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O ENIGMA JUDAS
 Quando, meses atrás, o papa Bento XVI encareceu ao mundo cristão misericórdia para com Judas Iscariotes, aquele que a história oficial do Cristianismo retrata como “o que traiu Jesus por trinta dinheiros”, a curiosidade acerca deste ex-apóstolo tomou conta dos noticiários. E despertou ainda mais interesse nos meios antenados com o acontecido há dois mil anos, nos primórdios da hoje denominada Era Comum, dada a descoberta, no Egito, final da década de 1970, do Evangelho de Judas, um documento gnóstico.
Encontrado por alguns camponeses nas proximidades das margens do rio Nilo, numa caverna usada para sepultar mortos, o Peuaggelion Nioudas, que em copta significa O Evangelho de Judas, está sendo considerado um dos maiores tesouros da arqueologia bíblica. Um escrito que foi classificado como  documento herético, há 1800 anos, pelo bispo Irineu, da Igreja em Lyon, no seu tratado Contra as Heresias.
 Redigido numa antiga língua egípcia, a descoberta suscitou um duplo questionamento: tratava-se das explicações de Judas sob uma versão sua?. Ou seria mais um texto gnóstico, repleto de reflexões místicas? Os esclarecimentos definitivos, após criteriosa tradução dos papiros recuperados com ajuda de um coptologista (entendido nos escritos coptas), estão a merecer atenções mais argutas: o documento conta a história de Jesus do ponto de vista daquele considerado traidor do Galileu, Judas Iscariotes.
 De personagem mais odiado da história, sinônimo de cilada e traição, o relato contido no Evangelho de Judas, apontando a “traição” como uma missão a ele confiada pelo próprio Nazareno, poderá ensejar notáveis reconstruções históricas, podendo até consagrá-lo como o único apóstolo a ter compreendido verdadeiramente a mensagem de Jesus de Nazaré.
 Numa enciclopédia bíblica muito consultada, a de Champlin, em seis volumes, Judas Iscariotes é mostrado como tesoureiro do grupo apostólico, sendo o único que não era nativo da Galiléia. A enciclopédia revela: “não podemos precisar todos os motivos por detrás deste ato de traição. ... A Judas Iscariotes fora conferido o mais elevado ofício. Deve ter possuído características de caráter que justificassem sua escolha.”
 Renasce uma historiografia respaldada em áreas exatas e humanas. Com  a descoberta de antigos textos sobreviventes, completos e parciais, como os Evangelhos da Verdade, de Tomé, de Pedro, de Filipe, de Maria, dos Ecionitas, dos Nazarenos, dos Hebreus e dos Egípcios, para citar somente alguns, múltiplas questões estão emergindo, todas elas tratadas com a seriedade devida, sem nada lançado para debaixo dos tapetes romanos, reformados e orientais.
 Na compreensão de muitos, algumas testemunhas dos primeiros tempos de Cristianismo podem ter sido alijadas por interesses os mais diferenciados possíveis dos que estavam no poder. A título de exemplo, as figuras históricas de Judas e Maria Madalena poderão vir a ser reinterpretadas em futuro não muito distanciado dos tempos de agora. Ou será que os imensos arquivos secretos vaticanos já estão de posse de conhecimentos consistentes sobre Judas, a ponto do papa Bento XVI ter encarecido misericórdia para o até então tido e havido como “possuído por Satanás”?
 Os evangelhos de Mateus e Marcos nos mostram que coube exclusivamente a Judas a iniciativa de procurar as autoridades. Por que será que o bispo Irineu condenou os ensinamentos gnósticos, chamando o Evangelho de Judas de “história fictícia”?         
 Dois lançamentos brasileiros recentes merecem atenção, dada a notória seriedade conquistada pela National Geographic: O Evangelho Perdido, de Herbert Krosney, e O Evangelho de Judas: Códice Chacos, editado por Rodolphe Kasser, Marvin Meyer e Gregor Wurst. O primeiro ressalta como o mundo veio a tomar conhecimento do tesouro encontrado, o segundo trazendo análises que poderão revolver a história do Cristianismo.
No meu modo de pensar, “a verdade sempre liberta”.
 

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