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SINAIS NADA VERDEJANTES
Depois de assistir pela TV sensaborões debates na Câmara Federal, quando da votação do Código Florestal, apreendi na RCA – Reunião dos Coroíssimos Antenados -, um papo grupal sem qualquer periodicidade estabelecida e que se aboleta vez em quando num barzinho pertinho da residência do pe. Edwaldo Gomes, Casa Forte, alguns sinais que podem obstaculizar o futuro convivencial da nação brasileira no seu caminhar por amanhãs mais justos e solidários. Eis uma síntese do último encontro, presentes 14, entre homens, mulheres e coisas que tais das mais variadas frentes e versos.

1. Às vésperas dos 90 anos, que se efetivarão no próximo dia 8 de julho, no Brasil, o pensador Edgar Morin participou, em março passado, do Encontro Internacional para um Pensamento do Sul, efetivado no Departamento Nacional do Sesc, Rio de Janeiro. E lá ressaltou a necessidade da esquerda brasileira “regenerar seu pensamento”, sem messianismos ultrapassados, num país que tem amplas potencialidades soberanas, apesar da cara feia do presidente Obama diante de países emergentes. Países que buscam diminuir suas desigualdades sociais, combatendo sem esmorecimentos a corrupção que acasala despudoradamente áreas públicas e setores empresariais, buscando preservar seus patrimônios artísticos e culturais. No caso brasileiro, concebendo a Amazônia como área de preservação , punindo exemplarmente os piratas da selva, predadores das nossas reservas ambientais, que se imaginam sempre impunes.

2. O Congresso Nacional, através das suas mesas diretoras, deveria proporcionar aos  parlamentares eventos continuados de capacitação com profissionais dos mais diferenciados saberes, para ampliar os níveis intelectivos e culturais das suas diversas bancadas. O erro letal do político brasileiro é o daquele que busca subestimar os seus erros através de comportamentos idiotizantes, a imaginar que a capaciade da sociedade de armazenar dados e fatos estivesse estagnada nas primeiras décadas do século passado. Lições que deveriam ser repassadas: meliante não se blinda, incompetente não se tolera, oportunista não se adula, carreirista não deve ser levado na devida conta, cadeia foi feita para todos.

3. O “bolsonarismo” está grassando nos interiores de uma classe média brasileira que ainda não apreendeu a ciclicidade de determinadas situações. E que ainda pensa que a Marcha da Família com Deus pela Liberdade pode ser reproduzida, em pleno século XXI, sob a forma de caminhadas fundamentalistas carismáticas tipo “só Jesus salva”, “propriedade exclusiva de Jesus”, “Deus é fiel”, entre mil e outras patetadas ingênuas, destituídas de criticidade libertadora. Se a classe média brasileira, hoje assustadoramente mé(r)dia, deseja ampliar sua enxergância política, recomendaria a leitura do livro Os Batalhadores Brasileiros – Nova Classe Média ou Nova Classe Trabalhadora, do pesquisador Jessé Souza, da Universidade Federal de Juiz de Fora, PhD em Sociologia pela Universidade de Heidelberg, Alemanha.  Onde “o novo regime de trabalho do capitalismo financeiro em nível mundial encontrou nos batalhadores sua classe suporte”.

4. O ensaísta John Gray, professor da London School of Economics, é categórico: “A tentativa de erradicar a religião somente leva à sua reaparição sob formas grotescas e degradadas. A crença crédula na revolução mundial, na democracia universal e nos ocultos poderes dos celulares é mais ofensiva à razão do que os mistérios da religião, e tem menos probabilidades de sobreviver nos anos que virão” ... “A ciência é a melhor ferramenta para formar crenças confiáveis sobre o mundo, mas não difere da religião ao revelar uma verdade crua que a religião vela em sonhos. Tanto a ciência como a religião são sistemas de símbolos que servem a necessidades humanas – no caso da ciência, à predição e ao controle”.

5. Quando o filósofo André Comte-Sponville faz sua análise do “revivescimento da espiritualidade”, ele lembra o monsenhor Ivan Illich, eternizado em 2002, autor do discutido livro Sociedade sem Escola (Vozes), que sempre proclamava que não se deve nunca confundir salvação com igreja. A máxima de Santo Inácio de Loyola – “Mais conhecer, para mais amar e servir” – deveria ser o passo primeiro para uma caminhada espiritualista sem salamaleques e coquetismos descabidos dos que apenas desejam manter uma visão de catarata, nunca ansiando por um viver melhor, mais leve, mais aberto e mais livre, mais próximos da Criação. 

No final da RCA, a Trude, arquiteta boa toda e toda boa, apresentou os Balizamentos da Pernambucanidade Sadia. Ei-los: a. Nem sempre uma pessoa elegante tem classe. Uma pessoa de classe é aquela que sabe se portar, sejam quais forem os seus trajes; b. Gostar do que faz, melhorando o desempenho a cada novo dia, o mais-ou-menos devendo ser considerado veneno; c. Evitar bajulações que é coisa de quem nem tem segurança nem competência; d. Ter cuidado ao telefone, inclusive celular, que pode favorecer baitas cafonices; e. Falar de intimidade junto a pessoas com quem você trabalha é muito prejudicial na grande maioria das vezes; f. Nunca ter receio de fazer e errar, posto que só se cresce através de erros e acertos; g. Estar, sem medo, preparado para as mudanças, com a certeza de serem ridículos todos os ontens que retornam tal e qual; h. Saber diferenciar o que é importante do que é urgente; i. Demonstrar sempre simpatia autêntica, sem afetações; j. Ser pontual, a marca do profissional respeitador dos compromissos dos outros; k. Transmitir alegria sem afetações; l. Estar sempre preparado para o inesperado; m. Perceber-se sobrepairando acima das mediocridades do cotidiano, lembrando-se que nunca se deve atirar pérolas aos porcos; n. Amanhecer diariamente filho amado da Criação.

A conta foi rachada somente entre os homens. Num machismo muito descabido, segundo os menos pães-duros da mesa.

PS. Perguntar sempre conscientiza mais: O que mais agride a dignidade da Nação Brasileira: o óxi, pior que o crack, ou o pallóxi, que desnuda, com a mais cínica impunidade, as relações prostitutas entre setor público e o particular?

 (Publicada em 30/05/2011, no Portal da Revista ALGOMAIS, Recife – PE)
Fernando Antônio Gonçalves

 

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