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RECOMENDAÇÕES PARA UM BOM COMBATE
Muito oportuno o recente Decreto Presidencial que institui o Plano Integrado para Enfrentamento do Crack e Outras Drogas, assinado por ocasião da 13ª. Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios. A intenção do Governo Federal é de ampliar a fiscalização nas fronteiras, principalmente com os países exportadores Peru, Bolívia e Colômbia, para isso utilizando os segmentos responsáveis pela Segurança Pública, além do comprometimento dos prefeitos municipais.

O presidente Lula não poderia ter sido mais enfático: “Sabemos que não é uma droga de rico, é mais para pobre, e sabemos que ela está sendo utilizada nas pequenas cidades. É uma droga mais barata e está tendo um efeito devastador. Vamos tentar encontrar um jeito de jogar muito duro para combater o crack em parceria com os prefeitos”. E a razão para um combate efetivo é mais que evidente: a apreensão da pasta base da cocaína utilizada na produção das pedras de crack subiu de 500 kg, em 2008, para 4.500 kg em 2009, um aumento de 900%, motivo mais que suficiente para uma bem estruturada ação governamental, agora sob o aval dos candidatos, já comprometidos com a continuidade do combate. 

Entretanto, poucos resultados positivos acontecerão, se não houver uma reorientação de muito bom calibre no Ensino Fundamental, envolvendo famíliares, professores, funcionários e associação de moradores, escolas públicas e particulares. Incluindo punições mais severas para produtores e distribuidores da droga, os grandes beneficiários.

Lamentavelmente, algumas iniciativas estimulam e fortalecem procedimentos deliquenciais de uma juventude ora gerada/abandonada irresponsavelmente pela alienação provocada por situações de pobreza extrema, ora deixada ao deus dará por classes sociais mais abastadas, de espantosas individualidades hedonísticas, que pouco se lixam para com as novelas que ensinam cafajestadas, degenerativas festas rave, líderes empresariais que mandam assassinar filho ganhador de mega-sena, noticiários que somente noticiam tragédias e descalabros, pedofilia sendo denunciadas nas igrejas, escolas públicas que não incutem cidadania, unidades particulares que apenas educam superficialmente, as “modernosidades” imperando, ajustadas às futilidades ocasionadas por injustificadas ausências cobráveis de pais e responsáveis, ao Estado cabendo apenas uma parcela das omissões acontecidas.

O combate às drogas deve ser sem trégua alguma. Implementado sem afetações midiáticas, nem burocratizações que apenas criam novos cargos e salários. E deve partir do interior das famílias de todas as classes, agrupadas ou não em associações de moradores e conselhos tutelares que saibam bem diferenciar intenções benfeitoras das apenas de fachada, procrastinadoras das ações efetivamente duradouras, as que poderão diminuir a importância de suas funções, folhas salariais e iniciativas de mentirinha.

