democrática. Nem Comissão da Verdade.

(Publicado no Jornal do Commercio, Recife, Pernambuco, 30.05.2012 
Fernando Antônio Gonçalves
 

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