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RECONTANDO PLATÃO
 De Páscoa, amigo querido paranaense me envia um dos últimos lançamentos da Zahar: A República de Platão Recontada por Alain Badiou, uma magistral recriação de um dos textos mais importantes de todos os tempos, feita por um dos mais importantes intelectuais vivos, também filósofo, dramaturgo, romancista e ativista político, professor emérito da École Normale Supérieure de Paris.
 
Segundo a orelha, “ao retraduzir a obra e adaptá-la aos nossos tempos, o filósofo francês restaura a universalidade do texto grego, produzindo algo que está muito além de um simples comentário crítico”. E diz mais: “Nessa releitura inovadora de um clássico absoluto, Badiou removeu todas as alusões específicas à sociedade grega antiga – das longas discussões sobre a coragem moral dos poetas às considerações políticas que eram apenas de  interesse da elite aristocrática – e ampliou o leque de referências culturais, aproximando sua temática de questões contemporâneas universais”.
 
Badiou introduziu convivialidades com autores modernos e contemporâneos, aproximando-nos de Samuel Beckett, Fernando Pessoa, Sigmund Freud, Hegel, Rousseau, Kant e Lacan, comprovando que a filosofia está sempre em movimentos continuados de  renovação e atualização.
 
Na apresentação à edição brasileira feita pelo também filósofo Danilo Marcondes, ele trata da recriação de Badiou como “uma das leituras mais originais e provocadoras da República de Platão. Não se trata de uma tradução, ou de uma retradução, nem de um comentário, nem de uma introdução ao texto, o que seria uma a mais dentre as muitas que já existem. Pode-se dizer que o que temos mesmo é uma recriação da República”.
 
Os personagens de A República – Sócrates, Amanda, irmã de Platão, Glauco, irmão de Platão, Céfalo, rico ancião do Pireu, Polemarco, cidadão ateniense, Trasímaco, sofista reputado e Clitofonte, admirador de Trasímaco – mereceram seis anos de dedicação, pois de Platão muito necessitamos nos dias contemporâneos, onde “o pior dos homens é aquele que, acordado e sempre, é o que o homem de bem é apenas em sonho e fortuitamente”.
 
O mito da Caverna, recontado por Badiou, é apresentado através de uma analogia com o cinema e a mídia em geral, sendo o prisioneiro nada mais que mero espectador.
 
A leitura de A República de Platão por Bardiou deveria ser uma leitura constante nas escolas e universidades, favorecendo a ampliação da Cidadanização Mundial, nunca separando o problema da política do problema do conhecimento, jamais dissociando o debate sobre a verdade do debate sobre a  justiça, favorecendo um pensar crítico que nos distancia das alienações que geraram Hitler, Mussolini e Stálin.
 
Uma leitura que não descaracteriza o texto, mas favoreça uma contemporaneidade histórica que preserva sua grandeza e sua pedagogia.
 
(Publicado no Jornal do Commercio, Recife, Pernambuco, 31.05.2014
 

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