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PARA UM FORMANDO 2012
Recebo cartão de concluinte 2012.2: “Às vésperas da conclusão em um curso superior, que binoculizações poderiam ser ofertadas, favorecendo uma profissionalidade cidadã desprovida de ingenuidades e alienações primatas? Confesso que estou meio assustado com a bandalheira e os jeitinhos brasileiros que desmoralizam os cenários nacionais. Não sou moralista nem puritano, mas não me conformo com a imagem do Brasil no exterior, a de um país de mais corruptos que honestos, mais desbundes que solidariedades, mais fingimentos que propósitos saneadores.”  

O que lhe direi, colega, resulta de leituras múltiplas. Espero que você aproveite. 
1. Na vida profissional, três reflexões. A primeira é de Alexis Carrel, cirurgião francês, prêmio Nobel: “A inteligência é quase inútil para quem não tem outras qualidades”. A segunda é de Albert Einstein, outro prêmio Nobel: “o primeiro dever da inteligência é desconfiar dela mesma”. E a terceira é de Arthur Conan Doyle: “A mediocridade não conhece nada melhor que ela mesma, mas o talento reconhece instantaneamente o gênio”. Os autores detestavam os sabe-tudos. E sabiam bem diferenciar talentos e gênios, os primeiros atingindo as metas além dos outros, os segundos binoculizando metas que os demais ainda não vislumbravam.

2. Siga a lição oferecida pelo governador Eduardo Campos, em palestra no Rio Grande do Norte sobre Gestão Pública: “O que faz uma gestão ter apoio político não é a habilidade do governante nem a compreensão dos aliados. Uma administração é bem ou mal sucedida se a equipe que a conduz for bem escolhida e se a ação que desenvolve for focada em objetivos claros para construir melhoria na vida das pessoas”. 

3. Entenda além dos escritos. E lembre-se que nenhuma instituição ensina sucesso, posto que a chave para o sucesso está na sua maneira de pensar, com os olhos para os futuros, os ontens apenas servindo para não mais repetir encaminhamentos frustrantes. 

4. Nunca se esqueça: na história do pensamento, todas as ideias foram consideradas faróis definitivos, quando apenas refletiam uma periodicidade, decompondo-se logo que a inventividade da humanidade as substituía por outras. 

5. Perceba-se, num século XXI nebuloso, que as ciências não são estáticas. E consolide sua caminhada sob a advertência de Nayan Chanda, no seu livro Sem Fronteiras: “O ritmo cada vez mais acelerado das relações humanas, do comércio e das comunicações deu asas às doenças e abriu portas virtuais para criminosos e malfeitores tirarem vantagem das comunicações rápidas e fáceis de hoje. ... Seria anti-histórico pensar que o resultado dessa velocidade sempre será bom”.

6. Sinta-se sempre um aprendiz de tudo. E não deixe de ler o capítulo 6 – Por que (às vezes) o populismo é muito bom na prática, mas não na teoria – do livro Em defesa das Causas Perdidas, de Slavoj Zizek, um dos notáveis filósofos políticos contemporâneos: “Para viver, para ser capaz de existir, a mente precisa ligar-se a algum tipo de ordem. Tem de apreender a realidade, como um todo independente [...] e tem de prender-se, de forma  estável, a certas características do que chamamos contextualidade”.  

No mais, seguir adiante e amar Pernambuco, para viver com razão e fé. 

(Publicado no Jornal do Commercio, Recife, Pernambuco, 14.12.2012)  
Fernando Antônio Gonçalves
 
 

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