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NT EM NOVÍSSIMA TRADUÇÃO
Uma das melhores iniciativas editoriais do ano que se findou coube à Edições Loyola, com a divulgação de uma novíssima tradução dos cinco primeiros livros do Novo Testamento. Evangelhos e Atos dos Apóstolos, edição integralmente nova e vinculada ao texto grego, preserva as características literárias do original, sem prejuízo algum da fluência e da clareza da nossa língua portuguesa.

O lançamento da editora não é apenas mais uma versão dos livros bíblicos. Ele carrega características que o tornam mais atraente àqueles que buscam assimilar os ensinamentos de um Galileu que revolucionou o mundo com sua mensagem. Inúmeras notas de caráter exegético, literário, teológico, histórico e filológico possibilitam ao leitor uma maior clareza e compreensão dos versículos. Que favorecerão o leitor no seu orar, meditar, estudar, amar e praticar os ensinamentos do Homão da Galileia, integrando-se aos que “não se resignam a confinar-se nos limites de uma fé infantil, rejeitando um cristianismo barato de uma fé cosmética e conformista”, conforme Hans Küng, teólogo alemão contemporâneo, autor do clássico Ser Cristão, Imago Editora 1976, a necessitar urgente de uma reedição contextualizada.

O Evangelhos e Atos dos Apóstolos traz dois textos introdutórios. Um deles expõe a chamada “teoria das duas fontes”, a mais aceita pelos exegetas para explicar como se formaram  os evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas). O segundo é uma síntese da leitura orante, com seus quatro passos: a leitura, a meditação, a oração e a contemplação. Sempre parafraseando Tiago: “a leitura orante sem obra é morta”.

A edição esclarece estórias, mitos e lendas acrescidos ao longo dos tempos. Para se ter uma ideia, basta dizer que, em 1982, uma pesquisa efetivada pelo jornal italiano La Repubblica destacou a existência de dez crânios de São João Batista, dezoito braços do apóstolo Tiago e o suficiente para reconstruir vinte esqueletos de São Jorge, tudo devidamente autenticado pelas  autoridades vaticanas. E quando as relíquias são atribuídas ao Nazareno, as estatísticas são assombrosas, desde os cordões umbilicais e vários prepúcios do Menino. Além das suas santas lágrimas e alguns bilhetes caídos dos céus.

Neste janeiro, o tempo é de reflexão. Sobre os feitos prometidos nos tempos pretéritos. Acerca dos passos e dos descompassos. De retemperar ânimos e amplificar esperanças, aguçando ouvidos, reduzindo miopias, fortalecendo o emocional. Um período para lubrificar a apreensibilidade analítica que a Criação incutiu nos interiores de cada um dos seus atores também autores. Evangelhos e Atos dos Apóstolos serve para binoculizar horizontes regenerativos, favorecendo libertações das patologias que apenas buscam sacudir para os altos as questões que deveriam ser resolvidas por aqui mesmo, ratificando o pensamento de Dietrich Bonhoeffer, assassinado pelos nazistas: “nossa maioridade nos conduz a um verdadeiro reconhecimento de nossa situação diante de Deus. Deus quer que saibamos que devemos viver como quem administra a sua vida sem ele”.

Com os ensinamentos d’Ele seremos mais comunitários, nunca individualistas. Nem integrantes de bloquinhos, diferenciando religião de espiritualidade, atentos à parábola dos talentos sabiamente transmitida.

(Publicado no Jornal do Commercio, Recife, Pernambuco, 15.01.2012) 
Fernando Antônio Gonçalves
 

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