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PENSAR DE JON SOBRINO
 Há dois anos, o Vaticano, com suas lupas inquisitoriais que buscam pelos em casca de ovo, menos os padres pedófilos que vitimam milhares de crianças e adolescentes, condenou a obra de Jon Sobrinho, um dos mais importantes teólogos da libertação. A cúpula romana,  tal e qual os mutilados visuais da Caverna de Platão, voltou-se ferozmente para as reflexões do teólogo jesuíta, de 68 anos, residente desde 1958 em El Salvador, onde foi um dos pilares fundadores da Universidade Centro-Americano. A notificação enviada ao pe. Sobrino foi aprovada e assinada pelo cardeal William Levada, o novo prefeito da Insana Inquisição, que substituiu o hoje pontífice Joseph Ratzinger, cognominado Bento XVI por escolha própria, ardoroso defensor do não uso de camisinhas na África, o continente mundialmente mais afetado pela AIDS.
 As páginas de Jon Sobrino cascavilhadas pelos mexeriqueiros vaticanos foram Jesus Cristo Libertador – Leitura histórica-teológica de Jesus de Nazaré e A fé em Jesus Cristo. Talvez acossado por ciumeiras episcopais causadas pela ampliação do apoio provocado pelos textos do pe. Sobrino, a confissão vaticana advém do próprio documento condenatório: “a Santa Sé explica que decidiu aplicar o ‘procedimento urgente’ ao caso do teólogo ‘pela grande difusão, sobretudo na América Latina, que as obras do padre Jon Sobrino atingiram’".
O também teólogo Eduardo Hoonaert, pronunciou-se na ocasião da punição: “Mais um capítulo numa dolorosa história que já vai longe: a ‘penitência perpétua’ imposta a Jon Sobrino. No dia 15 de março, a Congregação Vaticana para a Defesa da Fé procede à promulgação de uma ‘penitência’ infligida ao padre jesuíta Jon Sobrino, nascido em 1938 em Bilbao, Espanha, e residente desde 1958 em El Salvador, onde foi teólogo de Dom Oscar Romero. A penitência consistirá no ‘silêncio mais absoluto’ do teólogo, não naquele ‘silêncio de um ano imposto a Leonardo Boff, mas num silêncio perpétuo, no apagar ‘per saecula saeculorum’ de uma voz que incomoda. Qual a razão de tão severo procedimento? Onde foi que Sobrino pisou feio? O texto do Vaticano explicita: ‘O teólogo não afirma abertamente a consciência divina de Jesus histórico’, ‘ele oculta a divindade de Jesus’”.
 Mas o caminho se faz andando e quem se imaginava eterno dono da verdade dançou na chapa quente. A editora Paulinas, no ano paulino, lançou uma coleção intitulada Dialogando com ... . O primeiro volume foi dedicado a Juan Luis Segundo, o segundo analisou os textos de Jacques Dupuis e o terceiro, agorinha editado, analisa o pensar de Jon Sobrino, um dos principais assessores de Don Oscar Romero, o mártir latinoamericano assassinado quando celebrava a Santa Missa. Assassinato que até hoje não sofreu um pé de protesto da Santa Sé, mais preocupada em condenar a camisinha em plena África contaminada e em esconder seus pedófilos e degenerados das autoridades judiciárias.
 Para quem deseja compreender mais exaustivamente o pensar de Jon Sobrinho, o trabalho organizado pelo teólogo Afonso Maria Ligório Soares, atualmente presidente da SOTER – Sociedade de Teologia e Ciências da Religião, também sendo vice-presidente da INSeCT – International Network of Societies fof Catholic Theologies é de muito boa valia.
 O pensar de Jon Sobrino está dividido sob cinco vertentes: Seguimento, Encarnação, Divindade, Martírio e Pobres. A primeira vertente enfoca o seguimento como categoria cristológica. A segunda analisa a teologia da encarnação na cristologia. A terceira interpreta o divino a partir das vítimas. A quarta enfoca o martírio como expressão máxima de misericórdia. E a última foca os pobres como critério de idetidade cristã.
 Ao final do Dialogando com Jon Sobrino há uma bibliografia sobre os principais textos de Jon Sobrino, incluisive os editados em língua portuguesa.
 A leitura esclarecedora do texto do teólogo Afonso Maria Ligório Soares não excomunga quem quer que o leia. Facilita apenas o classificar dos tridentinos.
 

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