O psiquiatra paulista Içami Tiba, atento aos desregramentos provocados por pais e mães de dependentes, aqueles que imaginam que o problema só ocorre nos terreiros alheios, divulgou recentemente algumas recomendações. Para os pais e mães de todas as classes sociais. Ei-las:
    1. A educação não pode ser delegada à escola. Aluno é transitório. Filho é para sempre;
    2. O quarto não é lugar para fazer criança cumprir castigo. Não se pode castigar com internet, som, tv, etc...;
    3. Educar significa punir as condutas derivadas de um comportamento errôneo. Queimou índio pataxó, a pena (condenação judicial) deve ser passar o dia todo em hospital de queimados;
    4. É preciso confrontar o que o filho conta com a verdade real. Se falar que professor o xingou, tem que ir até a escola e ouvir o outro lado, além das testemunhas;
    5. Informação é diferente de conhecimento. O ato de conhecer vem após o ato de ser informado de alguma coisa.. Não são todos que conhecem. Conhecer camisinha e não usar significa que não se tem o conhecimento da prevenção que a camisinha proporciona;
    6. A autoridade deve ser compartilhada entre os pais. Ambos devem mandar. Não podem sucumbir aos desejos da criança. Criança não quer comer? A mãe não pode alimentá-la.. A criança deve aguardar até a próxima refeição que a família fará. A criança não pode alterar as regras da casa. A mãe NÃO PODE interferir nas regras ditadas pelo pai (e nas punições também) e vice-versa. Se o pai determinar que não haverá um passeio, a mãe não pode interferir. Tem que respeitar sob pena de criar um delinquente;
    7. Em casa que tem comida, criança não morre de fome . Se ela quiser comer, saberá a hora. E é o adulto quem tem que dizer QUAL É A HORA de se comer e o que comer;
    8. A criança deve ser capaz de explicar aos pais a matéria que estudou e na qual será testada. Não pode simplesmente repetir, decorado. Tem que entender.
    9. É preciso transmitir aos filhos a idéia de que temos de produzir o máximo que podemos.. Isto porque na vida não podemos aceitar a média exigida pelo colégio: não podemos dar 70% de nós, ou seja, não podemos tirar 7,0;
    10. As drogas e a gravidez indesejada estão em alta porque os adolescentes estão em busca de prazer. E o prazer é inconsequente;
    11. A gravidez é um sucesso biológico e um fracasso sob o ponto de vista sexual.
    12. Maconha não produz efeito só quando é utilizada. Quem está são, mas é dependente, agride a mãe para poder sair de casa, para fazer uso da droga . A mãe deve, então, virar as costas e não aceitar as agressões. Não pode ficar discutindo e tentando dissuadi-lo da idéia. Tem que dizer que não conversará com ele e pronto. Deve abandoná-lo;
    13. A mãe é incompetente para 'abandonar' o filho. Se soubesse fazê-lo, o filho a respeitaria. Como sabe que a mãe está sempre ali, não a respeita;
    14. Se o pai ficar nervoso porque o filho aprontou alguma coisa, não deve alterar a voz. Deve dizer que está nervoso e, por isso, não quer discussão até ficar calmo. A calmaria, deve o pai dizer, virá em 2, 3, 4 dias. Enquanto isso, o videogame, as saídas, a balada, ficarão suspensas, até ele se acalmar e aplicar o devido castigo;
    15. Se o filho não aprendeu ganhando, tem que aprender perdendo;
    16. Não pode prometer presente pelo sucesso que é sua obrigação. Tirar nota boa é obrigação. Não xingar avós é obrigação. Ser polido é obrigação. Passar no vestibular é obrigação. Se ganhou o carro após o vestibular, ele o perderá se for mal na faculdade;
    17. Quem educa filho é pai e mãe. Avós não podem interferir na educação do neto, de maneira alguma. Jamais. Não é cabível palpite. Nunca;
    18. Se a mãe engolir sapos do filho, ele pensará que a sociedade terá que engolir também;
    19. Videogames são um perigo: os pais têm que explicar como é a realidade, mostrar que na vida real não existem 'vidas', e sim uma única vida. Não dá para morrer e reviver. Não dá para apostar tudo, apertar o botão e zerar a dívida;
    20. Professor tem que ser líder. Inspirar liderança. Não pode apenas bater cartão;
    21. Pais e mães não pode se valer do filho por uma inabilidade que eles tenham. 'Filho, digite isso aqui pra mim porque não sei lidar com o computador'. Pais têm que saber usar o Skype, pois no mundo em que a ligação é gratuita pelo Skype, é inconcebível pagarem para falar com o filho que mora longe;
    22. O erro mais frequente na educação do filho é colocá-lo no topo da casa. O filho não pode ser a razão de viver de um casal. O filho é um dos elementos. O casal tem que deixá-lo, no máximo, no mesmo nível que eles. A sociedade pagará o preço quando alguém é educado achando-se o centro do universo;
    23. Filhos drogados são aqueles que sempre estiveram no topo da família;
    24. Cair na conversa do filho é criar um marginal. Filho não pode dar palpite em coisa de adulto. Se ele quiser opinar sobre qual deve ser a geladeira, terá que mostrar qual é o consumo (KWh) da que ele indicar. Se quiser dizer como deve ser a nova casa, tem que dizer quanto isso (seus supostos luxos) incrementará o gasto final;
    25. Dinheiro 'a rodo' para o filho é prejudicial. Mesmo que os pais o tenham, precisam controlar e ensinar a gastar.

Para mim, como educador sempre aprendiz, pais que não sabem administrar rebeldias e provocações de filhos valem tanto quanto aqueles professores que proclamam que os meninos de hoje não podem ser por eles educados em sala de aula. Pais e professores que deveriam ser demitidos por justa causa do cenário social, para o bem geral de todos.

(Portal da Revista ALGOMAIS, 31/05/2010, Recife – PE)
Fernando Antônio Gonçalves

 
 

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