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RENASCIMENTO DA FILOSOFIA
 Sendo assinante da revista Ultimato, li em seu último número, o 318, maio/junho, algumas declarações sobre a fragilidade da Ciência, refreando a ânsia dos que imaginam a Ciência como a “solucionadora” de todos os problemas planetários. A afirmação de Eliana Cardoso, economista de renome internacional e professora da Fundação Getúlio Vargas, é sinal de oportuno alerta para todos os seus colegas: “nós não temos mais aquela receita grandiosa que resolve todos os problemas em qualquer circunstâncias ... Os economistas têm de ser mais humildes e reconhecer que não têm muitos instrumentos”.
 O mundo principia a querer refletir mais sobre algumas questões universais: quem somos e o que estamos fazendo por estas bandas?; a existência de um Ser Supremo, que não possua feições humanas; o ser humano como animal racional inacabado, em contínua evolução; o valor do amor, da ética, da solidariedade e da liberdade do pensar; o meio ambiente e a preservação da vida humana; os amanhãs planetários e o sentido da existência terrestre diante das maravilhas galácticas. Reflexões que poderiam ser classificadas como “Questões Universais da Humanidade”, de interesse vital para as gerações que foram afetadas pelos autoritarismos em diversos países, inclusive o Brasil, também afetadas por um cientificismo absolutista, que se imaginava possuidor de uma superioridade imbatível  sobre as ciências humanas, inclusive religião e filosofia.
 A atual crise financeira mundial, classificada de “marolinha” por políticos ilusionistas dezoito quilates, especializados em “embromações de massa”, também conhecidas por “esganações mentais”, posto que carregadas de múltiplas manobras alienatórias, seguramente está muito contribuindo para o ressurgimento de dois grandes “influenciadores” planetários: as manifestações de uma espiritualidade a-denominacional e os ensinamentos e as reflexões filosóficas, sem mais aquelas pedanterias dos que se imaginavam entendedores únicos do pedaço.
 Recentemente, fui surpreendido com um texto chamado Iniciação à Investigação Filosófica – Um convite ao filosofar. Editado pela Alínea Editora, Campinas, SP, portando um oferecimento eivado de uma sensibilidade poética pra lá de gigantesca: “À dona Rita Mimosa Mãe, ontem canto dos sonhos da terra, hoje encanto na terra dos sonhos”.
 Ao identificar o autor do livro, minha nordestinidade agigantou-se. O autor do excelentemente didático Iniciação à Investigação Filosófica – Um convite ao filosofar é um cearense, nascido no município de Massapê, município de menos de quarenta mil habitantes, cujo nome, massapê, significa terra fértil argilosa, o município tendo sido desmembrado de Sobral, de padroeira Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.
 Esse cearense, José Auri Cunha, de inteligência destacada, frequentou a Escola Técnica Federal do Ceará, posteriormente ampliando seus estudos no Instituto Tecnológico da Aeronáutica, mais tarde graduando-se em Matemática e também em Ciências Sociais pela Universidade de Campinas. E nesta mesma universidade, concluiu seu Mestrado e Doutorado em Lógica e Filosofia da Ciência, também frequentando o doutorado em Filosofia da Educação na Universidade de São Paulo.
 Creio que o embasamento em Matemática favoreça o desenvolvimento de uma transmissão menos “enrolática” da Filosofia. Quem possui um bom raciocínio matemático desenvolve mais didaticamente os filosofais, principalmente se a intenção for transmitir o conteúdo a uma juventude que precisa pensar mais.
 O livro do “cabeça-chata” José Auri Cunha é leitura danada de boa. Principalmente para os docentes de boa têmpera que desejam utilizá-lo para uma geração que “está mudando o valor próprio e a importância cultural da ciência, da arte, da ideologia e da religião”. 
 

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