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PARA ANTENAÇÕES DE JOVENS E ADULTOS
Em Gravatá, onde descansei no Portal durante a última Semana Santa, um papo para lá de nada comum aconteceu com um casal catarinense de recém casados que curtiam lua-de-mel, extasiados com a Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, a cada ano mais memorável.
 
Ambos arquitetos, ela 30, ele 29, simpaticíssimos e de nível cultural nada desprezível, efetivaram algumas perguntas, identificados como espíritas que nem nós, de família dirigente de um Centro de Desenvolvimento de Estudos e Análises Kardecistas, sediado a uma dezena de quilômetros da capital do estado.
 
Um dos autores mais estimados por todos nós foi J. Herculano Pires, um nascido em setembro de 1915, na antiga Província do Rio Novo, hoje Província de Avaré, Zona Sorocabana, São Paulo, desencarnado em março de 1979, tendo exercido por mais de trinta anos funções diversas nos Diários Associados, também sido colaborador muito próximo de Chico Xavier. Seu objetivo único existencial era o de comunicar ao seu derredor o que achava necessário, da melhor maneira possível, embora não tivesse vocação literária nem integrasse qualquer escola de letras, auto classificando-se como um grafomaníaco, um que escreve dia e noite. Graduado em Filosofia pela USP, publicou uma tese denominada O Ser e a Serenidade, editada pela Paidéia, onde reconduz o Existencialismo às suas perspectivas espirituais, abrindo nova frente, a do Existencialismo Interexistencial. No livro, por acaso nas mãos do casal, uma das “bofetadas” do Herculano: “Há mais serenidade no homem que defende com entusiasmo e calor os seus princípios do que no indivíduo falacioso, que procura serenamente as suas evasivas. É mais sereno o murro  de uma verdade na mesa, do que o palavreado untuoso da mentira na boca de um santo de artifício”.
 
A partir do livro do J. Herculano Pires, concordou-se com o exagerado nível de despreparo da Doutrina Espírita entre os que se dizem integrantes de uma comunidade kardecista. Talvez os escritos “volumosos” do Allan Kardec sejam de leitura cansativa para jovens e adultos desacostumados, muitos custosos e de assimilação intelectual impeditiva para quem ainda incapacitado aos desafios do pensar mais complexo da nossa época. 
 
Com a concordância geral, uma segunda etapa foi iniciada: a de indicações que favorecessem a ampliação da cognitividade de jovens e adultos. A partir do livro notável do Herculano, O Centro Espírita, Paidéia, 1980,  algumas indicações foram surgindo, no final resultando numa mini-bibliografia pontapé inicial, que proporcionaria uma bagagem alicerce que favorecesse um crescimento intelectual capaz de ampliar habilidades diversas num Centro Espírita, evitando-se, segundo Herculano, “o carimbo da Igreja que marcou fundo a nossa mentalidade. Mais que a subnutrição do povo, com seu cortejo trágico de endemias devastadoras, o igrejismo salvacionista depauperou a inteligência popular, com seu cortejo de carreirismo político-religioso, idolatria mediúnica, misticismo larvar, o que é pior, aparecimento de uma classe dirigente de supostos missionários e mestres fariseus, estufados de vaidade e arrogância.”  E ele ainda denuncia sem papas na língua: “Toda essa carga morta esmaga o nosso movimento doutrinário e abre suas portas para a infestação do sincretismo religioso afro-brasileiro, em que deuses ingênuos da selva africana e das nossas selvas superam e absorvem os antigos e cansados deuses cristãos.
 
