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ORAÇÃO SEM NOME
 No consultório do Clodoaldo Sampaio, um dos mais competentes odontólogos deste Brasil de meu Deus, encontrei o amigo João Silvino da Conceição com os olhos marejados de lágrimas, bastante sensibilizado com um fato acontecido momentos antes, num ônibus de linha comum. Segundo ele próprio contou, uma senhora, anos 40, bem vestida e semblante serenizado por uma confiança ilimitada, vinda de muito alto, tinha distribuído entre os passageiros a Oração Sem Nome. Um bilhete encontrado no bolso de um soldado estraçalhado por um granada quase ao término da Segunda Guerra Mundial.
 Sem qualquer vinculação denominacional, o escrito do soldado morto estava vazado nos seguintes termos:
“Embora jamais tenha falado contigo, Senhor, nesta quase madrugada eu Te saúdo com toda reverência. Sabes, Senhor, que sempre me disseram que Tu não existias? Que Tu apenas fazias parte da imaginação dos tolos? Na minha ingenuidade, eu bobamente  acreditei que aquilo que me diziam era a mais verdadeira das verdades.  
Como Te encontrei? Tudo aconteceu por um mero acaso.  Ontem à tardinha, na trincheira onde me encontrava sob o pipocar das metralhadoras, observando o céu todo estrelado, fui abraçado por companheiros de esquadrão como se irmão deles fosse. E ouvi pela vez primeira alguém rezar o Pai-Nosso.
Compreendi, então, Senhor, que alguns tinham me iludido, tentando afastar-me da Tua Palavra. Pois há pessoas que mudam o mundo e há outras que para nada servem. E alguns destes últimos tinham obstruído meus ouvidos, olhos e mente para que eu não pudesse ouvir nem ler Teus ensinamentos, nem compreender o sentido reestruturador das Tuas palavras.     
 Não sei se Tu acreditarás no que acima escrevi, nem no que vou declarar adiante. Mas neste inferno hediondo, repleto de desesperos e desilusões, de nenhuma alegria e de muita escuridão, eu encontrei a Luz e pude contemplar a Tua infinita misericórdia, ao ler um trecho de uma carta de Paulo aos Romanos, onde o evangelizador dos gentios assegurava que todo aquele que reconhecia Jesus como Senhor, acreditando firmemente na Tua ressurreição, um dia contemplaria a Tua face.
 Obrigado por me teres encontrado, Senhor. Sei que o próximo combate será um dos mais cruentos. E é bem possível que eu dê com os costados na Tua Casa, tombando com inúmeros outros companheiros. Mas já não estou sentindo nenhum tico de medo, posto que desde ontem passei a acreditar nos Teus ensinamentos.
Já não mais receio a morte, Senhor. E se a minha hora tiver chegado, partirei com a certeza de que, muito feliz, estarei para sempre no Teu regaço”.
O inesquecível Chesterton dizia que há homens que fazem com que todos se sintam grandes. E há anões mentais que torcem para que todo mundo se torne um anão como ele, nunca levando na devida conta a advertência de Abraham Maslow, o pioneiro do conceito de auto-realização e autor da Hierarquia das Necessidades: “O que não vale a pena fazer, não vale a pena fazer bem-feito”.
O João Silvino da Conceição, arretado como sempre, dizia que os companheiros do soldado morto foram os grandes evangelizadores do militar. Como também foi evangelizadora aquela senhora sessentona que distribuiu a Oração Sem Nome entre os passageiros de um ônibus qualquer. Ela seguramente transformou um enfadonho itinerário num caminho iluminado para muitos.
PS. Para meus irmãos evangélicos, companheiros de caminhada cristã, também como eu sempre necessitados da infinita misericórdia de Deus.
 

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