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NECESSÁRIO E ATREVIDO, ATUAL
 Num sebo recifense, local de se encontrar muita coisa relevante, um autor me chamou a atenção, pelo título do livro e o primeiro comentário da primeira orelha: “Um livro necessário. Um livro atrevido. Ninguém conseguirá ficar indiferente com a sua leitura...” De Hans Küng, Veracidade – o futuro da Igreja, editado em 1969, pela editora Herder, é desses textos que não perdem atualidade, muito pelo contrário. Pode ser lido nesta primeira década do XXI, quando a “máscara” da Igreja denunciada pelo autor, um teólogo romano dos mais notáveis do século XX, sem meias verdades, está a exigir de todas as igrejas cristãs um urgente sair do marasmo, o abandono de indisfarçáveis culturas de fingimento.   
 O livro de Küng, ainda que sendo dirigido para a área vaticana, deveria ser lido por todos os líderes cristãos da atualidade, para que os problemas apontados para Roma fossem devidamente “traduzidos” para cada uma das denominações, favorecendo uma “enxergância solucionatória” que viabilizasse a missão mais importante da Igreja, segundo Leonardo Boff, em artigo recentemente publicado na ALC - Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação: ressuscitar a esperança, segundo ele “missão que vai muito além dos dogmas e das doutrinas”.
 No livro, Küng conta um episódio ocorrido numa das sessões do Concílio Vaticano II: um bispo passou um bilhete ao vizinho, que foi passado de mão em mão. O bilhete dizia: “Senatus non errat, et si erret, non corrigit, ne videntur errasse”  (O Senado não erra; caso se engane, não se corrige, para não dar a impressão de ter errado). Daí, Hüng conclui: “também o século XX está cheio de toda espécie de inveracidade, de insinceridade, de mentira, de hipocrisia”. E arremata: “o século XX é assinalado por um sentido novo pela sinceridade, pela originalidade, pela autenticidade, pela veracidade”. 
No século XXI, as cobranças se ampliam pelo Povo de Deus, que rejeita qualquer “veneração divinizadora e aduladora dos seus administradores pastorais”, que se esquecem integralmente, por oportunismo, conveniência ou conivência, da ira do Senhor, diante dos escribas mancos e mansos, oportunistas que ainda não assimilaram a lição notável de um sufi: “não se vencem abismos ficando sentado em excursões pelos montes”.
Seguramente, Hans Küng ratificaria Leonardo Boff: “As igrejas não existem para si, elas existem para Deus e para a humanidade. Existem para a justiça, a dignidade, a paz e para manter a esperança. Existem para preservar e cuidar de toda a criação. A Igreja é um princípio de esperança”. O teólogo da libertação assinalou, no artigo acima citado,  que “a ameaça que busca tomar conta da humanidade é produto da tecnociência, que favorece o surgimento de dois grupos emergentes: uma minoria que poderia viver ‘até os 130 anos’ e está concentrando para si todos os benefícios e recursos, e outro grupo gigantesco que padece de sofrimento diário e morre de fome”.
  O desafio maior dos cristãos de todas as denominações “é manter a humanidade unida”, destacou Boff. Segundo ele, “a pobreza não é natural, não é ordenada nem ungida por Deus, mas é produto de um sistema e da situação atual. Onde há um pobre, há um explorado, um oprimido”.
 

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