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RELEITURAS PRECIOSAS
Pergunta-me o Arãozinho Parnes, irmão hebreu que fraternalmente amo, posto que somos de ancestrais idênticos, sobre o que tenho lido recentemente. Aproveito sua indagação para explicitar releituras últimas que proporcionaram mais esperanças sobre os meus amanhãs afetivos. Páginas que abasteceram  meus tanques existenciais, fundamentando veracidades e compromissos para com os derredores comunitários. 
  
O primeiro texto, de 1969, editado pela Herder, trata-se de reflexões do teólogo católico Hans Küng intitulado Veracidade, o futuro da igreja. Nele, Küng faz afirmações necessárias, atrevidas mesmo, para afugentar indiferenças, “assustando” os infantilizados, os que colocam nos vidros dos seus carros “propriedade exclusiva de Jesus”, entre outras bobageiras. Alfinetadas do Küng: “Uma Igreja barata não fornece ao homem receitas para sua vida particular e, muito menos, para a política mundial em suas diversas modalidades”; “Na Igreja existem vovozinhas que compreenderam a reforma litúrgica melhor que muito acadêmico cheio de si”; “Muitos membros da vanguarda teológica, terrivelmente progressista na aparência, não percebem como estão conduzindo a Igreja a novo cativeiro”; “Após o Vaticano II exige-se uma nova orientação positiva frente às demais confissões cristãs, frente aos judeus e às grandes religiões do mundo, bem como uma orientação nova da Igreja frente à sua própria estrutura atual e tradicional”. A releitura de Küng me deu a certeza das atuais orientações do papa Francisco, após as tridentizações praticadas pelos seus dois últimos antecessores.
 
A segunda leitura me trouxe alentos múltiplos. Trata-se do livro Sobre Deus e o Sempre, do rabino Nilton Bonder, liderança reconhecida e aplaudida. Editado pela Campus em 2003. Segundo Bonder, “Deus habitaria num outro tempo: em nenhum dos três tempos que conhecemos, mas em um quarto tempo que é o sempre. Esse tempo no qual também estaríamos imersos é um parâmetro intuitivo presente em nossa consciência”. E uma reflexão dele tornou-se um balizamento essencial: “Precisamos de afeto para estarmos despertos. Quanto mais afeto, mais real é o mundo”.
 
Uma terceira releitura, eu a recomendaria para gente de todas as idades da fase adulta: Pequeno tratado de vida interior, Frédéric Lenoir, Objetiva, 2012. O autor, diretor do Monde des Religions, tem seus livros traduzidos em mais de duas dezenas de idiomas. Somente o acima citado vendeu mais de duzentos mil exemplares na Franças. Seu tratado, segundo ele próprio confessa, “é fruto de uma reflexão pessoal elaborada a partir das correntes de sabedoria filosófica do Oriente e do Ocidente, da espiritualidade cristã liberada de sua ganga normativa e da psicologia abissal. Meu único objetivo é oferecer o que me ajudou a viver e a me construir”. E esclarece para todos: “Quanto mais percebemos o lado positivo da existência, mais a vida nos parece bela e luminosa”.
 
Por onde começar? Sugiro o último livro, para ampliar conhecimento e discernimento nos outros dois, leituras que requerem dupla “enxergância”: histórica e vivencial.      
 
(Publicado em 12.06.2015, no Jornal do Commercio, Recife, Pernambuco)
Fernando Antônio Gonçalves
 

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