Eis as indicações eleitas pelos dois casais presentes:
1. Espiritismo para Jovens: a história de Jesus e o Livro dos Espíritos, para iniciantes da doutrina espírita, Eliseu Rigonatti, São Paulo, Pensamento, 2018, 454 p. O livro está dividido em duas partes. Na Parte I, a História de Jesus e a Doutrina Espírita através das Parábolas, contada por Lina, uma morena que deixava a criançada entusiasmada, ela sempre disposta, depois do jantar, a entreter os pixotes com sua voz doce e mansa, até o relógio da matriz bater oito horas, chegada a hora de cada um se recolher aos seus cantinhos. Narrativas entremeadas de contos, poesias e mil e uma curiosidades que esclareciam os pontos principais de O Livro dos Espíritos, a obra basilar da filosofia espírita. Na parte segunda, 43 aulas sobre o Livro dos Espíritos, a primeira história denominada “O Balaio”, mostrando a iniciativa de dois irmãos, na busca de um casaco de presente para o pai amado.
 
2. Educação e Espiritualidade – Interfaces e Perspectivas, Dora Incontri (organizadora), Bragança Paulista, SP, Comenius, 2010, 422 p. Composto de 25 palestras desenvolvidas no 1º. Congresso Internacional de Educação e Espiritualidade, efetivado em setembro de 2010 no Centro de Convenções Rebouças, São Paulo, estruturado pela Associação Brasileira de Pedagogia Espírita, com o apoio da Universidade Santa Cecília. A 25ª. palestra, A Pedagogia Espírita: um projeto brasileiro, é de autoria da organizadora, que detalha o nascimento da pesquisa espírita no Brasil no Colégio Allan Kardec, de autoria de Eurípedes Barnasulfo (1880-1918), a partir da qual surgiram mais de cem escolas fundadas pela educadora espírita Anália Franco (1853-1919), no Estado de São Paulo, onde se praticava um pluralismo étnico e religioso. A bem da verdade, revele-se que a formulação teórica da Pedagogia Espírita só foi devidamente identificada por José Herculano Pires, quando ele publicou os primeiros trabalhos em 1955. A leitura dos ensaios do livro organizado pela educadora Incontri faz desmoronar preconceitos e cavilações, favorecendo uma convivencialidade fraternal entre as mais diversas concepções religiosas, provocando uma ambiência inter-religiosa entre saberes, onde todos podem manifestar suas opiniões e princípios.
 
3. Filosofia: construindo o pensar, volume único, Dora Incontri / Alessandro Cesar Bigheto, 3ª. ed., São Paulo, Escala Educacional, 2010, 448 p. Direcionado para o Ensino Médio, destina-se a fazer compreender a urgente necessidade de aprender a saber apreender, favorecendo a construção de exposições consistentes, que possuam capacidade de serem bem assimiladas. Divide-se o livro em duas partes. Na primeira – Filosofando – busca-se entender alguns significados existenciais e questionamentos que incomodam e desfavorecem, se não devidamente esclarecidos. Na segunda – Contando a História – retrata com pinceladas consistentes, os ontens filosóficos e os amanhãs que se descortinam, inclusive em nosso país. Em anexo, um Dicionário de Filósofos, com informações sucintas dos principais pensadores da História da Humanidade. Inclusive alguns ainda vivos, militantes pacifistas.
 
4. O Ser e a Serenidade – Ensaio de ontologia interxistencial, 4ª. ed., J. Herculano Pires, SP, editora Paidéia, 2008, 152 p. O autor, focando o problema do existencialismo espírita, oferece uma reflexão sobre o problema do Ser. E analisa com acuidade a trilogia da Serenidade: 1. Procurar sempre a perfeição; 2. Nunca se deixar abater; 3. Elevar-se acima das circunstancias. Uma leitura que deve ser efetivada com muita vagareza, a mente sempre voltada para um além-vida, onde nas ondas das conjunturas históricas salvar-se-ão os bons nadadores, que poderão também salvar todos os demais, onde serenidade é bastante diferente de simples inquietação, esta significando um vazio eivado de impulsos aparentemente inexplicáveis.
 
As indicações acima somente favorecem uma pensação (pensamento com ação) que consolide a passos largos os laços fraternais de toda comunidade kardecista evangelizadora.
 
(Publicado em 9.04.2018 no site do Jornal da Besta Fubana (www.luizberto.com) e em nosso site www.fernandogoncalves.pro.br)  
Fernando Antônio Gonçalves
 
 

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