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LÍDERES E POSTES
Outro dia, num trabalho feito numa empresa, deparei-me com uma discussão cordial entre dois funcionários qualificados sobre quem era líder e quem seria poste na instituição. O mais velho, já com alguns bons quilômetros rodados na casa, classificava como líderes aqueles que possuíam três padrões bem definidos: autenticidade para, autoconscientemente, enfrentar as forças obscuras, as vulnerabilidades conjunturais e os desafios a serem enfrentados pela empresa; influência, favorecendo comunicações significativas com os públicos interno e externo; agregação de valores, conjugando com efetividade paixão pelo que faz, tesão pelos amanhãs e aspirações para melhor organizar, a si mesmo, a equipe, a família, a comunidade, favorecendo uma manutenção performática de longo prazo.
 
O mais jovem, já um tanto desiludido pelas lambanças praticadas por alguns assessores, classificava de poste todo aquele que, beneficiado por favorecimentos ou sobrenomes pomposos, nada contribui  para o desenvolvimento dos seus derredores profissionais, sempre calhorda e carreirista em tempo integral, de cultura quase asinina, muito mais boca que ouvido, a se aproveitar das fraquezas alheias, violando-as por interesses rasteiros, de mãos próximas dos testículos dos executivos maiores. Sempre menosprezando a reflexão de Lao Tzu: “não há nobreza em ser superior ao homem, a verdadeira nobreza é ser superior a si mesmo”.
 
Uma conclusão, entretanto, foi geral: as lideranças historicamente sabem caminhar, enquanto os postes, cada vez mais subservientes, sempre serão rebanho, jamais sabendo utilizar as armadilhas de apanhar bandidos, nem tampouco percebendo que deve-se ser bem maior para não comprometer a coragem. E quanto menos interesse revelar, mais superior vai parecer. 
 
Para quem deseja fortificar sua liderança, tornando-se independente das risadinhas pueris e das fotos midiáticas, recomendaria um livro editado na chegada do século, também milênio. Um livro escrito por um dramaturgo, especializado em estudos clássicos, sempre consciente de uma recomendação de Maquiavel: “o homem que tenta ser bom o tempo todo está fadado à ruína entre inúmeros outros que não são bons”.
 
Intitulado As 48 leis do poder, de Robert Greene, RJ, Rocco, 2000, 460 p., ele responde a algumas perguntas que sobrepairam os estudos históricos: como Galileu conseguiu sair da mendicância para se tornar astrônomo da corte?; o que levou Luís XIV a ser o temido Rei Sol?; como Tayllerand manipulou o poderoso Napoleão?; de que modo Tao-Tsé-Tung conseguiu tomar o poder com  um exército de maltrapilho?; por que Abraham Lincoln elogiava os sulistas em plena Guerra da Secessão?; e qual o segredo dos métodos de sedução de Casanova?
 
Greene mostra como esperar o momento certo para atacar, como estabelecer uma aura de mistério para confundir inimigos, como conquistar corações e mentes das pessoas, e como para longe defenestrar auxiliares arrogantes, orgulhosos, farofeiros e alisadores de ovos e adjacências.
 
O livro ressalta as inseguranças e deficiências dos líderes. Para os postes, só muita piedade.
 
(Publicado em 28.03.2015, no Jornal do Commercio, Recife, Pernambuco)
Fernando Antônio Gonçalves
 
 
 
 

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