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REFLEXÕES PÓS GALO
 Para quem se esbaldou no Galo da Madrugada, o maior bloco de carnaval do planeta, envio algumas reflexões, encarecendo, pós-Momo, a ampliação da Cidadania Individual, diante de um Congresso Nacional que se mostra cada vez mais acanalhado, sem talento e com quase nula dignidade comportamental. Enxovalhando a Democracia Brasileira. Ei-las:  
1. Um novo mundo já surgiu sob o signo da dromologia (ciência da velocidade). E o tempo é único, numa mundialização cada vez mais abrangente. Quem é que imaginava, há algumas décadas, ler a seguinte notícia, num jornal recifense, o JC de 06 de setembro de 2012?: “Faz 35 anos que a Voyager 1 deixou a Terra, lançada a 5 de setembro de 1977, estando a mais de 18 bilhões de quilômetros do nosso ambiente, na direção dos limites de compreensão sobre o Sistema Solar. E continua enviando informações preciosas para o Cabo Canaveral”. Notícia que consagra a poesia do poeta padre Daniel Lima: “A esperança é o horizonte./ O desespero é o muro./ E a vida é o horizonte além do muro. / Eu vivo de horizontes./ Não chego, mas caminho./ Não encontro, mas busco. / Ainda não sou, vou sendo”. (POEMAS, editora Cepe, 2010). Um poeta desassombrado, que sabia, através dos seus versos, denunciar a hipocrisia nacional: “Para amar o Brasil / é preciso paciência, / aquela doce e amável / aquela burra paciência / que nos faz suportar o patriotismo idiota / dos que amam a bandeira e o hino / mais que o povo, / dos que adoram os símbolos e traem a realidade”.
2. Na realidade do cotidiano, muito estimo os conscientes, os que procuram perceber-se como Raul Seixas (eu sou uma metamorfose ambulante), como o cantor Lulu Santos (nada do que foi será, de novo do jeito que já foi um dia...) e como Fernando Pessoa (tudo vale a pena, quando a alma não é pequena), sabendo que sempre existirá causalidades para os fatos, inclusive o da tragédia de Santa Maria, RS.
3. Quem bem vive, sabe viver com penso, nunca sendo disleriado, expressão usada pelo arretadíssimo poeta Jessier Quirino. E deve ser possuidor de uma visão de bailarino (saber dançar, conhecer os movimentos dos que estão ao seu derredor e ficar sempre atento aos sons históricos da conjuntura). E nunca desatentar-se dos indicadores IMI (Índice de Mutabilidade Interno) e IME (Índice de Mutabilidade Externo), que compõem o IEE (Índice de Equilíbrio Existencial) de cada um.
4. Todo cidadão que se preze, independentemente de escolaridade, deve combater sempre os complicadores profissionais que teimam em botar areia no cuscuz de cada um. São eles: ausência de uma fascinação pelo futuro; arrogância e autoritarismo; cultura de fingimento; imbecilização midiática; acomodação cognitiva; azedume e alienação religiosa. Para travar o bom combate contra os complicadores, caberá a cada um: destruir as bareiras da mediocridade; libertar a inteligência (Intuição / Heurística); identificar bem e bem diferenciar, sem rejeição alguma, convivialidade e conflitividade; ter princípios, jamais medos, receios, imitações acríticas; e saber ser ávido consumidor de duas vitaminas: A (Amor) e H (Humor). E compreender bem o pensar do poeta e padre Daniel Lima, acima já citado, eternizado em 15 de abril de 2012: “Antes, vivia na certeza, / como uma águia aprisionada na gaiola. / A dúvida me libertou / deixando-me voar no espaço livre, / não mais certo de nada / senão da importância do voo.”
5. Nunca ponha de lado os seguintes balizamentos, que serão necessários até a sua eternização: Nenhuma instituição ensina sucesso, posto que a chave para o sucesso está na sua maneira particular de pensar. Galileu Galilei: “Não se pode ensinar nada a um homem; só é possível ajudá-lo a encontrar a coisa dentro de si”; As oportunidades se encontram, no mais das vezes, no meio das dificuldades; Sozinho, não se chega a lugar algum; Razão plena tinha Esopo: “Quem se acha o tal termina valendo menos que o esperado”; Jamais alimente porcos com pérolas; O que se tira da Vida é o que se coloca na Vida; Saber sempre que o sucesso é maior quanto se sabe enxergar.
6. Recebo de amigo o livro Marx estava certo, de Terry Eagleton, professor da Universidade de Oxford. Do prefácio do Luiz Felipe Pondé, um não-marxista: “Karl Marx é indispensável para entendermos o mundo em que vivemos. Sem ele, somos, de certa forma, cegos. Nesse sentido, Terry Eagleton está coberto de razão ao escrever um livro que combate a caricatura do pensamento de Marx, nos oferecendo uma compreensão para além das simplificações a serviço do debate empobrecido. O ‘melhor’ Marx é aquele que nos ajuda a nomear nosso sofrimento no mundo contemporâneo, no qual tudo que é sólido se desmancha no ar. Não conheço outra maior verdade do que essa dissolução da vida diante da lógica absoluta do dinheiro. Nesse sentido, Marx é urgente. Se você quiser se aprofundar de modo atento e claro no pensamento do grande crítico do capitalismo, leia Eagleton”. 
7. Assino embaixo a reflexão da poeta Lya Luft: “Nada contra a alegria, mas (talvez bobagem minha) é meio indecente ver multidões saracoteando enquanto nem se enterraram todos os mortos da boate e sobreviventes sofrem nos hospitais”.
8. Para quem é folião, um final de carnaval da gota serena de bom! Se beber não dirija e use sempre camisinha, pois a sua gente necessita muito de você!! 
(Publicada em 11.02.2013, no Jornal da Besta Fubana, Recife, Pernambuco)
Fernando Antônio Gonçalves
 
 

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