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MULHERES DO III REICH
 A consagrada historiadora brasileira Mary Del Priori resenhou o livro As Mulheres do Nazismo, de Wendy Lower, da Universidade Ludwig Maximilian, Munique, consultora de História do Museu Memorial do Holocausto dos EEUU.
 
Adquiri o livro para entender o simplismo que considera as mulheres como vítimas da história, tomando conhecimento dos horrores nazistas praticados por elas nos campos de extermínio. E as estatísticas são assustadoras: meio milhão de mulheres participaram do terror do Holocausto, sendo 13 milhões filiadas ao Partido Nazista, muitas delas integrantes de uma organização chamada Liga das Meninas Alemãs, cuja doutrinação se iniciava aos dez anos. Para muitas, “matar judeus ou perseguir o bolchevismo judaico significava servir ao novo regime com lealdade”.
 
Inúmeras mantiveram as máquinas da morte em funcionamento. Professoras ensinavam como distinguir quem era ariano de quem não era. E parteiras indevidamente profissionalizadas eliminavam crianças deficientes, deixando-as morrer de inanição , sendo também as primeiras testemunhas do Holocausto, quando auxiliavam nos procedimentos médicos experimentais, aplicando injeções letais.
 
No livro são retratadas mulheres que se exibiam com seus chicotes e se destacavam por atirar na cabeça dos presos. Mais de 35 mil delas foram treinadas em Ravensbrück, de onde partiam para outros campos de extermínio, inclusive Auschwitz-Birkenau. Segundo elas, o uniforme era imponente, o salário bom e a perspectiva de estar próxima ao poder extremamente sedutora.
 
A autora Lower comprova que foi no Leste – Polônia, Ucrânia, Bielorrúsia e Báltico -, área classificada como “ninho imundo judeu”, que a barbárie feminina deixou seus mais hediondos registros: assistiu execução em massa, participou de “orgias de tiros”, executou crianças e enfermos, massacrou bebês. E inúmeras delas, munidas de pistolas, não hesitaram em atirar na boca de crianças famintas, depois de oferecer alguns bombons.
 
Elas estavam presentes em piqueniques, também participando de saques nos guetos da Polônia, integrando assassinatos em massa. E diz mais a autora: “os pactos de lealdade se estendiam da casa para o local de trabalho. O Terceiro Reich foi derrotado e desacreditado como um regime criminoso. Mas os perpetradores continuavam a honrar os juramentos de sigilo e lealdade, não ao Führer morto, mas uns aos outros”. E algumas delas ainda se declararam ‘apolíticas’, poucas tendo sido julgadas.
 
Caso raro, o de Maria Seidenberg, que morava no perímetro do campo de concentração de Dachau. E que muito ajudou os prisioneiros servindo de correio para o mundo exterior, enviando cartas para seus entes queridos e lhes dando comida. No pós-guerra, Maria Seidenberg foi agraciada com um prêmio pela cidade de Dachau.
 
Os horrores do Holocausto não devem ser esquecidos. As memórias jamais deverão ser resvaladas para os baús dos esquecimentos. Pois assim procedendo, proporcionam o surgimento de novas ideologias que menosprezam a dignidade dos seres humanos.
 
(Publicado no Jornal do Commercio, Recife, Pernambuco, 28.06.2014
Fernando Antônio Gonçalves
 

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