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PATIFARIAS E BLA-BLA-BLÁS
 As gatunagens e conchamblanças desnudadas diariamente pelos rádios, jornais e televisões brasileiros, os meios internéticos não devendo ser postos de lado, estão a merecer aplausos, apesar das repugnâncias que revolvem estômagos e maculam a cidadania dos que depositaram confiança plena nas lideranças populares que emergiram das urnas com votações consagradoras.
Aplausos para um desassombrado jornalismo investigativo que continua  esmiuçando uma bandalheira de alto calibre eleitoreiro que se preparava para abocanhar mais quatro anos de mandato e fazer ainda outros sucessores para lambuzar-se por mais um bocado de tempo. Em razão de um direito à  reeleição que já deveria estar defenestrado em todos os níveis executivos da vida política brasileira. 
 Releio Peter Singer. Seu livro Ética Prática, Martins Fontes, bem que poderia ser sintetizado e distribuído para uma juventude que se encontra à beira de um ataque de nervos diante dos descalabros praticados pelos que de lama se revestiram. E que se mancomunaram com empresários também prostitutas, arapongas, políticos chinfrins, bispos parlamentares metidos a universais de Deus, carequinhas estelionatários, funcionários públicos de nenhum escalão moral e dedos duros de carteiras famélicas, lobos em peles de ovelhas, como se fossem os salvadores da pátria.
 No texto do Singer, alguns afirmações contidas caem como uma luva na carapuça de alguns, inclusive do próprio primeiro mandatário da nação, que está a necessitar de uma postura de menos bla-bla-blás, se conivente não tenha sido. Que os argutos caminheiros possam bem ajustar cada pensar aos desqualificados da nossa área política, até para efetivamente resguardar a dignidade das funções exercidas pelos  parlamentares  éticos de todas as agremiações. Ei-las: “Acho que devemos ser homens primeiro, e súditos depois” ... “A única obrigação que tenho o direito de assumir é a de fazer, a qualquer momento, aquilo que acho certo” ... “O único objetivo em nome do qual o poder pode ser legitimamente exercido sobre qualquer membro de uma comunidade civilizada, contra sua vontade, é o de impedir que os outros sejam prejudicados” ... “Ajudar não é, como se costuma pensar, um ato caridoso, digno de ser praticado, mas do qual não é errado eximir-se; é uma coisa que deve ser feita por todos”.     
A atual crise brasileira é desesperante. Prenúncio do fim de uma era, início de uma nova fase das atividades público-privadas, onde ainda inúmeros estão despreparados para um assumir conseqüente, ampliando a desesperança e desconstruindo a cidadania.
O senador Teotônio Vilela, de saudosa memória, alagoano de boa cepa, enojava-se das aves de rapina que  desejavam apenas levar vantagem em tudo, com a maior cara-de-pau fantasiadas de gente de bem, moralizadores de fachada, verdadeiros sepulcros caiados, de cabelos bem penteados e camisas  bem engomadas, punho duplo e broche na lapela. Ele não suportava a presença desses bandidos no cenário político nacional. Sabia o bravo senador que muitos deles eram eleitos com votos conquistados pela oferta de um prato de comida ou receita de remédio. E brandia o seu verbo quando percebia que os eleitos pouco se lixavam para  os problemas de um povo faminto, vítima maior da comilança desenfreada dos recursos públicos, enriquecimento praticado às custa de muitas mortes por subnutrição.
 Saibamos orientar os mais inexperientes na separação do joio do trigo da  vida partidária brasileira. Enxotando os moralistas, as carpideiras e os sem-escrúpulos para bem longe do erário público. E nunca ignorando que parte da atual vexaminosa situação política brasileira é fruto de um oportunismo aético de parte uma classe média metida a vanguardeira, que desejava apenas também apoderar-se nas tetas do poder, os excluídos que se danando numa morte vida severina.
 Sejamos brasileiros, acima de tudo brasileiros. Usando bem um chicote chamado título de eleitor. Os coturnos permanecendo nos seus locais de costume.

 

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