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PARA MAIS SABEDORIA
 
Há poucos dias, na FSP de 26 de fevereiro último, li um artigo do notável cientista brasileiro Marcelo Gleiser, hoje radicado nos Estados Unidos. O título do trabalho é provocante: A presença do inexplicável – o inesperado nos muitos níveis de realidade. E o resumo amplia a curiosidade por uma leitura atenta: “Ainda que a ciência busque oferecer chaves de leitura totalizantes para a realidade, o fato é que estamos cercados por mistérios. Há quem considere uma derrota da razão essa incapacidade de decifrar os enigmas que cadenciam a experiência humana. O texto insta o leitor a se deixar surpreender pelo insondável.” Vale a pena capturar na internet o artigo do Gleiser, autor do  notável livro  A Simples Beleza do Inesperado, recentemente lançado pela editora Record.

Vez por outra, deparo-me com gente que se declara entendido nisso e naquilo numa determinada área, imaginando-se  muitos furos acima daqueles que se dedicam décadas de estudos a temas antigos e também correlatos, muito embora sempre conscientes de serem eternos aprendizes, nunca menosprezando ensinamentos dos primeiros desbravadores. Mas “eram homens e, como tais, se enganaram, tomando suas próprias ideias pela luz. No entanto, mesmo os seus erros servem para realçar a verdade, mostrando o pró e o contra. Ademais, entre esses erros se encontram grandes verdades que um estudo comparativo torna apreensíveis”, como alerta Allan Kardec em seu O Livro dos Espíritos, item 145. Muito bem complementado na muito contemporânea questão 628, um baita stop nas pretensões daqueles que se imaginam tampas-de-foguete e definitivos nas matérias por eles desenvolvidas: “para o estudioso, não há nenhum sistema antigo de filosofia, nenhuma tradição, nenhuma religião, que seja desprezível, pois em tudo há germens de grandes verdades que, se bem pareçam contraditórias entre si, dispersas que se acham em meio de acessórios sem fundamentos, facilmente coordenáveis se vos apresentam, graças à explicação que o Espiritismo dá de uma imensidade de coisas que até agora se vos afiguraram sem razão alguma e cuja realidade está hoje irrecusavelmente demonstrada. Não desprezeis, portanto, os objetos de estudo que esses materiais oferecem. Ricos eles são de tais objetos, e podem contribuir grandemente para vossa instrução.”

Numa época em que os russos tornaram-se extraordinários com as experiências de telepatia, muitos cientistas norte-americanos ratificaram a tese de que a mente e o pensamento não são matérias, outros que estudam a sobrevivência da mente após a morte do corpo, e também Joseph Banks Rhine (1895-1980), botânico estadunidense fundou a investigação científica na parapsicologia, definindo a Parapsicologia como “uma ciência da natureza não física, uma disciplina envolvida com fenômenos que falhavam em mostrar relações regulares com o tempo, espaço, massa e outros critérios fisicalistas, escapando a mente dos limites corporais sobre certas condições”, o mundo ingressa num tempo axial. E por tempo axial, segundo Karl Jaspers, é aquela conjuntura onde as ideias se alteraram qualitativa e quantitativamente, onde até o papa Francisco, muito corajosamente distanciado das antessalas sinistras do Vaticano afirmou, em 23/2, que é preferível a sinceridade dos ateus que as hipocrisias dos que se postam de cristãos.

Encontramo-nos numa estupenda encruzilhada da História da Humanidade, onde tudo  se convulsiona, nos mais diferenciados aspectos: religioso, axiológico, econômico, político, familiar, relacionamentos humanos, entre grupos sociais e entre países e continentes. Vivenciamos a mais profunda mudança da história humana, onde a instantaneidade das informações ampliam perplexidades, inconformismos e tragédias, incompetências gerenciais e estratégias institucionais, públicas, empresariais, militares e religiosas, onde amplia aceleradamente a busca por uma espiritualidade mais solidária para com os menos favorecidos, de maior conformidade com a sobrevivência do todo planetário.

Atualmente, o ser humano está pensando muito pouco, tornado pela civilização pós-moderna num homem prático, inteiramente voltado para os problemas imediatos, funcionando como uma máquina, não raras vezes recorrendo ao suicídio ou às drogas, por não mais aceitar sua cegueira mental. Age como um robotizado, crendo sem qualquer indagação a partir de uma tradição que lhe foi imposta quando as circunstâncias eram bem outras. Daí se dizer que o ateísmo e a crendice idiotizada são os dois extremos perigosos da atual condição humana, tornadas ausentes as luzes do indispensável esclarecimento espiritual.

Para aqueles que buscam ampliar seu humanismo, recomendo a leitura de O Homem Novo, de J. Herculano Pires, São Bernardo do Campo SP, Correio Fraterno, 2008, 159 p. E também Para uma espiritualidade leiga – sem crenças, sem religiões, sem deuses, Marià Corbi, São Paulo, Paulus, 296 p. E ainda Sabedoria Espírita: aprendendo a viver melhor com Allan Kardec, de Daniel Araújo Lima, Curitiba, Nobilitá, 2015, 142p. Esta última, elaborada por um cearense graduado em Direito e com especialidade em Filosofia pela University of Oxford, busca a imbrincação  cognitiva entre a Filosofia e a Doutrina Espírita, buscando respostas para três questões fundamentais: O que podemos saber?, O que devemos fazer? e O que nos é lícito esperar?

No mais, as indicações acima possibilitam um salutar início de uma vida sem preconceitos, abrangente e profunda, densamente cultural, sem as merdalhadas atuais que enodoam uma contemporaneidade desparafusada pelo desconhecimento de uma maioria em como desenvolver uma pensação essencialmente libertadora, uma base racional de crença para combater o agnosticismo que se espraia em todos os continentes.

PS. Plena razão tem J. Herculano Pires em seu livro: “Não basta tornar-se alguém um especialista na letra, é preciso que procure, com humildade, sem pretensões sectárias, a compreensão espiritual.” 

(Publicado em 20.03.2017 no site do Jornal da Besta Fubana e no site www.fernandogoncalves.pro.br)

Fernando Antônio Gonçalves

 

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