facebook
Aumentar fonte  Diminuir fonte  Indicar esta página  Imprimir esta página
REENCONTRO COM DOM HÉLDER
Uma declaração do papa João Paulo II feita na Basílica de São Pedro, em novembro de 1983, e publicada na revista Veja Nº 1899, ano 38, nº 14, de 6 de abril de 2007, página 93, me deixou bastante mais consciente sobre inúmeras revelações bíblicas e contemporâneas: “O diálogo com os mortos não deve ser interrompido, pois, na realidade, a vida não está limitada pelos horizontes do mundo”. Uma declaração de um chefe de uma denominação religiosa portentosa que me fez atentar mais conscientemente para leituras específicas sobre espiritualidade e espiritismo. Leituras que fortaleceram, em meu interior de cristão transdenominacional, aquela assertiva de monsenhor Ivan Illich, de Cuernavaca, México: “Nunca confundir salvação com igreja”.
 
Hoje, confesso-me católico de batizado, anglicano de conversão e entusiasta da Doutrina Kardecista, principalmente após a leitura de O Livro dos Espíritos,  lido rapidamente há algumas décadas, recentemente novamente lido com bem mais atenção, anotações e racionalidade acentuada.
 
Como presente de aniversário, recebi um livro que muito me sensibilizou: Novas Utopias / Dom Hélder Câmara (Espírito), psicografado pelo médium Carlos Pereira, editado em Belo Horizonte pela Iluminus em 2007, 292 p. A trazer, logo após a folha de rosto, a seguinte mensagem do amado ex-arcebispo metropolitano de Olinda e Recife, desencarnado em 27 de agosto de 1999, aos 90 anos de idade: “Aos meus irmãos de todas as crenças e culturas, aos meus companheiros de lide da Igreja que abraçamos, aos meus amigos do coração, aos meus ouvintes que acompanharam os nossos relatos matinais, a todos que estiveram próximos de mim e de meus pensamentos e escritos, convido a todos para se juntarem à grande cruzada da esperança. A cruzada que é liderada pelo Cristo, mas que abraça, de igual para igual, a todos e a todas as fés. Abracem comigo esta nova causa que, a bem da verdade, não é tão nova assim, porque é aquela que foi levantada há mais de dois mil anos: a cruzada pelo amor”.
 
O prefácio do livro Novas Utopias é de autoria do filósofo e teólogo Inácio Strieder, companheiro da Universidade Federal de Pernambuco, recentemente eternizado. E a apresentação do livro é da lavra do monge beneditino Marcelos Barros, secretário do Dom para relações ecumênicas com todas as religiões, função exercida durante nove anos. O Strieder, em seu texto, dá um testemunho que sensibiliza: “Vejo este livro do médium Carlos Pereira, que nos comunica mensagens de Dom Hélder Câmara, que de seu plano espiritual vem ao nosso mundo terreno, como algo muito precioso, digno de ser lido por qualquer um que queira progredir em sua espiritualidade”.
 
Na apresentação, Marcelo Barros declara com toda sinceridade: “Para mim que quero consagrar-me e doar minha vida a esta causa do diálogo e da unidade entre os diferentes, este livro me apaixona porque lendo além das linhas e entrelinhas, sinto como a sabedoria aqui transcrita, não vem apenas de Dom Hélder e menos ainda do amigo Carlos Pereira. São inspirações do Espírito Divino, energia de paz, que ‘sopra onde quer , ouve-se sua voz, mas não para onde vai nem para onde vem’ (Jo 3,7ss).”
 
Num também quase outro prefácio, a historiadora Jordana Gonçalves Leão, estudiosa da vida e da obra do Dom desde 2001, quando foi convidada pelo Instituto Dom Hélder Câmara (IDeHC), Recife, a integrar o Projeto Obras Completas, sendo-lhe permitido manusear gigantesca documentação vinda do Rio de Janeiro, quando da transferência do Dom para a capital pernambucana, aqui chegando em 1964. E o seu testemunho dá relevância à leitura do livro do médium Carlos Pereira, que é Mestre em Gestão Pública e coordenador do Grupo Espírita Esperança, em Camaragibe, Pernambuco. Ela ressalta enfaticamente que “resultado de suas vigílias, os ensaios escritos por Dom Hélder Câmara para Novas Utopias encaixam-se, em todos os aspectos, com as formas de pensar e viver do autor”.
 
Expondo as razões maiores do desafio enfrentado, o médium Carlos Pereira esclarece, entendendo a rejeição feita pelos católicos conservadores: “Há um propósito maior desta obra, como invariavelmente todas as obras mediúnicas, que é declarar firmemente a nossa imortalidade. Não morremos. Continuamos a existir de outra forma e não perdemos o patrimônio moral e intelectual que adquirimos. Eis o propósito do Dom do Amor e da Paz neste livro. Eis as novas profecias que ele vem anunciar em coerência de atitude como sempre fez quando circulava entre seus irmãos. Anuncia as novas utopias de um novo mundo que está por vir, utopias que representam as verdadeiras razões para viver.”
 
Numa entrevista mediúnica feita pelos editores com Dom Hélder Câmara, ele deixa uma mensagem aos espíritas: “Que amem também, porque não há divisão entre espíritas e católicos ou qualquer outra crença no seio do Senhor. Não há. Essa diferença é feita por nós não pelo Criador. São aceitáveis porque demonstram diferenças de pontos de vista, no entanto, a convergência é única, aqui simbolizada pela prática do amor, pois devemos unir os nossos esforços”.
 
Fiquei a imaginar os helderistas de todos os quadrantes do mundo lendo o livro do Carlos Pereira. Vivenciando suas lições imorredouras. E, de mãos dadas, parodiando aquela música de cantor famoso, recentemente comemorando seus 75 anos: “E como é grande, Dom, o nosso amor por você!”.
 
PS Para Maria Lúcia Moreira, a querida Lucinha Moreira, uma das maiores helderistas brasileiras, minha estima incondicional!!
 
(Divulgado em 30.05.2016, no www.fernandogoncalves.pro.br) 
 

Site criado com o sistema Easysite Acadêmico da eCliente.
ECLIENTE INFORMÁTICA