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PRESENTE NO DIA DA CRIANÇA
Almoçando, janeiro passado, com casal muito estimado por nós, já também avós, uma inquietude nos foi revelada quase nas despedidas do encontro: o que deveriam presentear aos netos no Dia da Criança, 12 de outubro, fortalecendo a espiritualidade deles, posto que todos, Ricarda de 15, João Henrique de 13 e Simone de 10 estavam bem avaliados em suas caminhadas escolares, cada um portando boas doses de cidadania convivencial, embora os pais ainda estivessem desatualizados de uma formação cristã que assegurasse uma criticidade solidária, posto que os dois estavam distanciados de uma bibliografia amplamente contemporânea e ecumênica sobre o assunto.
 
Indiquei aos dois, valendo para os cinco, a leitura em conjunto de um texto, que muito poderia beneficiar o grupo, a ser amplamente discutido em reuniões semanais programadas sem correrias, um resumo de cada capítulo sendo elaborado pelo avô, ex-seminarista frustrado, embora ainda portador de uma densidade humanística apreciável: Quem foi Jesus – uma análise história e ecumênica, de André Marinho, Bragança Paulista SP, Instituto Lachâtre, 2018, 312 p.
 
O autor é brasileiro, nascido  em 1982, graduado em Artes Cênicas, que teve a oportunidade de conviver, na Universidade de Tübingen, com Hans Küng, tido e havido como um dos maiores teólogos do século XX, especializado em ecumenismo, defensor consagrado mundialmente dos diálogos inter-religiosos sem fingimentos nem posturas de superioridade. Para escrever o livro entre 2000 e 2018, Marinho gastou nove anos de estudos sistemáticos sobre o Jesus histórico e mais nove de escritos e reescritos sobre áreas católicas, evangélico-protestantes, ortodoxas, judaicas e muçulmanas, muito embora tenha sido a Doutrina Espírita elaborada por Allan Kardec quem tenha realçado definitivamente para ele a missão do Homão da Galileia, nosso Irmão Libertador.
 
De pais umbandistas, uma avó católica e outra espírita, um avô ateu e outro mais ou menos teísta, acredita Marinho que essa diversidade muito o beneficiou, mormente nos primeiros anos de sua formação, quando muito bem se recorda da sua mãe ensinando-lhe a Oração do Pai Nosso, anos antes dele ter lido as primeiras palavras. E também se lembra de sua avó paterna lhe contando uma história sobre a infância de Jesus, história muitos anos depois por ele descoberta na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, em livro apócrifo, evangelho árabe da infância do Menino.
 
Daí a minha alegria de indicar ao casal amigo um texto ecumênico, crítico e histórico, muito distanciado  dos de catequese, pois segundo Marinho, “existe um autêntico Jesus histórico, nascido na Palestina, judeu, o mais influente e jovem líder de impacto religioso do mundo, sempre seguido por ele, com total fervor, mesmo quando deparou-se, lamentavelmente, com algumas oportunistas posturas estupidificantes editadas. Que encharcam as mentes infantis de conceitos e preconceitos, onde jamais saberão diferenciar modernidade de modernosidade, perdendo elas oportunidades valiosas de ampliar uma criticidade cidadã infanto-juvenil capaz de erradicar passividades descriativas, essencialmente nulificantes, o conhecimento não se edificando historicamente, desapercebidas se tornando das metáforas, das simbologias, das razões primeiras dos fatos e das alternativas que favoreceriam uma melhor enxergância inter-convivencial religiosa. 
 
Tenho intenso amor pelo movimento capitaneado por Jesus dos primeiros tempos, que não foi nacionalista, nem clerical, nem rigorista, nem legalista, nem monacal, nem sacerdotal, sempre reiterando Ele mais solidariedade para com os próximos mais sofridos. E sinto profunda admiração pelo apóstolo dos gentios, Paulo de Tarso, que proclamava a liberdade para todos, cada um se libertando ao seu modo, o amor sendo o único motor promotor de transformações, nunca sendo esquecido que não se conserta roupa velha com panos novos.  
 
Voltando ao livro do  Marinho, ele foi estruturado em três partes. Na primeira, 3 capítulos, descreve Jesus, explicitado através de uma breve introdução ao judaísmo (de Abraão até Jesus) e expondo uma pesquisa crítica sobre uma fonte primária, o Novo Testamento. Na segunda parte, Quem foi Jesus?, compreende 13 capítulos, inclusive a análise do Sermão da Montanha, destinado aos “moralmente fracassados”, contando sua paixão, morte e ressurreição. A parte terceira busca responder a duas perguntas fundamentais: Quem foi Jesus? Quem é Jesus? Uma leitura sedutora por derradeiro, digna para discussão em grupo familiar.
 
Segundo algumas notícias vindas posteriormente, o estudo grupal do livro está sendo concluído com entusiasmo fora do comum, sendo opinião geral que as discussões estão proporcionando uma análise histórica e ecumênica repleta de reflexões e provocações que seguramente aprofundará a espiritualidade de cada integrante, ampliando a compreensão e o amor por Jesus de Nazaré, esse maior revolucionário que a Humanidade já conheceu, sempre em evolução em nosso interior de trabalhadores espíritas.
 
Já chegou aos meus ouvidos um pedido de quero-mais indicações para os avós e os netos caminharem mais  resolutamente em direção à Luz. Em breve, depois da Dia da Criança, nos reencontraremos para novos papos e recíprocas capacitações. E tudo faz crer que o grupo será acrescido de mais dois jovens, um de 16 e outra de 14, netos também do casal amigo muito amado. Onde todos muito poderão aprender com Jesus de Nazaré através do judaísmo, cristianismo, islamismo e espiritismo. E a serem puros de coração, contemplando a Criação.
POR QUÊ? O QUE NOS TORNA CURIOSOS
Mario Livio, Rio de Janeiro, Record, 2018, 252 p.
E buscaram responder algumas perguntas existentes no livro, esclarecendo as razões pelas quais a curiosidade é o ingrediente principal da criatividade em todos os ramos de vida, além de principal agente motivacional:
- As crianças são mais curiosas que os adultos?
- A curiosidade é um produto direto da seleção natural?
- Por que algumas questões aparentemente triviais nos deixam curiosos?
- Por que nos esforçamos tanto para decifrar os sussurros de uma conversa na mesa ao lado de um restaurante?
- Como a nossa mente escolhe os objetos de nossa curiosidade?
A leitura deste livro irresistível e muito divertido, muito poderá ampliar os hábitos de leitura e pesquisa de jovens e adultos que tremem diante de qualquer obstáculo cognitivo encontrado, acovardando-se e pondo tudo nas mãos do Criador, ampliando ignorâncias e complexos, provocando ingenuidades dos mais diferentes níveis, imaginando-se ainda os últimos da espécie.
 
(Publicada em 17.09.2018, no Jornal da Besta Fubana e no nosso site www.fernandogoncalves.pro.br  
Fernando Antônio Gonçalves
 
 

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