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PÁGINAS MEMORÁVEIS
 Das minhas áreas de leituras favoritas, as históricas são as que mais despertam a minha atenção. Principalmente as relacionadas à Segunda Guerra Mundial, onde milhões de pessoas inocentes foram chacinadas sob as ordens de Adolfo Hitler e seus subalternos, um dos mais canalhas chamado Heinrich Himmler, cuja biografia saiu recentemente pela editora Objetiva, de autoria de Peter Longerich, professor de história alemã moderna da Royal Holloway University of London e fundador do Centro de Pesquisa sobre o Holocausto, aplaudido por seus renomados estudos sobre a matéria. A biografia chama-se Heinrich Himmler – Uma Biografia, tendo o Der Spiegel publicado que “nunca um pesquisador foi capaz de penetrar tão profundamente na psicologia de SS, muito menos na do seu líder”. Arquiteto do Holocausto, Himmler tornou-se “sinônimo de terror, da perseguição e da destruição que caracetrizaram o Terceiro Reich”.  

 A biografia de Himmler mostra, com uma descrição analítica ímpar, como uma personalidade tão banal conseguiu atingir a posição maior de um sistema de genocídio que vitimou toda a Europa. Segundo Longerich, “a verdadeira força de Himmler consistia em criar, a cada dois ou três anos, estruturas complementares novas para sua esfera de domínio, que alocavam tarefas correlacionadas a cada uma das partes desse conglomerado heterogêneo.” O autor ainda assegura que a abordagem amplamente biográfica de Himmler é o único meio eficiente de compreender e explicar a história e desenvolvimento da SS. Um livro que ressalta as estratégias, ignomínias, fraquezas e obsessões mentais do idealizador do Holocausto, uma figura lamentável, segundo Walter Schellemberg, perito em contra-informação da SS, comparado por ele “a uma cegonha num lago de lírios”, de aspecto enfermiço, com ar de sono, com uma cara que não é cara nenhuma. Segundo o acima citado Walter, “Olhei-o mais de perto. Estava claro que não era apenas um vulgar ‘joão-ninguém’. O homem estava nas nas origens da paixão reprimida. Seu corpo era tenso. Havia mais nesse homem do que parecia a princípio”. 

Para se ter uma ideia de como era a subserviência de Himmler diantre de Hitler, basta citar o testemunho de Felix Kersten, um renomado fisicultor: “ninguém que não houvesse testemunhado acreditaria que um homem com tanto poder à disposição, como Himmler, ficasse em tal estado de pavor quando era mandado chamar por Hitler. Seu caráter era fraco e ele pregava a dureza”.

Em setembro de 1941, Himmler pronunciava a ordem fatídica: “Até as crianças no berço devem ser esmagadas, como um sapo venenoso... Estamos vivendo numa época de ferro, durante a qual é necessário varrer com vassoura de ferro”.

Ler a biografia de Himmler é conhecer as entranhas psíquicas de uma mente doentia que não soube morrer como um homem de mínima coragem.

(Publicado no Jornal do Commercio, Recife, Pernambuco, 01.11.2013 
Fernando Antônio Gonçalves
 
 

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